Aumente o Poder do seu Cérebro


Como usar e aprimorar o órgão mais fantástico da espécie humana? Conheça seu funcionamento(mecanismos da vontade e do pensamento) e, a partir deste conhecimento, aproveite todas as suas potencialidades, ultrapasse seus limites e seja muito melhor como pessoa, como profissional e como espécie. Sob seus cuidados, a mais complexa organização de matéria que se conhece: o cérebro humano.

Revista Vencer - por Margot Cardoso

Já foi extensamente alardeado o fato de o homem usar pouco e de forma limitada o seu cérebro. O fenômeno pode ser explicado por fatores que vão desde dificuldades biológicas, modelos culturais castradores, até falta de conhecimento. Mas o principal deles é a pouca informação sobre seu funcionamento.

Como conseguir fazer tudo que tenho vontade? Por que não consigo implementar ações? Por que não sou criativo? Como é sabido, o primeiro passo para transformar e desenvolver o que quer que seja é conhecer seus mecanismos de funcionamento. Este método vale para tudo e, principalmente, vale quando se trata de melhorar a performance da nossa massa cinzenta.

  • Eu conheço, eu mudo

    Supremo orgulho da nossa espécie, o cérebro é uma fantástica máquina que pesa cerca de 1,4kg, comporta mais de 12 trilhões de neurônios e está dividido em três partes fundamentais: o hipotálamo, o sistema límbico e o córtex.

    O hipotálamo é um pequeno órgão, existente na base do crânio, que controla as funções de sobrevivência. Ali reside o centro da fome, da saciedade, da sede, do impulso sexual. Fundamental, visto que sobreviver é o interesse primeiro de qualquer ser vivo, o hipotálamo não é exclusivo da raça humana: o do réptil, por exemplo, é muito similar ao nosso, por isso é que o hipotálamo também é chamado de cérebro reptiliano.

    Já o sistema límbico tem a função de prover o indivíduo de emoções. Aqui é a casa dos sentimentos. Alguns mamíferos, como o cão e o gato doméstico, também possuem o sistema límbico.

    E, finalmente, o córtex, exclusivíssimo da espécie humana, responsável por três tarefas: o controle dos movimentos do corpo, a percepção dos sentidos (visão, tato, olfato, audição e gustação) e o pensamento. Você já ouviu falar dos famosos hemisférios direito e esquerdo? Pois é. É aqui, no córtex, que eles vivem. Esta porção também é sinônimo de inteligência, razão e espírito e protagonista mor dos grandes voos do pensamento humano, como as revoluções e as descobertas.

    O assombroso - e também motivo de toda confusão e complexidade - é que os três existem e se manifestam simultaneamente dentro da cabeça de cada um de nós. Mas, de acordo com o médico e biólogo Eugenio Mussak, autor do livro Cérebro de Estudante, a existência dos "três cérebros" não é contraditória. Eugenio, que tem como foco de trabalho a mudança do comportamento humano, afirma que eles são complementares. "No entanto, é necessário que entre eles exista hierarquia e, fundamentalmente, o conceito de hora e local, já que cada um tem uma função vital para executar de acordo com a necessidade".

    Pronto! Eis o início da dura realidade. Eles "podem" ser complementares! E aqui a sua parte: dependem de você. A convivência dos três cérebros pode ser complementar, se bem conduzidos. E esta arte de bem conduzi-los também recebe o nome da arte de viver, de sucesso, de equilíbrio, de saúde. O oposto - a falta de habilidade para orquestrá-los - costuma atender pelo nome de conflito interior, de fracasso.

    Chegamos à nossa pedra fundamental. Como construir o equilíbrio perfeito entre eles? Qual é o que exige mais investimentos? Qual deles temos a capacidade de mudar, de aprimorar?

    "O córtex", responde Eugenio. De acordo com ele, o córtex é o mais recente do ponto de vista da existência biológica. Por ser ainda recente na espécie humana, o homem ainda não aprendeu a usá-lo em sua capacidade máxima. E pior: o não usar acaba por enfraquecê-lo e atrofiá-lo.

