Criatividade e inovação: as ideias da década


É o conceito "inovação em inovar" - a descoberta de que criatividade pode, sim, ser capturada por ferramentas e não necessita de gênios.

Revista Época Negócios - por Clemente Nóbrega

Todo mundo escolhendo "me­lhores da década". Steve Jobs é o CEO; iPod, o produto; Apple e Google, as empresas. Qual a melhor ideia? Para mim, é "inovação em inovar" - a descoberta de que criativida­de pode ser capturada por ferramen­tas. Falo da criatividade que conta no mundo empresarial, diferente da do artista porque tem de gerar resulta­do mensurável em dinheiro. Falo de inovação. Inovação representa hoje o mesmo que "qualidade" há 20 anos: condição para ficar no jogo. Em muitos setores, não basta mais operar com eficiência: é preciso descobrir, sistematicamente, fontes novas de geração de valor (dinheiro). Inovação é isso. Qualidade Total é método + fer­ramentas. Qualquer um pode aprender e praticar, não precisa ser gênio.

O que você usa para inventar uma solução original? Quais as ferramentas da inovação (o equivalente, por exem­plo, ao Diagrama de Pareto)? O que há é muita exortação - "seja criativo!", "pense fora da caixa!" - ou, então, brainstormings caóticos, que só funcionam se Deus ajuda. Há anos pesquiso isso. Posso afirmar: a inovação sistemática chegou (o anúncio é no fim da década, mas não é marketing, não). Inovação sistemática? Sim. Método e ferramen­tas para "não gênios", à lá Qualidade Total. Ainda não está nas manchetes, mas empresas como Hitachi, Boeing, Motorola, Procter & Gamble, Philips, Samsung, Siemens, estão usando. Em 1948, um engenheiro russo cha­mado Genrich Altshuller começou um estudo intensivo de patentes para descobrir se as soluções inventivas vinham de processos imprevisíveis ou se havia padrões e regularidades neIas. Investigou cerca de 400 mil (seus seguidores chegaram a 3 milhões). Se o Google fosse uma pessoa, seu nome seria Altshuller. Ele notou que inova­ção sempre resolve uma "contradição" - você precisa ter uma coisa, mas não: pode ter aquela coisa. Exemplo: para escapar da Terra, um foguete precisa ter muito combustível para queimar, mas não pode ter tanques cheios, senão fica pesado demais. Solução: descarte os tanques ao sair da atmosfera (prin­cípio inventivo número 1: "Elimine").

Há pouquíssima invenção original (menos de 1%). A maioria esmagadora se apoia em uns poucos princípios já existentes. E, acredite, a evidência diz que os mesmos princípios inventivos usados no design de artefatos tecnológicos valem para inovação empresarial, e é possível antecipar a tendência geral da evolução desses sistemas. Existem "leis de Newton da inova­ção", sim senhor! Lembrei que Henry Ford criou a linha de montagem inspi­rado numa operação de corte de gado (carcaças se movendo, cortadores fixos). Pensei na "contradição" que o Cirque du Soleil resolveu (arte de alto nível, sem artistas de "alto nível"). Ou a Casas Bahia (gente sem dinheiro pa­gando em dia). Fui olhar as empresas citadas no livro A Estratégia do Oceano Azul e outros. Todas (sem saber) resolveram "contradições" via princípios  inventivos catalogados por Altshul­ler e ferramentas correspondentes. O método "prevê o passado". Há mo­tivos fortes para acreditar que possa prever o futuro também. Vai pegar. 

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