Depressão de Fim de Ano


Para alguns, Natal e Ano Novo costumam ir na contramão da alegria e esperança, provocando um grande mal-estar. Esquecer o passado pode ser o começo para quem deseja eliminar a angústia.

Revista Ciência & Vida Psique - por Adriano Trotta

O período que envolve as datas festivas de fim de ano é uma época que pode ser considerada de extrema dualidade no que se refere aos sentimentos. Mesmo com os vários compromissos que recaem sobre as pessoas - festas de família, amigo secreto - e o tempo escasso - que parece voar - para realizar inúmeras obrigações, muitos finalizam suas tarefas com exímio prazer e satisfeitos de sua produtividade. É comum que haja um pequeno estresse, que pode ser avaliado como um fator positivo, afinal, motiva o indivíduo a lidar com as tais "tarefas natalinas".

Entretanto, para muitos, ocorre o efeito inverso. As ocupações com as festividades e os compromissos decorrentes do Natal e do Ano Novo produzem sentimentos negativos potentes desencadeadores de ansiedade, angústia e depressão, sendo liderados, principalmente, pelo estresse. O que para uns é uma época repleta de esperança, sonhos e delícias para saborear, para outros não passa de uma tormenta, um pesadelo, um peso a ser carregado.

É comum inúmeros sentimentos manifesstarem-se nestes meses, como alegria, tristeza, tensão, prazer, ansiedade. Portanto, é preciso que cada pessoa tenha o foco voltado para si e permaneça atenta a suas emoções, avaliando em que medida elas surtem efeito positivo ou negativo em sua vida. Neste momento, está em jogo não apenas o presente, mas toda a experiência acumulada nos anos anteriores. Alguns se sentem depressivos por não ter mais seus entes queridos, fator que desencadeia lembranças e, conseqüentemente, tristeza e melancolia. O ideal, neste momento, é estar cercado de pesssoas de quem se gosta e aumentar a interação com elas ao máximo possível. Seja um amigo, um namorado ou um vizinho, esteja ao lado de companhias agradáveis. É importante não se afastar das comemorações, para não deixar que elas passem em branco. Para muitos, ainda funciona um belo ritual de compras ou, quem sabe, envolver-se em uma ação beneficente, que dá a sensação de pertencimento (a uma comunidade, ao bairro) e bem-estar.

Outra situação comum nos temmpos modernos é a família cujos pais estão separados. Há sempre a dúvida em relação a se saber com quem permanecerão os filhos nas datas comemorativas, causando certo desencontro e até mesmo gerando ansiedade. Como é inevitável passar por este delicado assunto, a sugestão é que os pais já estejam preparados para enfrentar esses pequenos dissabores e evitem supervalorizá-los. Em casos de relações amigáveis, o ideal é deixar o cronograma preparado com vários meses de antecedência. Pode-se determinar em quais dias ocorrerá a viagem, em que festas a criança estará presente. Há casos em que o ex-casal viaja para o mesmo destino e permanece em hotéis separados, assim as crianças podem dividir o tempo entre os pais.

É fato que nesta época os indivíduos ficam suscetíveis ao surgimento desse tipo de problema, pois passam a fazer uma freqüente avaliação e se tornam mais conscientes do que os cerca. Surgem novas cobranças, que podem ser de ordem familiar, religiosa, profissional, pessoal, social, e até mesmo a auto cobrança, resultante das metas que o indivíduo traçou e, por inúmeros motivos, não foi capaz de alcançar. Todos estes fatores podem gerar uma crise. Portanto, é preciso ter cuidado com as expectativas que sempre causam reações de angústia. Em casos específicos, algumas pessoas chegam a desencadear uma fobia a esta data, que tem como mote a angústia aos compromissos festivos. Caso isso ocorra, o mais adequado é relaxar. Fazer uma caminhada, ir ao parque, respirar ar puro e avaliar a situação da forma mais calma possível. E sempre fazer atividades que tragam a sensação de prazer pessoal. Há indivíduos cujo nível de ansiedade é muito alto, portanto, nestes casos, o ideal é o acompanhamento médico e o uso de ansiolíticos para diminuir a ansiedade.

Como se isso não bastasse, há ainda a possibilidade de se desenvolver uma compulsão "e fazer conjecturas imaginárias do vir-a-ser", questionanndo o tempo todo se o próximo ano será melhor, se conseguirá conquistar os objetivos. A véspera de Ano Novo traz ainda o que se chama de prospectiva global; todos estão festejando, fazendo cobranças e promessas para o próximo ano e, por mais que o indivíduo tente se manter, é atingido pela carga emocional que envolve este período. É importante lembrar que todos estes fatores que levam a ansiedaade, depressão ou fobia são inerentes a cada pessoa.

Há várias maneiras de tentar reverter este quadro. A terapia pode evitar os sentimentos negativos - que podem induzir ao suicídio em raros casos - e trazer à consciência o que estava inconsciente no sujeito fazendo com que se cure mais facilmennte este mal-estar e desapareça o sintoma da "fobia de fim de ano". É imprescindível lembrar que, por mais dificil que seja para quem sofre deste mal, é uma época de alegria, aconchego familiar e connfraternização. É o momento de se tentar esquecer o passado "o passado existe para ser ultrapassado", como afirma Freud, de esquecer as mágoas da infância reprimidas no inconsciente, ponderar os asspectos positivos e negativos, meditar, acreditar que o ano que está por vir será melhor e, até mesmo, ajustar-se financeiramente para participar das festas de família, da empresa, dos amigos. Estar disposto a se analisar e modificar, respeitando a própria capacidade é fator essencial. Não esquecer de evitar a ansiedade antecipatória - sofrer antes do tempo, pois o Natal é um acontecimento maravilhoso e ideal para se apaziguar as frustrações do passado ocorridas nessa época ou em torno dela.