    Não é exagero dizer que a base dos grandes problemas que o ser humano tem hoje é a falta de habilidade para lidar com o cérebro. Um dos exercícios mentais que contribuem para elucidar a tomada de decisões e posicionamentos é você aprender a identificar de onde vem a fumaça, isto é, qual porção do seu cérebro está se manifestando (este discernimento também atende pelo nome de autoconhecimento). Vamos aos exemplos:

    - Você passou por uma grande desilusão amorosa e afundou-se na tristeza, não foi capaz de reagir, o projeto em cuja frente você estava, ruiu. Na empresa, você acabou ganhando o rótulo de fraco, de desequilibrado e foi colocado de lado. O que aconteceu? O sistema límbico tomou conta de tudo e fez o que bem quis, e o seu fraco córtex - que não foi devidamente alimentado por você - ficou lá, apático, exaurido.

    - Você não consegue engatilhar um único relacionamento. Está sempre com duas namoradas, sempre arrumando encrenca porque, simplesmente, não tem jeito: você não resiste às mulheres. É o seu hipotálamo no comando.

    - O médico diz que você precisa fazer atividade física. O seu córtex tem relacionado todos os benefícios de uma vida saudável e... Não adianta: você tem uma preguiça gigante, dominadora. Seu hipotálamo é poderoso. É ele quem m manda.

    Antes que sua auto-estima comece a declinar, saiba que grandes exemplares da espécie, como o sábio apóstolo Paulo, também se debatiam com suas contradições internas. "O bem que sei que é o melhor não consigo implementar. E o mal, deste, não consigo me livrar".

  • Cavalgando o leão

    Quando se diz que alguém é bem-sucedido, é comum destacar o empenho, o otimismo, a abnegação, o caráter persistente, o brilhantismo... Quando encontramos uma pessoa de bem com a vida, cultivadora de excelentes relacionamentos, feliz com ela mesma, costumamos defini-Ia como "bem-resolvida". A tradução cerebral disso é que há um perfeito equilíbrio em tudo o que se passa interiormente nela. Há todos os indícios de que o "bem-sucedido" é o feliz proprietário de um córtex ativo. Lá está ele, de batuta na mão, orquestrando todos os interesses.

  • Força serena

    Aqui um alerta: é preciso deixar claro que o córtex não pode ser um aniquilador, um ditador, mas um regente que aponta a melhor hora para uma explosão de raiva, a melhor hora para o descanso. Porque o sistema límbico e o hipotálamo também precisam ser atendidos. Atendidos?

    Claro! E por razões óbvias. Se você não se alimenta corretamente, não dorme o suficiente, há um desequilíbrio de todas as funções do seu organismo e aí vêm as doenças. Se você não dá vazão a seus sentimentos, vem a frustração, os traumas, a baixa auto-estima.

    Deve-se estar atento a que o córtex esteja no comando, negociando, fazendo parcerias, com lucidez, com sabedoria, exatamente como deve ser o bom líder. Já imaginou os estragos de uma liderança limitada, obtusa e ditadora?

    Mas como conseguir isso? É possível instruir o córtex? Grande notícia: sim. O cérebro humano é o órgão mais treinável do corpo. O pensador francês Jean-Paul Sartre costumava dizer, com muita propriedade, que o homem pode ser o que ele quiser, até ser um creme podre, só depende dele. As capacidades de raciocínio, de planejamento, de criar, de harmonizar... Qualquer qualidade ou aptidão que você imaginar, o seu cérebro é capaz de executar e executar cada vez melhor. Basta que você o treine.

  • Verdade científica

    Há muito que os cientistas descobriram que é possível aumentar o número de sinapses, que são as ligações que existem entre os neurônios. Quanto mais informação e conhecimento, mais sinapses vão se formando, porque as células nervosas não trabalham isoladas, dependem da rede a que pertencem. E, quanto mais ligados entre si os neurônios estiverem, melhor será o desempenho das funções cerebrais.

    Na prática funciona da seguinte forma: quanto maior o conhecimento de uma pessoa e sua diversidade de interesses, maior é o número de sinapses. E, neste caso, quantidade é qualidade: "O aumento das sinapses melhora o raciocínio e a memória, pois há um incremento da velocidade da transmissão de informações entre os neurônios". É o mesmo raciocínio de estradas e ruas, quanto mais vias de acesso, maior a possibilidade de atalhos e rapidez de deslocamento.

    Até bem pouco tempo, acreditava-se que era possível aumentar apenas o número de sinapses. Porém estudos recentes atestam que é possível aumentar o número de neurônios que possuímos: cientistas conseguiram provocar a proliferação de células nervosas no cérebro de ratos submetidos a estímulos cerebrais e a exercícios físicos. A partir desta informação, a conclusão óbvia é que o desenvolvimento do cérebro humano é ilimitado.

