Contatos Imediatos


As empresas aderiram de vez as redes sociais para contratar até mesmo profissionais para os cargos estratégicos. Saiba por que você deve ter seu perfil online.

Revista Você S/A - por Andrea Giardino

Cada vez mais profissio­nais são contratados pelo Linkedln. Nos últimos dois anos, grandes empresas, como Vivo, Ambev, Oi, SAP, Vale, Ernst & Young Terco e GVT, renderam-se às redes sociais, transformando-as em grandes alia­das não só para agilizar os processos de seleção como para encontrar can­didatos, até mesmo para cargos es­tratégicos. Uma pesquisa realizada em 12 países pela Robert Half, especializada em seleção de executivos, mostra que as organizações no Bra­sil são as que mais utilizam as redes sociais para contratar, a exemplo do Twitter, Linkedln e Facebook.

Na GVT, operadora de telecomu­nicações que tem uma média de 500 contratações por mês, duas posições de gerente foram preenchidas por profissionais captados no Linked­ln. Embora use as redes sociais há pouco mais de um ano, a compa­nhia possui uma política bem defi­nida na busca por candidatos pela in­ternet. Espalhados pelas principais redes sociais, seus profissionais de RH estão presentes em grupos liga­dos às suas respectivas áreas de atuação. "Tem gente em TI, telecom e finanças com o objetivo de achar can­didatos", diz George Bettini, geren­te sênior de RH da GVT.

A Vivo, que tem entre suas prin­cipais fontes de recrutamento o Linkedln, também adota as redes sociais para encontrar profissionais de nível gerencial. Seu principal al­vo são perfis técnicos, os quais exi­gem um processo mais rigoroso de contratação. Nesse caso, o fato de a empresa ter acesso a mais informa­ções do candidato na rede, com re­comendações feitas por ex-colegas e projetos já desenvolvidos, facili­ta a pré-seleção. Tanto que 35% das vagas acabam sendo publicadas no Linkedln e no Twitter.

Para Luiza Zacharias, gerente de RH da Predicta, consultoria especia­lizada no comportamento dos con­sumidores nos meios digitais, uma das vantagens das redes sociais é obter informações e referências so­bre os candidatos. A ferramenta é adotada numa primeira etapa, aju­dando a achar perfis próximos ao desejado. "Conseguimos acelerar a fase de seleção dos currículos por ter uma prévia das características, habilidades e gostos do candidato", explica. Quem não se encaixar já fica de fora, elirninando o traba­lho e tempo gasto, comuns nos pro­cessos de recrutamento tradicional.

• No radar dos recrutadores

"As redes sociais são uma alternativa para quem quer estar no radar dos headhunters", diz Jorge Martins, es­pecialista em recrutamento da Ro­bert Half, que também recorre às mídias sociais para divulgar as po­sições em aberto. Mas, ao contrário do que se pensa, criar um perfil no Linkedln e deixá-lo lá não significa que irão descobri-lo assim tão fácil em meio a milhares de pessoas.

"Para se destacar nas buscas feitas por empresas e headhunters, o pro­fissional deve participar de discus­sões em grupos ligados à sua área de atuação, atualizar com posts seu blog pessoal, publicar artigos e fa­zer comentários interessantes no Facebook", diz Jeff Paiva, especia­lista e professor de mídias sociais da Faap, em São Paulo.

Quanto maior for o número de pessoas em sua rede, melhor será a imagem que as empresas e os recrutadores terão de você. "Esta é uma forma de saber a capacidade que o profissional tem de se relacionar no mercado", explica Luiza Zacharias, da consultoria Predicta. Recomen­dações feitas por ex-colegas de tra­balho e ex-chefes no Linkedln tam­bém são um diferencial, por dar cre­dibilidade ao histórico do candida­to. O critério é levado tão a sério que nos próprios anúncios de emprego do Linkedln a preferência é por pro­fissionais bem avaliados.

Outra dica é reunir as informações do currículo de forma simples e ob­jetiva, com um breve resumo das ati­vidades desenvolvidas, experiência profissional e formação acadêmica. "De preferência, também coloque em inglês o resumo do currículo, o que mostrará seu domínio no idioma", diz George Bettini, da GVT. Quando não se conhece o contato que deseja ter em sua rede, o ideal é pensar nu­ma estratégia para abordá-lo. Pedir apenas para que a pessoa o inclua não funciona. Mandar uma men­sagem se apresentando ou falando por que deseja fazer parte da lista de contatos daquela pessoa pode ajudar a alcançar sua meta.

• Como usr as redes sociais a seu favor

Alguns cuidados ao administrar seu perfil podem garantir melhores retornos dos recrutadores.

1 - Mantenha seu perfil sempre atualizado. 
2 - Utilize no currículo palavras­ chave que tenham relação com sua área de atuação para ter destaque. 
3 - Amplie seu networking com contatos que possam ser de seu interesse, como diretores de RH. 
4 - Tenha o maior numero possível de recomendações de ex-chefes e ex-colegas de trabalho. 
5 - Participe de grupos de discussão ligados a sua área que o levem a expressar seu conhecimento. 
6 - Crie um blog com posts atualizados sobre assuntos.

• Erros fatais

Todo cuidado é pouco na hora de colocar as inormações na internet. Veja algumas dicas ao elaborar seu perfil online:

- Atenção com as informações colocadas no seu profile. Tan­to as empresas quanto os re­crutadores afirmam que pes­quisam os nomes dos candi­datos no Google. 
- Detalhes sobre intimidades, nem pensar. Fuja ainda de brin­cadeiras ou piadinhas de mau gosto relacionadas a sexo ou a questões raciais. 
- Nada contra usar o Face­book para contatos pessoais e ali colocar fotos das férias na praia", diz Jorge Martins, da Robert Half. Vale lembrar que a empresa terá acesso e, se o candidato tiver um comporta­mento diferente do desejado, a pessoa corre o risco de ser descartada. 
- Evite mentiras. É importan­te manter a veracidade dos dados, porque sua procedên­cia será checada num segun­do momento.
- Fuja de excessos, como pedir nas recomendações dos con­tatos da sua rede que ressal­tem suas qualidades pessoais, ou emitir opinião em qualquer discussão que aparecer pela frente. "Não pega bem querer aparecer o tempo todo", afir­ma Jeff Paiva, da Faap.

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