Currículo pra quê? Redes sociais mudam análise


No momento em que as redes sociais são a principal vitrine, é preciso reavaliar a utilidade do velho histórico de carreira impresso no papel.

Revista Você S/A - por Amanda Kamanchek 

Há 25 anos, o headhunter de Curitiba Bemardo Entschev, que recruta executivos, re­cebia e enviava currículos pelo correio. Hoje, é impos­sível pensar na tarefa de procurar e divulgar dados profissionais sem a internet e as mí­dias sociais. Só no Linkedln - uma ferramenta que serve, basicamente, para divulgar o currículo - há mais de 3 milhões de usuários brasileiros. Antes de entrar em contato com qual­quer candidato, um recrutador cer­tamente vai dar uma espiada no que existe publicado a respeito da pessoa na internet. "O currículo no papel não é mais a principal ferramenta do mer­cado", diz o headhunter.

Apesar do mundo altamente conec­tado, o currículo resiste bravamente. Em um processo normal de recruta­mento, depois de vasculhar o Google e procurar informações do candidato no Linkedln e no Facebook, de enviar um e-mail e de conversar por telefone com o candidato, o recrutador, talvez por inércia, pedirá que a pessoa envie seu currículo escrito salvo em docu­mento. A pergunta é: "Faz sentido pedir currículo formal hoje em dia? Qual é, afinal, a importância dele?". Para muita gente, o velho histórico de carreira em papel é passado. Bas­ta ver o número de pessoas que são contratadas por meio do Twitter.

A publicitária paulista Jaqueline Oliveira, de 23 anos, foi contratada pela agência Neotix dessa maneira. Ela ficou sabendo da vaga em um tweet de um amigo e enviou à em­presa dois links: um que direcionava ao seu perfil no Linkedln e outro para uma página do Me Adiciona, ferramenta na qual Jaqueline man­tém conexões com as 36 redes so­ciais de que participa, como Vimeo, FourSquare, Tumblr, Hunch, Skype, Twitter, Facebook, Flickr, blogs e canal próprio no YouTube - todas atualizadas constantemente. "Esse foi o primeiro emprego que arrumei pela internet. Outras pessoas já ha­viam me chamado para conversar e, se não fui contratada antes, pelo menos aumentei bastante meu net­working", conta Jaqueline.

Para headhunters e empresas de recrutamento no geral, o Linkedln é a rede mais importante para quem quer manter uma vitrine para o mer­cado. O número de participantes bra­sileiros vem crescendo rapidamente e, no mundo inteiro, há 100 milhões de pessoas conectadas. Mas a reco­mendação é não manter o perfil em muitas redes sociais. Apesar de dar boa visibilidade, manter todas as fer­ramentas atualizadas vai dar trabalho também. "O ideal é participar de uma ou duas, mantê-Ias sempre atualiza­das, ver os contatos que chegam e explorar as oportunidades de parce­ria e negócio", diz Bernardo.

Além das redes sociais, os sites de currículo virtual também substituem de alguma maneira o currículo de pa­pel. Apesar de não ser garantia de vaga, essas plataformas são uma vitri­ne a mais para divulgar o histórico profissional, porque diversas empresas usam esses serviços para procurar profissionais. "Enviar currículos é como plantar sementes, você espalha para todos os lados sem saber exata­mente onde aquilo irá brotar. O site é mais eficaz", diz Marcelo Abrileri, pre­sidente da Curriculum, um dos prin­cipais sites de emprego do país.

No entanto, o currículo tradicional ainda beneficia muita gente. O enge­nheiro Phelippe Barroso, de 43 anos, foi contratado como gerente de ope­rações têxteis da DeI Rio Lingerie porque seu histórico profissional che­gou à empresa após ser divulgado por um serviço de recolocação. "Eu acre­dito que ter um currículo ainda fun­ciona, tanto para enviar por e-maíl quanto pelo correio", diz o engenheiro. Foi por meio de uma mala-direta que ele chegou à empresa atual.

As redes sociais aumentaram a visibilidade dos profissionais, mas ainda não conseguiram exterminar o currículo de papel. "O currículo virtual e o perfil no Linkedln se com­plementam. E quem investir em am­bos terá um alcance muito maior", diz Bruno Lourenço, gerente da di­visão de impostos da Hays, empresa de seleção, de São Paulo. Por outro lado, como a exposição é alta, a en­trevista de emprego ficou mais de­cisiva. "Seja por meio de currículo online, seja por meio das redes so­ciais, o candidato não pode deixar de contar uma boa história, as atividades importantes nos cargos que exerceu, os resultados obtidos e as reviravol­tas. É nessa história que o emprega­dor encontra a solução que a compa­nhia procura", diz Débora Dado, diretora de RH da CBSS, administra­dora dos cartões Visa Vale.

• Organize as informações

Crie uma estratégia de comunicação eficiente para divulgar seu perfil.

- Redes Sociais

No Linkedln, ser direto não significa falar pouco. É importante se diferenciar dos outros profissionais e, para isso, uma boa estratégia é utilizar bullet points para descrever as atividades exercidas em cada cargo de emprego. Peça recomendações de colegas, chefes e pessoas que conhecem seu trabalho. Há uma ferramenta nova que permite divulgar uma apresentação pessoal criada em Power Point. Entre as infor­mações que não podem faltar estão título do cargo procurado, localização, tempo de permanência, ensino superior e cursos direcionados para a área em que deseja traba alhar. Twitter e Face­book também são importantes. Podem servir, principalmente, para buscar grupos de interesse e vagas disponíveis.

-  Site de currículos

Faz parte da etapa inicial de quem procura um emprego, mas pode per­manecer por muito tempo nos bancos de dados de empresas de RH. Em alguns sites é possível cadastrar seu currículo online gratuitamente.

Os sites podem direcionar seu cadas­tro para determinada vaga e permitir que as empresas os encontrem mais facilmente. Há o inconveniente de serem vistos por muitos RHs como uma ferramenta de quem está desempre­gado ou desesperado para mudar de emprego. Se não for seu caso, avalie se colocar o nome lá é uma boa.

- Currículo tradicional

É importante na etapa final do candi­dato, após o contato inicial do recruta­dor e antes da entrevista de emprego. Os entrevistadores costumam imprimi-­lo e o utilizam para anotar dados rele­vantes levantados durante a conversa. Deve conter de duas a três páginas para que o examinador não perca o interesse durante a leitura. O documento pode ser enviado em Word ou PDF. Deve con­ter uma linguagem mais direta e uma ampla quantidade de informações, tais como dados pessoais de identificação, objetivos, domínios técnicos e de idio­mas, experiências profissionais e, por fim, cursos no exterior ou que sejam relevantes para a profissão.

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