A conquista do equilíbrio interior


Levar o sistema imunológico de seu corpo a um estado de virtual invulnerabilidade e mantê-lo assim exige uma série de cuidados quanto à alimentação, às atividades físicas e aos relacionamentos. Mas nada disso funciona sem um ingrediente essencial: o equilíbrio ao encarar a vida e ter dela uma expectativa positiva.

Revista Planeta - por Elinor Levy e Tom Monte

Se você acha que o equilíbrio na vida é importante e realmente valoriza o tempo que passa brincando e relaxando, tanto quanto o tempo que passa trabalhando e produzindo, você viverá em virtual oposição à ética da vida moderna. A maioria de nós é induzida a produzir sempre, correndo contra o tempo e dormindo pouco. A compensação é feita com recompensas materiais e uma crença interna de que somos pessoas melhores por causa de nossa produtividade, nossas conquistas e nossa ética de trabalho. No entanto, apesar do prestígio social obtido por esse comportamento, continuamos a ouvir, mesmo sutilmente, aquela vozinha interior que nos incita a passar mais tempo brincando ou rezando, ou ouvindo música, ou estando com entes queridos, ou simplesmente dormindo mais. Frequentemente nossa resposta a essa voz é considerar tais atividades pouco importantes ou desnecessárias - ou até mesmo um desperdício de tempo.

O estudo do sistema imunológico nos ensina que o equilíbrio é essencial à boa saúde. Estamos aprendendo a lição de vários ângulos diferentes, do puramente físico ao psicológico, e até do espiritual. Certos nutrientes e comportamentos que fortalecem o sistema imunológico, quando tomados em excesso, na verdade deprimem a resposta imunológica. O zinco, por exemplo, é essencial para uma resposta imunológica saudável quando consumido em doses de cerca de 15 miligramas. Mas quando o consumo excede essa quantidade, o nutriente enfraquece a imunidade.

No caso das pessoas com o HIV, o excesso de vitamina A apressa o progresso da doença e deflagra a Aids. Consumida com moderação, porém, a vitamina A é essencial a um sistema imunológico sadio, especialmente para as pessoas com HIV. Exercícios moderados fortalecem a imunidade, mas o excesso deprime a resposta imunológica. Até o álcool é inofensivo - e talvez bom para a saúde, quando consumido com moderação -, mas em excesso ele é claramennte destrutivo. Uma coisa boa em excesso nunca é tão boa assim.

Equilíbrio é uma forma de ser que pode ser aplicada a todos os aspectos da nossa vida. É um guia de como fazer as coisas rotineiras: se caminhamos ou fazemos uma marcha acelerada; se jogamos para ganhar ou jogamos para nos divertir ou relaxar, se conseguimos ou não alterar nosso estilo de ser - jogando para vencer algumas vezes, e jogando por diversão outras vezes.

O equilíbrio determina como sentimos o tempo e até se sentimos que temos tempo suficiente. Um dos paradoxos da vida moderna é que, quanto mais corremos, mais estressados nos sentimos e menos tempo parecemos ter. O equilíbrio determina a qualidade de nossos relacionamentos. Ele nos ensina a ouvir, assim como a falar, ele nos ensina a ser passivos e também agressivos, a dar e a receber.

Finalmente, o equilíbrio é confiança, e até mesmo fé. De certa forrma ele encoraja a atitude positiva em relação aos outros e a nós mesmos. As pessoas sabem, intuitivamente, que uma pessoa com uma visão equilibrada das situações tende a ser justa.

Uma visão desequilibrada da vida focaliza-se principalmente nas consequências negativas das situações e dos eventos. Quanto mais desequilibradas são as nossas perspectivas, tanto mais nos preocupamos com a possibilidade de as coisas darem errado, e como esses malogros afetarão nossa vida. Quanto mais desequilibrada é a nossa vida, tanto mais somos pressionados a nos concentrar em questões de sobrevivência - somos induzidos a acreditar que precisamos nos conntrolar, nós e os outros, a um ponto quase irracional. Não conseguimos promover a intimidade com nós mesmos e com os outros. Enfim, uma vida desequilibrada é norteada pelo medo.

Seja cuidadoso com seu corpo

O equilíbrio é também uma chave para saber como cuidar de nosso corpo. Você exige mais de seu corpo do que pretende dar em troca? Práticas como a ioga, o tai chi chuan, o alongamento e a massagem são formas suaves de dar algo ao corpo, formas de nutri-Io com carinho físico. Essas práticas aliviam a tensão do corpo e os efeitos do estresse. Apesar do fato de haver poucas evidências científicas para os efeitos positivos dessas práticas, sabemos intuitivamente que elas nos fornecem uma espécie de nutrição física, psicológica e espiritual que eleva a qualidade de nossa vida e até afeta nossa saúde.

É por isso que as pessoas que ficam doentes e que querem recuperar a saúde invariavelmente tentam restabelecer o equilíbrio em suas vidas. Pessoas que se dedicam muito a uma carreira e subitamente tiveram uma crise de saúde voltam-se para o lar e a família e para os prazeres simples da vida como uma forma de recuperar a saúde perdida. As pessoas de classes mais elevadas, por exemplo, muitas vezes reconhecem seus comportamentos e atitudes radicais como causa de suas doenças. Como resposta, elas retomam a uma existência mais simples, que afinal é mais satisfatória.

Sem equilíbrio, nenhum dos fortalecedores do sistema imunológico poderá ser usado com eficácia. Podemos ingerir demais um único nutriente, ou fazer algum exercício de forma exagerada demais para promover uma boa saúde. No final, o equilíbrio é a chave para o programa de fortalecimento do sistema imunológico.

Busque pequenos prazeres

O estresse estreita nosso ângulo de visão; ele pode nos fazer perder a p perspectiva, e assim a situação estressannte poderá eclipsar o resto de nossas vidas. Essa dinâmica pode provocar um forte impacto na imunidade. Por outro lado, usar o tempo para algum evento passageiro - sair com os amigos, degustar a comida favorita, assistir a um filme engraçado - pode fortalecer nossa resposta imunológiica por uns dois dias, de acordo com uma pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Nova York (SUNY). Durante três meses, os pesquisadores acompanharam 100 homens que passaram por vários eventos estressantes, como ser criticado no trabalho pelo chefe, o que deprimiu a resposta imunológica desses homens. Outras situações estressantes incluíam conflitos com colegas de trabalho, pressões decorrentes do excesso de trabalho e das exigências de alcançar metas, além de brigas no lar. Os pesquisadores descobriram que a função imunológica fiicou deprimida por aproximadamennte 24 horas depois de cada ocorrência desse tipo.

Entretanto, eventos como celebrações em família, companhia de amigos no jantar, pescarias ou caminhadas fortaleceram a resposta imunológica durante dois dias. "Os eventos positivos pareciam ter um impacto benéfico mais forte na função imunológica do que o impacto maléfico pelos eventos negativos" , disse o dr. Arthur Stone, um psicólogo da SUNY que conduziu a pesquisa. Stone e seus colegas descobriram que sempre que os homens diziam estar resfriados, havia um aumento paralelo do número de eventos indesejáveis, nos três a cinco dias anteriores à manifestação dos sintomas. Ao mesmo tempo, havia uma queda nos eventos desejáveis nesses mesmos dias.

• Tenha uma boa noite de sono

Um dos grandes problemas de correr contra o tempo é que muitos de nós ficam privados de um sono adequado, o que deprime o sistema imunológico. Um dos primeiros passos para se obter o equilíbrio é dormir o suficiente.

O sistema imunológico possui um ritmo normal circadiano no qual o número de células imunológicas no sangue sobe e desce ao longo do dia. Outras mudanças também ocorrem ao longo do dia, como a produção de citócines, a capacidade de proliferação das células, e os níveis hormonais. Por exemplo, os níveis de cortisol são bem mais elevados de manhã, e caem durante o dia. O interessante é que nas pesquisas em que amostras sequenciais de sangue foram colhidas num período de 24 horas, o padrão circadiano revelou mudanças na função do sistema imunológico, sugerindo elevações e quedas no número de células imunológicas. Em certos momentos do dia, a função imunológica pode ficar abaixo do normal, mas em outros, ela pode ser normal ou acima do normal.

É claro que um dos principais ritmos do corpo é o ciclo do sono. Embora ninguém compreenda como funciona o sono, parece ser um período em que a mente e o corpo conseguem se recuperar, afastados das exigências que os ocupam durante o dia. Durante o sono os nííeis da interleucina-1 sobem, o que é consistente com o objetivo dessa interleucina, pois ela induz o sono sempre que estamos doentes.

Vários estudos nos quais os participantes foram mantidos despertos durante 48 horas ou mais mostraram que a privação do sono perturba o sistema imunológico. Os efeitos da privação do sono são diferentes nos diversos estudos, mas geralmente a imunidade fica deprimida. Especificamente, a proliferação de linfócitos, a fagocitose, a produção de citócines e a atiividade das células assassinas naturais se apresentaram abaixo do normal.

Poucos são os estudos que exploraram o papel do sono na função imunológica, sob circunstâncias normais. Um desses estudos, de Michael Irwin e seus colegas, mostrou que as variações normais no sono também podem ser relevantes à imunidade. Irwin estudou pessoas deprimidas e normais num laboratório de sono. Ali ele mediu não só o tempo total de duração do sono, mas também a eficácia e os diversos estágios do sono, inclusive o sono total não-REM (o período do sono no qual não se observa o movimento rápido dos olhos, cuja sigla em inglês é REM). Ele descobriu que, nos dois grupos, o de controle e o de sujeitos deprimidos, a atividade das células assassinas naturais se manteve positivamente correlacionada com o total, assim como o sono não-REM. Ele concluiu que para manter um bom nível de atividades das células assassinas naturais, todos nós precisamos de uma boa noite de sono, para ajudar a combater as infecções virais e evitar o desenvolvimento ou a evolução do câncer.

As pesquisas confirmam que o aroma do óleo de alfazema ajuda as pessoas a adormecerem; por isso, se você tiver dificuldade para cair no sono, tente colocar um sachê de alfazema em seu travesseiro. Um programa de exercícios regulares também pode ajudar a normalizar os padrões de sono. A melatonina também pode ajudá-Io a adormecer: 0,1- 0,3 miligrama será o suficiente, caso você precise só de um pouco de ajuda, mas os insones graves podem precisar de 2 - 6 miligramas. A melatonina também fortalece o sistema imunológico, combatendo os efeitos do estresse.

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