Alimentação e cuidado


Revista Scientific American - por Gláucia Leal

Comemos por vários motivos. Aplacar a fome e nutrir o corpo são apenas dois deles. Alimentar e cuidar envolvem atos, simbolismos e represen­tações que evitavelmente se confundem. Uma experiência clássica, sobre a qual estudantes de psicologia ou interessados no tema certamente já ouviram falar, ilustra esse fenômeno de forma curiosa: o pesquisador americano Harry Harlow demonstrou que filhotes de macaco alimentados por uma estrutura de metal em forma de boneco ficavam tristes e encolhidos pelos cantos, sem motivação para explorar o ambiente. Macaqui­nhos que permaneciam em companhia de um bo­neco recoberto por pelúcia (que imitava o pelo de uma fêmea adulta) eram muito mais animados, espertos e interativos. E os filhotes criados por uma macaca de verdade, que além de amamentá­-los oferecia contato físico, eram os mais curiosos, tranquilos, seguros e aptos a enfrentar desafios - uma interessante interação de calorias com afe­to, que vale também para seres humanos.

Se o alimento é uma forma de buscar moti­vação e segurança, as descobertas recentes das neurociências vão justamente ao encontro de ou­tro motivo - bem prático - para escolhermos me­lhor aquilo que ingerimos. Se antes buscávamos o cuidado no colo de quem nos aplacava a fome e aquecia, na vida adulta esse cuidado consigo mesmo pode vir da própria iniciativa, da capaci­dade de optar pelos alimentos mais adequados que forneçam mais energia para o cérebro e nos permitam assimilar melhor as informações, esti­mular a memória e a integridade mental.

Pesquisas enfatizam que aquilo que escolhe­mos para comer pode proteger nosso cérebro e atrasar em vários anos o desenvolvimento de patologias neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer. Vale, portanto, incluir na dieta 12 alimentos comprovadamente ricos em flavo­noides (substâncias antioxidantes que preser­vam as células neurais). São eles: mirtilo, frutas vermelhas, frutas cítricas, chocolate amargo, chás (branco e verde), vinho tinto, derivados de soja (tofu é um bom exemplo), café, verduras escuras (como espinafre), temperos frescos (salsinha e cebola) e especiarias (pimenta, orégano, tomi­nho, salsa etc.).

O desafio dos cientistas agora é descobrir qual quantidade exata de cada um deve ser consumi­da. Enquanto não obtêm essa informação, temos pelo menos uma certeza: optar por um cardápio com esses produtos é um bom jeito de cuidar dos próprios neurônios. E, assim como os macaqui­nhos que recebiam alimento combinado com afe­to, de nos manter espertos por mais tempo.

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