Aprender a Estudar


Diferentemente de um professor particular, psicopedagogo busca a origem de problemas no aprendizado e ensina o aluno a aproveitar melhor a aula.

Jornal Folha de São Paulo - por Fabiana Rewald 

Fim de ano, para muitos alunos, é a hora de recuperar o tempo perdido para passar de ano. É quando o professor par­ticular entra em cena, ensinan­do o conteúdo que não foi ab­sorvido em sala. Mas nem sem­pre a ajuda é suficiente, já que alguns estudantes, mais do que aprender a matéria, precisam aprender a estudar.

Nesse caso, a ajuda pode vir de um psicopedagogo, especia­lista que trabalha com proble­mas na aprendizagem. Para evitar que os seus alunos per­cam o ano ou fiquem para trás na comparação com os colegas, cada vez mais escolas orientam os pais a procurar esse profis­sional ainda no primeiro se­mestre letivo - prevenindo apertos no fim do ano.

Além de ajudar crianças, o psicopedagogo também pode melhorar o rendimento de uni­versitários e profissionais. "Trabalhamos como o indiví­duo resolve problemas e como dá conta da rotina", afirma Quézia Bombonatto, presiden­te da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

• Rótulos

Para o pedagogo e consultor do grupo Positivo Luca Risch­ bieter, o trabalho do psicopeda­gogo é "fundamental", mas ele critica o excesso de rótulos co­locados em crianças atendidas. Segundo ele, os alunos são ta­xados de hiperativos e disléxi­cos de maneira exagerada. Ain­da mais grave, diz ele, é quando esse diagnóstico está ligado a uma medicação desnecessária.

Segundo Telma Scott, uma das coordenadoras do colégio Sidarta, o educador deve saber lidar com alunos agitados, que são cada vez mais comuns nas escolas. "Não se pode achar que todo mundo tem que tomar remédio para ficar parado."

Com diagnóstico de dislexia leve, Giovanna Magri Lasalvia, 17, é um exemplo de quem con­seguiu melhorar o seu rendi­mento escolar sem remédios, mas com muitos exercícios propostos por psícopedagogas.

Antes de ter a dislexia diag­nosticada, a primeira profissio­nal que atendeu Giovanna su­geriu, com o aval de um neuro­logista, um tratamento com re­médios. Mas a mãe, Renata Ma­gri Lasalvia, 55, foi contra e re­cebeu o apoio da Associação Brasileira de Dislexia - que orientou Renata a levar a filha a outra psicopedagoga.

Segundo Neide Noffs, coor­denadora do curso de psicope­dagogía da PUC-SP, não cabe a esse profissional receitar remé­dios. A sua função é avaliar o que pode estar causando o pro­blema na aprendizagem e con­tornar a dificuldade. Se neces­sário, ele pode ainda encami­nhar o aluno para um fonoau­diólogo, um neurologista ou um psiquiatra, por exemplo.

Neide também alerta para casos em que a escola transfere a sua respon­sabilidade de educar para o psicopedagogo - que pode cobrar caro por esse serviço (o valor por consulta varia, mas gira em torno de R$120).

Para evitar essa "tercei­rização", ela defende que psicopedagogos façam parte da equipe pedagógica das esco­las. Algumas redes públicas de ensino já contratam os especia­listas para preparar docentes.

Entre as escolas que costu­mam encaminhar os seus alu­nos para psicopedagogos, mui­tas dizem que, antes disso, são esgotadas todas as possibilida­des de ajudar o estudante. A unidade Tamboré do Macken­zie lança mão de aulas de apoio e orientação familiar, por exemplo. Se não há resultado, os pais são orientados a procu­rar um profissional fora da es­cola.

• Organização é o segredo para passar de ano

Para passar de ano sem dificuldades, o segredo é a organização, dizem professores.

Estudar entre uma hora e meia a duas horas diariamente já rende um bom resultado nas provas. "O aluno que faz isso não fica sobrecarregado na véspera dos exames", diz a coordenadora do ensino fundamental 2 (que vai do 6º ao 9º ano) do  colégio São Luiz, Maria Cristina Mazzochi.

Durante o ano, o ideal é que o estudante faça toda a tarefa de casa e revise o conteúdo dado nas aulas do dia. Nesse momen­to, celulares, computadores e aparelhos de televisão devem ficar desligados.

"O estudante deve estudar em um ambiente calmo, senta­do em uma cadeira com uma mesa. Estudar largado no chão ou deitado interfere na concen­tração. Ele também não pode ter nada perto que interfira nesse tempo de estudo", diz o coordenador do ensino funda­mental 2 do colégio Augusto Laranja, Aloysio Costa.

Mas, aos que ficaram de recu­peração neste ano, os professo­res aconselham: estudar de­ mais pode não dar bons resultados. "Depois de quatro horas estudando, o cérebro não con­segue reter a informação. É co­mo um computador: se você lota a memória, pode dar pau", diz a coordenadora do São Luís. 

"É importante que o aluno não deixe de fazer outras coisas ou o período será muito esta­fante", diz Costa.

O ideal, dizem eles, é dividir o tempo entre as matérias e fazer pausas. Revisar as provas apli­cadas durante o ano e ler em voz alta também ajudam. E es­tudar em grupo neste momen­to pode não ser uma boa saída, pois contribui para a falta de concentração.

    Leitura Dinâmica e Memorização

    Preencha aqui seus dados

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus