Conexões para o sucesso


As pessoas estão mais conectadas do que nunca por meio das redes sociais, mas o networking continua negligenciado. Saiba por que essa prática é crucial para a carreira.

Revista Você S/A - por Vanessa Vieira 

Networking ajuda até quem não precisa dele. Estrelas de ci­nema, por exemplo, têm uma rede de con­tatos própria e se be­neficiam dela, apesar de pensar no assunto mais como consequência da fama do que um hábito a ser cultiva­do, como fazem mortais como nós. Um estudo da University of Southern California mapeou 7 000 pessoas pre­sentes em 12 000 eventos, como pré­-estreias, festas e vernissages ao re­dor do mundo. A conclusão: as 20 maiores estrelas de Hollywood, co­mo Brad Pitt, Angelina Jolie e Tom Hanks, se encontram sempre nos mesmos eventos, o que ajuda a re­forçar a condição de megacelebrida­de que eles têm. O estudo traz a mo­ral da história para os mortais: não é preciso estar entre os 20 profissio­nais mais notórios de seu mercado, mas é fundamental para a carreria co­nhecer pessoas que estão na rede de contatos deles. Por quê? Porque são esses profissionais um pouco abai­xo da linha do estrelato que os head­hunters e as companhias procuram. São os talentos que ainda não têm o reconhecimento máximo, embora claramente tenham realizações e fa­çam networking com quem impor­ta. "O sucesso de um profissional se apoia em três pilares: competência, sorte e uma boa rede de contatos", diz Adrian Tsallis, sócio-diretor da 2Get, empresa de executive search, que tem sede em São Paulo. "Negli­genciar o networking significa me­nosprezar um fator que está total­mente sob o seu controle."

Nunca foi tão fácil, como hoje, fa­zer networking. As redes sociais, os smartphones e os notebooks garan­tem comunicação eficiente em qualquer tempo e lugar. Com eles, ficou fácil encontrar uma pessoa, entrar em contato e iniciar um relaciona­mento profissional. Mas, apesar da alta conectividade do mundo, boa parte dos profissionais ainda descui­da da construção e manutenção de sua rede de conhecidos. Uma parce­la da culpa, apontam especialistas, está na própria tecnologia. As pessoas substituíram parte do que fa­ziam pessoalmente, no café do cor­redor da empresa ou na happy hour, por interações digitais, como MSN, Twitter, Facebook ou Blackberry.

A tecnologia é ótima, desde que não perca em profundidade. "O contato virtual pode anteceder ou suceder o encontro pessoal, mas nunca terá o poder de substítuí-lo", diz José Au­gusto Minarelli, sócio da Lens & Mi­narelli, consultoria de recolocação de executivos de São Paulo.

Mas o fato é que o hábito de sen­tar e conversar com as pessoas e criar vínculos consistentes está sob ame­aça. A questão é mais séria entre jo­vens. Algumas companhias já detec­taram que alguns profissionais que ingressaram no mercado de trabalho recentemente têm maior resistên­cia a situações como chamar o che­fe para conversar e menos habilida­de para tecer os laços do networking eficiente. "Só existe networking se você cria um vínculo com as pesso­as que conhecer, se elas se lembra­rem de você quando telefonar para elas", afirma Marcelo Cuellar, head­hunter da consultoria Michael Page, do Rio de Janeiro.

Os mais velhos levam vantagem com relação ao tipo de relacionamen­to que têm com seus pares, pautado por um maior grau de intimidade. Em contrapartida, não costumam se sentir confortáveis em buscar o rela­cionamento com pessoas desconhe­cidas e não têm o hábito de usar fer­ramentas tecnológicas para registrar e organizar sua lista. Seja pela sobre­carga de trabalho, seja pela acomoda­ção, muitos negligenciam a rede de contatos. A partir de certa idade, cul­tivar relacionamentos é ainda mais crítico para uma recolocação pro­fissional. "Esse público não dedica tempo para essa atividade quando está empregado", diz Adrian Tsallis.

Os especialistas alertam que o networking não é uma prática mo­mentânea, que se encerra após a listagem e a organização de uma sé­rie de contatos. Fazer networking é uma atitude que exige a convivência e traz benefícios para todas as partes. "Você se relaciona onde quer que es­teja: na fila do banco, no lançamen­to de um livro, numa ONG, em pa­lestras, na cozinha trocando receitas ou até na porta da escola dos filhos", diz José Augusto Minarelli. Mas co­mo aproveitar essas oportunidades para construir um networking efi­caz? A questão, então, é buscar o ne­tworking correto, que use a tecnolo­gia de maneira inteligente para de­senvolver relacionamentos reais e de
benefícios mútuos fora da web.