  • Cérebro na sala de aula

    Como se treina? Onde se treina? Existe curso para isto? O treinamento cerebral é simples e pode ser ministrado no dia-a-dia, em qualquer hora e lugar. Semanticamente falando, é a mesma metodologia e filosofia da prática esportiva: o segredo é tomar gosto pela prática, acostumar-se com a constância.

    Este é o primeiro passo. Prepare seu espírito - e sua agenda - para a prática obstinada.

    Eugenio cita o exemplo do nadador: "Quem faz natação prepara-se durante meses para uma competição. O tempo e a constância não são discutidos. O que importa é o treino em si: melhorar a cada dia, baixar os próprios tempos, aprimorar as largadas, as braçadas e as viradas. Enquanto isso, o corpo vai melhorando, ficando mais forte, mais musculoso, mais magro", explica ele. É este o primeiro comportamento que você deve incorporar: a constância e a disciplina dos atletas, características fundamentais para a conquista da alta performance cerebral.

  • Você é único!

    A primeira tarefa é aprofundar o conhecimento sobre você mesmo. Eis aqui uma aventura fantástica, porque você é único. Uma curiosidade: a grafologia, que muitas empresas estão usando no processo seletivo, tem como princípio esta unidade cerebral. "O ato de escrever é fruto de um comando cerebral. O cérebro humano é único, portanto a letra também. Os grafólogos a usam como ferramenta para o entendimento do indivíduo", explica a professora Maria Inês Felippe, psicóloga, mestre em criatividade e consultora de Recursos Humanos.

    Não há um modelo igual a você para que você faça estudos comparativos, não existe um registro histórico de uma pessoa exatamente como você que possa guiá-lo. O que você pode é buscar ferramentas de apoio. E o mundo está cheio delas: livros, trocas de experiências com outras pessoas, filmes, terapias e até esta reportagem.

    O ideal é que você comece com os conhecimentos básicos sobre você e depois vá se aprofundando. O nível básico deste conhecimento é primeiro definir qual é o departamento em que você é melhor.

    Voltemos ao cérebro. Estudos apontam que o córtex está dividido entre hemisfério direito e hemisfério esquerdo. Você já deve ter ouvido falar disto. Quando se trata de controle dos movimentos do corpo e da percepção dos sentidos (lembra que o córtex também é responsável por isto?), eles dividem igualmente as tarefas: o lado direito controla o lado direito do corpo e o esquerdo, o lado esquerd . O que você pode é buscar ferramentas de apoio. E o mundo está cheio delas: livros, trocas de experiências com outras pessoas, filmes, terapias e até esta reportagem.

    O ideal é que você comece com os conhecimentos básicos sobre você e depois vá se aprofundando. O nível básico deste conhecimento é primeiro definir qual é o departamento em que você é melhor.

    Voltemos ao cérebro. Estudos apontam que o córtex está dividido entre hemisfério direito e hemisfério esquerdo. Você já deve ter ouvido falar disto. Quando se trata de controle dos movimentos do corpo e da percepção dos sentidos (lembra que o córtex também é responsável por isto?), eles dividem igualmente as tarefas: o lado direito controla o lado direito do corpo e o esquerdo, o lado esquerdo. Porém, esta "simplicidade" não se aplica quando se trata do pensamento, e estudos científicos apontam uma predominância de um dos lados, que se reflete na personalidade do indivíduo.

    O esquerdo executa um pensamento com tendências à lógica, à matemática, à organização, ao planejamento. O hemisfério direito é criativo, romântico, sonhador, visionário. Alguns atribuem o predomínio de um dos hemisférios à escolha profissional. Faz sentido, porque um engenheiro, por exemplo, lida com cálculos, com planejamento. E se ele estudou estas disciplinas é natural que o seu lado esquerdo tenha se desenvolvido mais. Assim como o artista, que atua com a intuição, a imaginação, a estética, desenvolveu mais o seu lado direito.

    "Claro que este raciocínio está certo, pois o pensamento é como um músculo, pode ser treinado. Mas também não podemos desconsiderar as tendências naturais. É possível que estes profissionais tenham escolhido a sua profissão porque já se davam conta do predomínio de determinado hemisfério", argumenta Eugenio Mussak.

