Aquela pilha de papéis que você precisa ler pode ser vencida (Leitura Dinâmica)


Revista Você S. A. - por Luís Colombini

Se você é uma pessoa normal, há nove chances em dez de que tenha um problema cada vez mais comum no ambiente de trabalho: falta de tempo para ler. Jamais se produziu tanta informação como hoje em dia, e jamais tanta informação foi colocada ao alcance das pessoas, em papel impresso ou na tela do computador. O resultado é que, não importa o que se faça, o expediente sempre termina com uma pilha de papéis pedindo para ser lida - e como você é um só, fica para o dia seguinte, e depois para o seguinte e assim por diante, enquanto o material de leitura, implacavelmente, continua a crescer na sua mesa. Decerto que é desanimador, mas não é caso de entregar os pontos. Há dois modos de enfrentar esse problema: o primeiro é aprender a ler mais rápido e o segundo, não esquecer o que foi lido - e, de preferência, fazer as duas coisas juntas. "É perfeitamente possível fazer isso". ""A questão é que memorização exige esforço". "Guardar a informação com rapidez é só uma parte do processo", completa Alcides Schotten, diretor da Methodus - Consultoria em Aprendizagem e Comunicação. "Na leitura, é fundamental também estimular a concentração e a compreensão".

Para desenvolver a rapidez, o método mais consagrado ainda é - supresa! - a boa e velha Leitura Dinâmica. Lembra-se dela? Desenvolvida na França nos anos 30, popularizada logo depois nos Estados Unidos e ensinada no Brasil desde o final da década de 50, essa técnica se apóia numa idéia central: a de que a maneira como somos alfabetizados, sílaba por sílaba, é um atraso de vida. Com a leitura dinâmica, uma pessoa pode chegar a ler e guardar 2000 palavras por minuto, contra as 150, em média, que se retém pelo velho be-a-bá. A chave para isso é ler em blocos, usando também a visão periférica, com a qual a maioria das pessoas vê sem enxergar. O problema é que isso pressupõe reeducação, leva algum tempo para ser automatizado e custa dinheiro.

Em vista disso, sem pôr a mão no bolso, a defesa mais prática é cercar-se de alguns cuidados básicos na hora de ler, uma vez que, se você não coloca o melhor de si numa tarefa, a chance de o tiro sair pela culatra aumenta muito, ainda mais quando se trata de memória. De acordo com peritos em comunicação, numa palestra sobre um assunto que não seja lá muito empolgante, uma pessoa normal só é capaz de reter, na melhor das hipóteses, cerca de 20% do que foi ouvido. Com um texto a coisa não é muito diferente - mas há a possibilidade do aproveitamento subir para algo entre 50% e 60%. Mesmo assim, num memorando de 1.000 linhas, o bom leitor vai guardar só metade das informações (e pior: pode ser a metade errada) - as 500 restantes, infelizmennte, vão para o limbo. E se esse texto for muito chato ou mal escrito, e o dia estiver bonito, as 999 palavras que vieram depois do substantivo "introdução" têm excelentes chances de ser esquecidas cinco minutos depois.

Para que isso não ocorra com você, o primeiro passo é estar descansado, física e mentalmente, na hora de ler; o estresse e a ansiedade são terríveis para a memória. Em segundo lugar, tente se concentrar e buscar o lado interessante daquilo que está no papel - tanto maior a curiosidade por um tema, maior a chance de ele não ser esquecido. Terceiro ponto: as leituras passivas, aquelas em que as pessoas ficam com um olho no texto e outro nas nuvens, são praticamente inúteis. "Para reter as informações, é preciso interagir com elas". Por interação, entenda-se trazer o que está sendo lido para o seu mundo.

Assim, se você acaba de ler alguma coisa interessante e útil em VOCE S.A. este artigo, por exemplo uma tática é contá-la logo em seguida para alguém. Quando se repassa uma informação, é sinal que seu cérebro não só a entendeu como já se apossou dela. Outra estratégia é ir sublinhando as palavras-chave e as idéias centrais, de preferência anotando-as num papel ao lado. Isso funciona mesmo: quantas vezes você não preparou cola na escola e, na hora da prova, nem precisou usá-la porque se lembrava de tudo?

Além disso, relacione os dados novos com aquilo que você já conhecia antes, uma vez que informação solta no céreebro é como folha ao vento. É por isso que a decoreba de fórrmulas só para passar na prova de química está envolta hoje por uma névoa indevassável, ao passo que as equações de física em ritmo de rock dos cursinhos grudam como chiclete. Para aprender é preciso transformar num tijolo, escolar ou profissional, numa coisa atraente, associando-o a uma área de interesse (no caso, a música e o clima de algazarra em sala de aula que todo adolescente adora).

Por fim, tenha sempre em mente que o cérebro guarda muito mais imagens do que palavras, sons ou sensações. Desse modo, tente criar uma história mental para aquilo que está lendo, com enredo e personagens, associando uma coisa à outra. Um exemplo: numa lista de palavras sem relação imediata - como casa, fogo, avião, banana e anjo, por exemplo - procure memorizá-las assim: imagine uma casa pegando fogo, depois pense num avião voando com uma casa pegando fogo, em seguida o bico do mesmo avião virando uma banana, com um anjo a descascando. Não se preocupe com nexo nem com o ridículo ou a pobreza do enredo. O importante é que funcione.

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