Também vale o cuidado com a alimentação; produtos como chocolate, bebidas e café podem acentuar a ansiedade. Atente-se também para o uso sistêmico e sem acompanhamento de antidepressivos e para o álcool em excesso. Por último, um simples ato solidário pode transformar muita coisa; principalmente, para os que estão em estado depressivo. A solidariedade torna-se um bálsamo aos que sofrem sozinhos com seus medos e angústias, e pode ser o ponto de partida para uma vida melhor. Uma vida repleta de paz a todos!

  • Enquanto isso, na vida real..

    15 de novembro 2007 - Hoje é meu aniversário. Repare que não estou muito contente com isso. É que, a partir de hoje, começa para mim oficialmente o fim de ano. Na verdade, esse processo já começou lá pelo meio de outubro, passando agora pelo meu aniversário, depois Natal, Ano Novo, carnaval, e só vai terminar realmente em março do ano que vem. É um fenômeno curioso, que me acompanha há 28 anos, e eu chamo de Depressão de Fim de Ano. Assim, com letra maiúscula, porque ela já é praticamente um parente distante que vem me visitar uma vez por ano.

    Tentando entender o que me acontece anualmente, cheguei por conta própria a algumas conclusões, algumas racionais, outras místicas.

    No dia 15 de outubro, por exemplo, tem início para mim o período conhecido na astrologia como inferno astral. Para quem não sabe, trata-se do mês que antecede o aniversário de alguém, quando se acredita que a pessoa sempre vive momentos de angústia, depressão, ou até mesmo azar, atribuídos a alguma configuração astrológica misteriosa. Será?

    Já perto de meu aniversário, me torno um chato insuportável. Nada está bom, não vejo razões para comemorar, nunca quero saber de nada nem de ninguém. Qualquer tentativa de fazer uma força e festejar mesmo assim, freqüentemente se prova pior ainda. Principalmente considerando que meu aniversário é feriado, e muitos amigos geralmente viajam. A sensação de solidão aumenta. Acredito também que esta sensação tenha a ver com a época de chuvas, que costuma começar por volta de 15 de novembro. Todo ano, no meu aniversário, chove. E muito. Já olhou pela janela hoje? Lembre-se que ontem fez muito sol e muito calor. Talvez seja isso que me faz querer sumir, me esconder, desaparecer até meu aniversário passar. Geralmente é o que eu faço, depois eu volto.

    Mais tarde, a tradicional melancolia de Natal e Ano Novo. Eu sinto falta de alguma coisa que não está lá, mas eu não sei o que é. Falta da casa cheia, de muita gente, de pessoas? Talvez. Mas, ao mesmo tempo, não importa quantas estejam comigo, não são suficientes. E, na verdade, eu fujo de todos, eu me escondo. Difícil entender, não é? É também difícil de explicar. Mas a falta de união entre os familiares e amigos, somada aos planos que não se concretizaram, e também a falta de dinheiro para fazer tudo que a gente deseja acabam gerando a falta de um motivo para comemorar.

    No ano seguinte, aquele ritmo modorrento de janeiro, quando todos insistem em alardear que "o país só começa depois do carnaval". O próprio ambiente é de desânimo, falta de incentivo, de motivação para realizar qualquer coisa. Até que, em fevereiro, chega o carnaval, uma festa que não tem nada a ver comigo e de que eu nunca gostei. Mais frustração e melancolia. Vejo todos se divertindo, então me sinto sozinho no mundo. Ano que vem, vou tentar fazer diferente e entrar na festa de cabeça, sambando na avenida. Será que adianta?

    Todos os anos, é sempre assim, desde que me dou por gente. Este ano, porém, comecei a perceber que a Depressão de Fim de Ano também visita alguns dos meus amigos. Coincidência ou não, todos fazem aniversário mais ou menos junto comigo, todos nasceram mais ou menos na mesma época, todos são ... do signo de escorpião, como eu. Será que é uma Depressão de Escorpiano? Quando não há explicação na lógica, procuramos explicação na mística! Também encontrei no Orkut têm o mesmo problema.

    Resolvi então fazer uma rápida pesquisa na internet e fiquei sabendo que é um fenômeno bem mais comum e mais antigo do que eu pensava. Este período de "insanidade social" temporária é algo muito estudado por psicóloogos e psiquiatras em todo o mundo, que o chamam de Síndrome de Fim de Ano. Segundo eles, atinge a maioria das pessoas nessa época.

    Algumas razões para essa síndrome, citadas pelos estudiosos, são bastante óbvias. Nessa época, as pessoas são levadas a refletir sobre o ano que passou, e a fazer balanços de sua vida. A difícil tarefa de lembrar o que passou e fazer novos planos fatalmente causa descontenntamento. Principalmente por causa de um erro comum, de confundir desejos com metas. Então, a própria cobrança por estar bem gera um estresse de felicidade. Mas o que é preciso fazer para que tudo isso não aconteça mais? Pensamento positivo, fazer exercícios, viajar são algumas das dicas.

    Porém, ao longo dos anos, por tentativa e erro, percebi que não dá para impedir que esta síndrome aconteça. A melhor saída, ao menos para mim, é procurar me distrair e tentar não pensar nisso, na medida do possível, até que a sensação vá embora sozinha. Duro é achar ânimo para isso. Pelo menos tenho a consciência de que é algo passageiro. Então, se eu sentar e esperar, voltarei ao meu normal, com o é minha luta todos os anos, e é o que eu vou fazer, mais uma vez. Bom aniversáriopra mim. Bom humor, te vejo ano que vem.

  • ute; o que eu vou fazer, mais uma vez. Bom aniversáriopra mim. Bom humor, te vejo ano que vem.

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