Cara a Cara com o Presidente


Eles estão participando da seleção de emprego em grandes companhias. Veja como agir quando estiver diante do número 1.

Revista Você S/A - por Mariana Delfini

As empresas volta­ram a contratar es­te ano e há vagas abertas em pratica­mente todos os setores. Mas, após a crise internacional, o processo de seleção está mais cuidadoso. A or­dem é escolher o profissional cer­to, capaz de trazer resultados e de se integrar facilmente à cultura cor­porativa. Em alguns lugares, o ri­gor na escolha é tanto que o presi­dente está entrevistando pessoal­mente os candidatos - não só pa­ra as vagas de diretor, mas para pos­tos de gerência também. "Quero re­duzir o risco de trazer alguém que não se encaixe", diz Giano Agosti­ni, presidente da Goodyear do Bra­sil. Seus colegas de cargo na DuPont, Reckitt Benckiser e Henkel fazem o mesmo. A participação dos CEOs revela a importância que as organi­zações estão dando à formação de suas equipes. "A necessidade de en­contrar talentos chegou a um nível tal que os mais altos executivos es­tão se incumbindo da tarefa, usan­do a experiência que têm para es­colher bons gestores", diz Marcelo de Lucca, diretor-geral da empre­sa de recrutamento Michael Page.

Para quem concorre a uma vaga, ser entrevistado pelo presidente sig­nifica duas coisas. Em primeiro lu­gar, o processo de seleção ficou mais difícil. E, em segundo, é necessário estar bem preparado para uma eta­pa diferente, em que novos conhecimentos devem ser explorados. O requisito fundamental para se dar bem numa entrevista com o núme­ro 1 da companhia é conhecer a or­ganização - a missão, os valores, o mercado em que atua, os principais clientes - não só para manter um bom diálogo, mas para fazer pergun­tas pertinentes e responder a outras da melhor forma possível. Além de analisar a experiência e a formação acadêmica, que são naturalmente le­vadas em conta, os chefões dedicam especial atenção ao comportamento do entrevistado durante o encontro.

"Gosto de observar caráter, estilo de liderança, empatia. Eu percebo, pe­la minha experiência, como é a capa­cidade do aspirante ao posto de ou­vir, de trocar ideias, de desenvolver relacionamentos", diz Everardo Tel­les, presidente do Grupo Ypióca, fa­bricante de bebidas.

Um aspecto que vai contar pon­tos no placar é a habilidade do can­didato de falar sobre estratégia. De­pendendo de como a conversa evo­luir, provavelmente será mais interessante se concentrar numa visão geral do negócio e do mercado do que nas atribuições do seu cargo e em questões práticas. Julio Kampff, presidente da Henkel no Mercosul, fabricante das colas Durepoxi e Pritt, usa a entrevista para avaliar o pre­sente e o futuro do candidato na or­ganização. "Estou interessado na análise de cenário que ele é capaz de fazer, além de sua habilidade de comunicação e seu potencial para as­sumir maiores responsabilidades", diz. Já que a Henkel tem como uma
das prioridades fortalecer a equipe global, a avaliação da capacidade de atuar internacionalmente pesa na reunião com o chefão.

O investimento em gente que pos­sa construir carreira na organização também aparece na hora da seleção. Luciano Bianchi, de 36 anos, control­ler da Henkel, avalia a conversa que teve com o presidente Julio Kampff cinco meses atrás como "uma en­trevista voltada para o crescimen­to". Ele conta que a reunião com o presidente foi diferente das outras etapas de seleção. "Com o diretor da área, foi mais focada na minha ex­periência, no que eu já tinha feito; com a área de recursos humanos o foco era algumas capacidades mi­nhas e meu comportamento", conta Luciano. Com o CEO, a discussão girou em torno do mercado e do fu­turo. "Ele me mostrou o que espera­va de mim nessa posição e também falou daquelas que eu ainda posso conquistar se for bem".

Uma característica da entrevista com o executivo número 1 é a obje­tividade. "Ele é alguém que vai olhar para o resultado, e é isso que traz o tom diferente a essa etapa", afirma Tatiana Carvalho, de 30 anos, geren­te do setor de inseticidas da Reckitt Benckiser, entrevistada por duas ho­ras em dezembro de 2008 pelo presi­dente da empresa, Frederic Larrnu­seau. "Fiquei bastante impressiona­da com a clareza dele em relação ao tipo de profissional que buscam", diz Tatiana. "Isso ficou bastante ní­tido nas perguntas que se relacio­navam à importância que é dada à agilidade e ao empreendedorismo."

• Boa impressão

Nem Tatiana nem Luciano ficaram nervosos na hora de encarar o líder, embora o gestor da Henkel tenha sentido aquela ansiedade natural das entrevistas de emprego. Mas a inquietação é considerada comum. Giano Agostini, da Goodyear, ten­ta fazer com que os candidatos se sintam da melhor maneira possí­vel, travando uma conversa fluida, que os faça relaxar. "É melhor para nós dois que seja dessa forma, pa­ra a pessoa poder se mostrar e para que eu possa avaliá-Ia corretamen­te", diz Giano. Normalmente, os presidentes vão tolerar certo nível de tensão, mas nada além. Everar­do Telles, da Ypióca, não costuma se deparar com candidatos nervo­sos e até destaca que a insegurança é um fator que leva em conta. "Ela é um aspecto negativo, sim, porque a segurança é muito importante para um líder, alguém que vai coordenar uma equipe e dar satisfações a seus superiores", explica Everardo.

Aind da assim, o que mais causa má impressão aos chefões é o des­conhecimento da empresa, que re­vela que o candidato não se prepa­rou adequadamente. Arrogância e presunção também tiram os CEOs do sério. Qual é o melhor conselho para encarar a avaliação de um deles? Os executivos são unânimes na res­posta: quanto mais sincero, autên­tico e transparente for o candidato, melhor ele se sairá na entrevista.

• Para enfrentar o chefão

- Saiba quais são seus objetivos profissionais e o plano de carreira que gostaria de seguir.
- Saiba falar sobre os resultados mais importantes que você já conquistou.
- Fale de suas experiências como gestor, se tiver.
- Estude tudo sobre a empresa: história, valores , missão, organização.
- Estude o mercado da companhia, as perspectivas de crescimento, os riscos do negócio.
- Controle o nervosismo.
- Seja honesto em suas respostas.
- Concentre-se em questões estratégicas, evite as operacionais.
- Deixa para falar de benefícios e detalhes técnicos com o RH ou com seu futuro chefe.

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