Cuide do estresse, senão ele vai te pegar


Nunca se falou tanto em estresse e no que fazer para evitá-lo. Mas será que fazemos mesmo o que precisa ser feito?

Revista Você S/A - por Marcos Gusmão

Trabalho geralmente é estressante. Aliás, hoje em dia, qualquer coisa que chateie demais ou frustre nossas expectativas é classificada assim: estressante. Um desgaste físico ou psicológico que fuja à rotina, uma tarefa difícil, alguém malcriado ao telefone, qualquer bobagem e pronto: ah, que estressante ... (Cá entre nós, até este assunto, para muita gente, é estressante.)

Mas acredite: o estresse de verdade existe, e você poderá dar de frente com ele a qualquer momento. Isso, porém, não é razão para receio. Calma! Na opinião do psicólogo americano Richard Carlson, autor da série Não Faça Tempestade em Copo d"Água, cujos livros já venderam e continuam vendendo milhões no mundo todo, o estresse só avança sobre quem não sabe lidar com ele. Não é o seu caso, certo?

Quantos de seus colegas, por exemplo, têm MESMO respondido de modo pa-cí-fi-co às exigências do trabalho? Quem mais - fora você - está imune à competição agressiva, aos colegas insensíveis, ao chefe exigente? E as coisas pequenas, do cotidiano - já notou o modo como as pessoas se comportam diante delas? Como reagem ao telefone-que-não-pára-de-tocar, às promessas que nunca são cumpridas? Quase todo mundo fica extremamente aborrecido com essas coisas. Você, felizmente, é exceção.

O psicólogo-escritor acaba de lançar mais um livro, desta vez o Não Faça Tempestade em Copo d"Água no Trabalho. É de se pergunntar como ele consegue fazer tanto sucesso com um tema tão batido, tão dignamente explorado por jornais, revistas e programas de rádio e TV. As bases não são novas. O texto é simples, quase ingênuo. Qual é o segredo?

Destacamos, como resposta, algumas idéias desse novo livro. Mas dá para adiantar como e quando a receita do autor dá certo: qualquer um que esteja estressado - ou seja, todo mundo, menos você e o doutor Carlson - estremece diante de reflexões tão sensatas sobre como mudar o comportamento e escapar do estresse, essa sina assustadora. No fim das contas, a leitura vale a pena.

• Experimente parar tudo o que está fazendo agora

Só por 10 minutinhos... Alguns colegas não vão entender nada quando perceberem que você simplesmente "desligou". Tudo bem. Talvez um ou outro considere isso pura esquisitice. Afinal, a vida é tão corrida e você surge com uma paradinha estratégica? Mas essa é uma boa maneira de, bem no meio do furacão, ter a impressão de que a vida pode ficar mais devagar. Richard Carlson diz que quem faz isso tem a agradável sensação de que o dia pode ser um bocado mais fácil e menos...estressante.

• Se você topar a brecada de 10 minutos, como o tempo, poderá acrescentar uma nova velocidade para sua vida

No trabalho, geralmente usamos apenas o ritmo rápido e o mais rápido. Que tal, então, usar o ritmo normal? Algumas pessoas ouvem essa recomendação quase diariamente. Pudera! Entrou por aqui, saiu por ali. Elas provavelmente não diminuíram o ritmo, nem mesmo para refletir sobre o quanto isso é realmente importante.

• Fuja da tentação de querer todo mundo concordando com você

Aí está um comportamento tipicamente...estressante.Tanto para quem quer impor uma opinião, como para o coitado do lado de lá. Já não basta seu chefe e o colega sabe-tudo querendo ter a primeira e a última palavra ou, pior, querendo ter razão - o tempo todo?

• Reflita um pouco: via adiantar alguma coisa reclamar dos seus prazos finais?

Suas queixas consomem o tempo que você poderia estar usando na conclusão do relatório, na apresentação da solução a seu cliente ou no que mais você tenha para fazer. Na maioria das vezes, ficar lutando contra prazos apertados é perda de tempo. Em vez disso, prefira correr logo contra o relógio.

• Não se incomode com a burocracia

Alguns profissionais ficam à beira de um colapso só de ouvir essa palavra. Se esse é seu caso, faça o seguinte: fique longe da maluquice toda, depois de resolver seu problema. Ah, não esqueça de sugerir soluções para diminuir a burocracia, pois cedo ou tarde você precisará enfrentá-Ia de novo.

• Elimine o hábito de fazer promessas que não vai cumprir

Ou: não dê tanta importância às promessas que seus colegas fazem durante o expediente. Em todo lugar se vêem colegas esbarrando uns nos outros, assumindo compromissos que dificilmente são levados a sério. Coisas pequenas, como tomar um café mais tarde, passar lá no escritório qualquer hora dessas, dar um alô no fim da tarde... Sejamos sinceros: quantas dessas promessas são cumpridas? O problema é que quem tem esse hábito se sente pressionado e sobrecarregado por ter tantos "compromissos" não realizados.

• Não deixe as pessoas esperando

Uau, como isso é irritante! Claro, imprevistos acontecem. É pneu furado, rua alagada, um almoço mais longo... Mas certas coisas dependem só da gente. O ex-mandachuva da Rhodia, Edson Vaz Musa, que hoje tem uma empresa de consultoria, é um bom exemplo. Ele não empilha papel a mesa dele nem gavetas tem - e as decisões são tomadas de bate-pronto. Porque nada é pior e mais estressante do que uma indecisão, a agonia de aguardar uma resposta, um ma avaliação, uma opinião.

• Pare de querer estar na praia, no cinema, com a cabeça em outro projeto ou querendo que o meio da semana seja sexta-feira

É bem melhor se livrar desses pensamentos. No fim, eles eliminam o prazer daquilo que você está fazendo agora.

• Não permita que os pensamentos estressem você

No carro, no escritório, no chuveiro, esteja você onde estiver, é muito comum dar enorme significado e importância ao que passa pela cabeça. Algo em você pode tratar esses pensamentos como acontecimentos reais, depositando em sua conta várias sensações negativas.

• Tire suas folgas

Precisa dizer mais alguma coisa?

• Lembre-se da história toda

(Essa é uma das melhores reflexões de Richard Carlson e, por isso, foi guardada para o fim.) A última quinta- feira pode ter sido péssima. Talvez toda a semana tenha sido um horror. É possível. Dias ruins existem. Mas será que, quando estamos reconstituindo um desses dias que já passaram, lembramos deles da maneira como realmente aconteceram? Pare um pouco para pensar sobre isso. Os pessimistas costumam classificar os dias pelo que eles tiveram de pior. Será que você não está fazendo o mesmo? Por acaso não ouviu urna boa piada, não teve uma idéia nova ou não almoçou como um rei? Reconheça, admita. Reclamar é contagioso. E quem vive se queixando o tempo todo corre o risco de atrair para si as queixas de colegas, vizinhos e parentes. E isso é o quê? É estressante, muito estressante... Cuide do estresse

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