    Qual dos dois hemisférios tem mais chance de se dar bem no mundo? Os dois têm chances iguais e o mercado de trabalho e o mundo precisam dos dois tipos. Porém é cada vez mais notório que o ideal é ter um equilíbrio entre os dois.

  • Atuando com os dois

    Como se sabe que há um desequilíbrio entre os lados? É perceptível na prática? É. Exemplos: você é muito criativo e cheio de idéias (predomínio do lado direito), porém, quando chega à etapa de implementar, de pôr em prática, você emperra (lado esquerdo pouco desenvolvido). Ou o oposto: você só sabe executar, criar não é com você.

    Tudo bem. Não dá para ser bom em tudo. É por isso que o trabalho em equipe existe. Um cria, outro planeja, outro executa. Infelizmente, este tipo de acomodação não justifica e pode ser mortal para certos profissionais. O advogado, por exemplo, precisa de raciocínio lógico. Como ele defenderá o seu cliente sem organizar todas as informações de forma clara e objetiva?

    Sem contar que este equilíbrio entre os lados direito e esquerdo pode ser um grande diferencial. Alguns profissionais liberais, como médicos, psicólogos, por exemplo, conseguem notoriedade porque não são apenas técnicos na sua área, sabem comunicar-se com leigos, escrevem para jornais e revistas, dão palestras. Há profissionais que não conseguem se traduzir, só conseguem falar para outros da mesma área.

    Mesmo para os artistas, não basta só o talento do hemisfério direito. Picasso e Rodin desfrutaram grande conforto financeiro graças às suas habilidades como negociadores, planejadores, graças ao hemisfério esquerdo. Outros - como Van Gogh, igualmente genial viveram e morreram na miséria.

  • A escola ainda que tarde

    Volte um pouco no tempo e se lembrará de uma pergunta que atormentou você durante muito tempo. No colégio você quebrava a cabeça com geometria analítica e pensava: vou ser historiador, para que preciso saber isto? Ou: vou ser engenheiro, para que preciso saber sobre os egípcios? Pronto. Aqui está a resposta. Tarde demais, não? Ainda dá tempo. Lembre-se de que o seu cérebro pode se desenvolver até quando você quiser.

  • Os treinamentos, por favor!

    As formas de treinamento são muitas, tantas que, ao final desta reportagem, você estará apto a criar o seu próprio programa de treinamento. Personalizado, só seu! Vale lembrar que os treinamentos para o cérebro não são divididos por campo de atuação. Ele não funciona por departamentos. Você já leu sobre inteligência emocional, inteligências múltiplas. Mas estas divisões são apenas para efeito didático, para facilitar a compreensão dos mecanismos de pensamento, porque tudo acontece e funciona ao mesmo tempo.

    Conheça alguns caminhos e coloque o seu córtex para funcionar!

  • Esporte na veia

    E já que no início fizemos a comparação com o esporte... (Atenção: Não é nenhum complô do meu córtex com o seu córtex para convencer o seu hipotálamo.) A prática esportiva é um excelente treinamento para o cérebro. O esporte não treina só o corpo. Eugenio explica que a cada vez que o jogador de basquete vai à quadra para "treinar o braço" em arremessos de três pontos, ou a cada vez que o tenista treina saques, eles estão treinando seu cérebro, que é quem está no comando dos músculos, articulações e ligamentos.

    "O cérebro é capaz de interpretar o movimento, avaliar o resultado e corrigir as falhas para o movimento seguinte, incorporando as modificações e automatizando a ação. Quanto mais se treina, mais se incorpora o movimento ao sistema de controle automático do cérebro", afirma ele.

    Antes de mais nada, há comprovações científicas. Eugenio cita uma pesquisa feita nos Estados Unidos que dividiu um time de basquete em três grupos de atletas. O primeiro grupo treinou arremessos longos por 30 dias. O segundo não treinou nada e foi se ocupar de outras coisas. O terceiro grupo não treinou na quadra, mas fez um trabalho de relaxamento e concentração, imaginando que estava nela fazendo arremessos de longa distância. Você imagina qual foi o resultado? O grupo que treinou mentalmente passou a apresentar um índice de acerto muito mais próximo do grupo que treinou na quadra do que o do grupo que não treinou

    • Leitura Dinâmica e Memorização

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