• O passo a passo das regras para uma vida em rede

- 1 Contabilize seu capital social 

Mesmo quem não pratica o networking de forma cons­ciente tem sua rede de relacionamentos. Para saber o tama­nho dela, comece a listar seus contatos - amigos, parceiros de trabalho, ex-chefes. Pesquise agendas novas e antigas, cartões de vi­sita, fotos, convites de formatura e e-mails trocados.

- 2 Não mire só o alto

Não selecione apenas profissionais de cargos altos para sua rede. Procure pessoas que estão na mesma posição que você, com d desafios semelhantes. Isso vai favorecer a ajuda mútua e o acesso a informações relevantes para o seu posto.

- 3 Organize-se

Transcreva tudo o que souber ou vier a descobrir de seus contatos e das pessoas que gostaria de adicionar à sua re­de. Nome completo, aniversário, telefone, endereços físico e eletrônico, além de informações que podem ajudá-Ia a retomar o conta­to em ocasiões futuras. "Isso o auxiliará a ser atencioso e não dar foras, trocando nomes ou se esquecendo com quem está falando", diz José Au­gusto Minarelli. da consultaria de recolocação Lens &. Minarelli.

- 4 Seja proativo 

Tome a iniciativa de fazer visitas, telefonar, marcar encon­tros. Aproveite oportunidades de convivência: frequente de vez em quando happy hours de trabalho, participe de pales­tras e cursos de atualização na sua área. Nesses eventos, também vale a pena identificar outras pessoas que estão sozinhas e puxar conversa. Se não puder comparecer, mande um e-mail agradecendo o convite.

- 5 Como abordar um contato novo 

Uma boa estratégia é pedir para um conhecido em co­mum que faça a apresentação. Se não houver um interme­diário, procure se informar com antecedência o máximo possivel sobre as atividades do seu alvo. Assim, vai ficar mais fácil puxar conversa comentando sobre algo que lhe chamou atenção no blog de­le, numa entrevista que ele deu ou mencionando que tem acompanhado o trabalho dessa pessoa. Outra estratégia é citar pontos de convergên­cia, como amigos ou interesses em comum.

- 6 E pela internet?

Numa rede social, nunca convide um desconhecido ape­nas para aumentar o tamanho da rede. Se for fazer um primei­ro contato virtualmente, escreva uma introdução ao seu con­vite. De forma resumida, envie uma mensagem e explique por que gostaria de adicionar aquela pessoa e peça permissão. Se tiver e puder mencio­nar conhecidos em comum, melhor ainda. Depois, procure a pessoa para marcar uma conversa e se apresentar pessoalmente.

- 7 As melhores redes sociais

Para pesquisar contatos, montar e organizar sua rede, o Linkedln costuma ser a ferramenta favorita. Ele facilita a busca por perfis profissionais e segmentos, já que os participantes podem compartilhar seus curriculos. O Twitter permite um jeito ágil de cul­tivar sua rede, porque os posts curtos não consomem tanto tempo e existe um clima de abertura para as pessoas se comunicarem. O Twitter também pode aumentar sua visibilidade e atrair novos contatos, pois há a possibili­dade de encaminhar os posts para terceiros por meio dos membros de sua rede. Para quem você já conhece, o MSN é ótima forma de manter-se no radar. Puxe conversa rápida, pergunte o que o outro anda fazendo.

- 8 É dando que se recebe

O networking e um jogo em que todos ganham, portanto, não use sua rede apenas em beneficio próprio - re­tribua. Para contar com o apoio dos demais num momen­to de necessidade, esteja disponivel para ajudar, mesmo aquelas pes­soas que não integram diretamente a sua rede. Procure responder às dúvidas dos colegas, dê sugestões de como solucionar o problema, fa­ça a ponte entre duas pessoas. Sua atitude positiva é um investimento de longo prazo. "Faça pelos outros o que gostaria que fizessem por vo­cê", orienta Marcelo Cuellar, consultor da Michael Page .

- 9 Seja referência

Ter um blog ou difundir informações por meio do Twitter são boas formas de atrair pessoas que se identificam com o que diz. Se você se sente capaz de produzir conteúdo de qualidade sobre a atividade que exerce, pode se transformar em referên­cia em determinado assunto, ganhando credibilidade e visibilidade.

- 10 Ao vivo é melhor

Num mundo altamente conectado, é fácil cair na tentação de cultivar o networking somente pelos meios eletrônicos. De fato, os sites de relacionamento e as comunidades virtuais facilitam nossa vida e agilizam a comunicação, no entanto, não substituem o contato pessoal. Um networking eficien­te tem a ver com a intensidade do vinculo que você cria com as pes­soas, o que se faz com convivência e diálogo. Nesse sentido, o con­tato mantido pelos meios eletrônicos tende a ser mais rápido e super­ficial. Resumindo: o networking pode até começar no mundo virtual, mas em algum momento tem de passar para o mundo real. Vale ana­lisar o que acontece nos processos de recrutamento. "Embora haja cada vez mais etapas não presenciais, como testes online e envio de cases, nenhuma contratação ê fechada sem uma entrevista ao vivo", diz Adrian Tsallis, da consultoria 2Get.

- 11 Volte às aulas

Alguns cursos, principalmente os de pós-gradua­ção, costumam reunir profissionais que já estão atuando no mercado, o que pode ser uma boa forma de conhecer pessoas importantes na sua área e desenvolver um vínculo forte com quem está em pleno crescimento profissional. Além disso, muitas ins­tituições têm associações de ex-alunos que mantêm vivo o relaciona­mento entre eles depois do fim do curso.

- 12 Reforce sua rede

Oferecer-se para dar palestras em associações e en­tidades que reúnem profissionais do seu segmento, mesmo que sem receber nada por isso, ê uma boa forma de ganhar visibilidade e fazer novos contatos. "Uma situação assim, em que você está ensinando algo, inverte o jogo e faz as pessoas se aproximarem de você", diz Karen Mascarenhas, consultora da DBM. De acordo com ela, a orientação vale até para quem não tem uma experiência longa. "Nes­se caso, é bom dividir algum conhecimento que você tem em outra área. Se você possui habilidade em produzir comerciais ou em informática, po­de palestrar sobre como promover um negócio usando as diferentes mí­dias. O importante é criar as oportunidades", diz Karen.

- 13 Valorize seu passe

Mesmo que esteja precisando de trabalho, não im­plore nem transfira aos demais a tarefa de conseguir uma colocação para você. Uma atitude desesperada só desvaloriza seu passe. Uma forma simpática de entrar no assunto é pedir a seu contato um conselho ou uma sugestão de quem procurar. Pergunte o que ele faria em seu lugar. Isso pode abrir caminho para que ascarenhas, consultora da DBM. De acordo com ela, a orientação vale até para quem não tem uma experiência longa. "Nes­se caso, é bom dividir algum conhecimento que você tem em outra área. Se você possui habilidade em produzir comerciais ou em informática, po­de palestrar sobre como promover um negócio usando as diferentes mí­dias. O importante é criar as oportunidades", diz Karen.

- 13 Valorize seu passe

Mesmo que esteja precisando de trabalho, não im­plore nem transfira aos demais a tarefa de conseguir uma colocação para você. Uma atitude desesperada só desvaloriza seu passe. Uma forma simpática de entrar no assunto é pedir a seu contato um conselho ou uma sugestão de quem procurar. Pergunte o que ele faria em seu lugar. Isso pode abrir caminho para que a pessoa se ofereça para recomendá-Io a alguém. Informe que saiu da empresa e deixe claro que tipo de vaga está buscando. O que tem de ficar nas en­trelinhas é que você ainda pode ser útil para quem o ajudar.

• Receitas atraentes

Para Luciano Lacerda, de 38 anos, CEO da Totvs Goiás, de Goiânia, até mesmo ao praticar atividades de lazer e possível fazer contatos. Durante um curso de culinária, hobby que cultiva, ele conheceu o dono de uma companhia com a qual estava tendo dificuldades para fechar um negócio. "Era um contrato estratéglco para nós, mas o cliente estava propenso a fechar negócio com a concorrência" . Após esse contato informal, Luciano pediu ao empresário uma oportunidade para fazer outra apresentação de seu produto ao departamento responsável.  "Depois disso, nós conseguimos convencer os executivos da empresa dele de que nossa solução era melhor e ganhamos o contrato", conta.

