Comunicação, isso é mesmo Importante?


Revista Você S.A. - por Dalen Jacomino

A exetuvivo porto-ríquenha Carmen Baez, de 42 anos, construiu toda a sua carreira na área de marketing e comunicação. Desenvolveu estratégias para empresas - e seus produtos - em todo o mundo e, com a mesma eficiência, aplicou em sua própria carreira todos os conceitos aprendidos. O resultado é que ela acabou de ser nomeada presidente da Diversified Agency Service (DAS) para a América Latina, empresa do Grupo Omnicom, líder mundial no setor. Agora Carmen está no comando de 69 equipes espalhadas pelos escritórios com os quais a DAS mantém parcerias na América Latina. Para conseguir dar conta de tantas atividades em diversos países, Carmen passa quase 50% do tempo viajando. No restante, comanda os negócios do escritório da empresa, em Nova York. No Brasil, onde esteve no final de janeiro, a DAS tem uma parceria com a agência de comunicação Rapp Collins. Foi lá que ela recebeu a VOCÊ s.a. para uma conversa sobre a importância e tendências da comunicação dentro das empresas. Confira a seguir.

  • Existem várias empresas no mercado cuja comunicação interna é bastante precária, mas que continuam a ser rentáveis. Qual a real importância da comunicação dentro das empresas?

    A questão é simples: se a sua equipe não souber qual é a direção para a qual a empresa quer seguir e em que ritmo deve caminhar, no final das contas cada um chegará a um lugar diferente. E aí, minha cara, é o caos.

  • Qual a melhor maneira de estruturar uma empresa para que ela tenha uma comuicação interna eficiente?

    A comunicação eficiente é resultado de vários itens. Primeiro, temos de ser parceiros dos nossos funcionários. E isso só funciona com uma estrutura mais horizontal, ágil, rápida. Uma estrutura que exige equipes multidisciplinares. A Ketchum, uma das empresas do nosso grupo, está se organizando mundialmente por práticas. Não há mais divisão por escritórios distribuídos pelo mundo, nem por hierarquia, com seus departamentos isolados. Agora as equipes se organizam por áreas especializadas. Por exemplo, se um cliente do Brasil ou de Hong Kong tem um problema específico, uma crise de produto, a Ketchum reúne seus melhores especialistas em todo o mundo naquele assunto e forma uma equipe especial para atacar o problema.

  • Qual a maior dificultade que as empresas têm hoje em dia em relação a essas equipes?

    O mais difícil hoje em dia nas empresas não é formar as equipes ou mudar a estrutura de trabalho. É, sim, recrutar e manter os talentos.

  • Como a Internet está mudando a comunicação dentro das empresas?

    Estive recentemente na Argentina e, no final de uma reunião, um dos executivos me deu seu cartão. Lá tinha o telefone, o fax, o celular e o e-mail. Como se não bastasse, ele ainda anotou atrás do cartão seu e-mail pessoal. É uma loucura. As mudanças são enorrmes. E mexem com todo mundo. Hoje, as empresas americanas, por exemplo, vivem sob o seguinte código: 24/7/365. Isso significa que elas trabalham 24 horas por dia, sete dias da semana, 365 dias ao ano.

  • Até onde o contato pessoal será fundamental dentro das equipes virtuais?

    Acredito que o contato humano será sempre fundamental. O pessoal da Ketchum, uma das nossas parceiras bastante avançadas em tecnologia, já trabalha em equipes por Internet. Apesar de tudo isso, o pessoal sempre se reúne fisicamente. Na verdade, o momento ideal para conversar e desenvolver uma relação de confiança - que certamente facilitará o trabalho depois.

  • Que características são fundamentais para que o profissional se dê bem na área de comunicação daqui para a frente?

    O principal, não somente para a área de comunicação, é que ele se sinta seguro e confortável com as mudanças constantes. Ele tem que ser capaz de se adaptar, de se transformar. A habilidade de aceitar a mudança e criar novas é muito importante.

  • Como é para você, uma mulher e ainda por cima nascida em Porto Rico, ser presidente de uma empresa americana?

    O homem e a mulher são bem diferentes, e as empresas inteligentes sabem como aproveitar o que cada um tem de melhor. No meu caso, sempre estive muito focada em usar estrategicamente essa diferença para atingir meus objetivos. Decidi usar essa diferença como um ponto positivo, e não como uma carga para a minha carreira. Tem dado certo.

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