A procura dos melhores – vontade de aprender


Não importa a área de atuação, a graduação ou a experiência. A curiosidade e a inquietação são as marcas de um talento.

Revista Você S/A - por Eugênio Mussak

Nunca se mostrou tão intensa, como atualmente, a procura de homens melhores e mais capazes, desde diretores de grandes com­panhias até simples serven­tes. E agora, mais do que antes, a procura dos com­petentes excede a oferta. O que todos procuramos, entretanto, é o homem efi­ciente já formado, que outros prepararam. Só entraremos, entretanto, no caminho da eficiência nacional quando compreendermos comple­tamente que nossa obriga­ção, como nosso interesse, está em cooperar sistemati­camente no treinamento e na formação dessas pessoas em vez de tirar de outros os ho­mens que eles prepararam."

Exceto pela linguagem arcaica, o texto acima pode­ria ter sido escrito hoje, pois representa nossa realidade atual: falta gente capacita­da e há uma disputa pelos melhores. Mas o texto, pas­me, faz parte da introdução do livro Princípios da Ad­ministração Científica, de Frederick Taylor, publicado originalmente em 1911. Como se vê, o problema da disputa por talentos vem de longe.

Como solução, Taylor propõe que as empresas virem escolas, assumindo a qualificação dos funcio­nários. Ele também insiste que os empregados devem fazer sua parte, esforçan­do-se para aprender e se desenvolver. Nos encontros de recursos humanos a dis­cussão tem estado dire­cionada para a atração e retenção de talentos, só que agora acrescidos de "desen­volvimento e engajamento".

Mas algo deve ser escla­recido nessa discussão: o que é, afinal, um talento? Não es­tamos falando de gênios nem de artistas. Talento, nesse contexto, é todo aquele que, mesmo entregando um bom resultado com seu traba­lho, não se sente satisfeito, e conserva ativa a vontade de aprender e de se desenvolver.

Nesse sentido, um ta­lento não é uma pessoa co­mum nem um empregado especial. É alguém que se sobressai pelo "brilho nos olhos", pela busca incessan­te do aprendizado e aprimo­ramento. Não importam a área de atuação, a graduação ou a experiência. Demons­trar curiosidade e inquieta­ção é marca de um talento.

"Devemos dar a cada homem o máximo de atri­buições que ele é capaz de absorver, e quem puder as­sumir mais deve ser recom­pensado por isso", também escreveu Taylor, lançan­do as bases da meritocra­cia. Atualmente, a procurados competentes também excede a oferta. Bom para os competentes. E bom para todos, pois essa si­tuação eleva o nível geral.

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