Networking rumo à presidência

Leonardo Figueiró, de 33 anos, presidente do World Trade Center em Belo Horizonte, aprendeu a fazer networking quando era trainee na Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham). sua função era organizar eventos e convidar líderes corporativos e políticos para as palestras e seminários da Amcham. O capital social que conquistou fez com que chegasse ao posto de gerente de unidades regionais, com a missão de mobilizar empresários Brasil afora para instalar novas filiais da câmara em Brasilia, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador e Uberlândia. A facilidade que tem para conhecer gente por meio do networking lhe rendeu o emprego atual, cuja função é reunir empresários para que façam novos negócios. Em dois anos, já conquistou 400 sócios para o projeto. "Da mesma forma que um gerente de banco e valorizado por sua carteira de clientes, um executivo leva, para onde quer que vá, sua rede de contatos. Quando você faz um relacionamento benfeito, é só dar um telefonema e as portas se abrem.."

Choque e retomada

Débora Bueno Carniel, de 44 anos, gerente de risco da construtora Galvão, só se deu conta do quanto cuidava mal de sua rede de relacionamentos quando perdeu o emprego no início de 2010. Durante um processo de recolocação, foi orientada a retomar contatos profissionais. Fez uma lista de conhecidos, marcou conversas e cafés nos quais falava sobre seu momento de carreira e de suas realizações. Seus contatos a indicavam para outras pessoas. Débora adotou o Linkedln e começou a fazer novos contatos por meio da rede social. Em três semanas, conseguiu novo emprego por meio de um curso de graduação na área de seguros. Em quatro meses, foi convidada para integrar uma consultoria de risco. Mais três meses e foi contratada pela Galvão, onde está empregada desde setembro. "Meus contatos foram se multiplicando e a rede começou a trabalhar por mim", diz Débora. "Passei a ser indicada por pessoas que nem conheço."

•  A etiqueta do networking

- Não ultrpasse os limites

O tom formal ou informal para con­versar com seu contato depende do cargo, do grau de intimidade e do vínculo que você tem com ele. Com pessoas do mesmo nível, pode haver maior informalldade. Com quem está mais no alto, prevalece o tratamento formal.

- Personalize os contatos

Não mande e-mails em formato mala-direta, com destinatários múltiplos e texto-padrão. Essas mensagens costumam receber menor atenção dos interlocutores e muitos deles podem nem res­ponder. Escreva para uma pes­soa de cada vez, de preferência retomando antigas conversas e relembrando pontos em comum. Um e-mail personalizado costuma despertar maior interesse e ser respondido com maior cuidado.

- E as mulheres?

Mulheres também podem convidar colegas para almoçar. O segredo, para evitar confusões, é ser explícita nas intenções do convite. Deixe claro por que você está fazendo o convite e de que assun­to pretende tratar na ocasião.

- Cumprimente 

Não perca a oportunidade de cumprimentar seus contatos por mudança de emprego ou aniversário. Esse pequeno gesto demonstra atenção e ajuda a cultivar a rede.

- Agradeça quem o ajudou

Depois de receber uma indicação que teve bons resultados, dê um retorno a quem o ajudou, contan­do o desfecho da situação. Com o simples ato de agradecer, você faz a pessoa se sentir bem. Se a ajuda resultou numa recolocação, não se esqueça de atualizar a pessoa sobre seus novos conta­tos e endereço de trabalho.

• Endereços quentes

Lugares para ver, ser visto e fazer novos contatos de trabalho

- Em São Paulo

OCTAVIO CAFÉ

Av. Brigadeiro Faria Lima, 2 996, Jardim
Paulistano. Tel.: (11) 3074-0110

CÂMARA AMERICANA DE COMERCIO

Rua da Paz, 1 431. Tel.: (m 3324-0194

RESTAURANTE VARANDA (HOTEL SHERATON)
Av. Nações Unidas, 12 559, Brooklin
Novo. Tel.: (ll) 3055-8000

- No Rio de Janeiro

BtSTROT DU LEME

Av. Atlântica, 656, Leme.
Tel.: (21) 2122 5900

GÂVEA GOLF AND COUNTRY CLUB
Estrada da Gávea, 800, São Conrado.
Tel.: (21) 3323-6050.

GARCIA & RODRIGUES

Av. Ataulfo de Paiva, 1 251, Leblon.
Tel.: (21) 3206 4100

    Oratória

    Preencha aqui seus dados

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus