Desempenho acelerado no trabalho


A cobrança nas empresas aumentou e os profissionais que acabaram de assumir um novo cargo têm menos tempo para mostrar resultados. É preciso entrar na partida jogando bem.

Revista Você S/A - por Camila Mendonça

Com um cenário de incerteza na economia mundial, prin­cipalmente devido à crise na Europa, a cobrança por re­sultados deve aumentar nas empresas. Para profissionais que trocaram recentemente de trabalho ou vão trocar nos pró­ximos meses, isso significa assumir uma nova responsabilidade sem tempo de adaptação. A Futurestep, empresa de recrutamento que per­tence à consultoria Korn/Ferry, de São Paulo, fez uma pesquisa com executivos de recursos humanos de 1.589 companhias dos Estados Uni­dos, do Reino Unido, da França, da Alemanha, do Brasil, da China e da Austrália e verificou que, neste ano, 76% delas medem e esperam resul­tados de profissionais recém-chega­dos logo nos primeiros 12 meses. No Brasil, o percentual salta para 92%. Para 35% das organizações, o tempo de tolerância é ainda menor: em um semestre, o novo contratado precisa mostrar a que veio - ou rua. Sim, a demissão pode ocorrer 180 dias após a contratação, dependendo da importância do cargo que se está assumindo ou em casos de resulta­do muito abaixo do esperado. "O primeiro ano define quem fica, quem cresce e quem está fora do jogo", afirma Roberto Spuri, diretor da divisão da América Latina da Futu­restep. Mesmo que o corte não ocor­ra, o desempenho no primeiro ano de cargo novo sela o futuro do pro­fissional na empresa. Se a pessoa teve um desempenho apenas razo­ável, poderá manter o emprego, mas corre o risco de ser visto como al­guém que não lida bem com desa­fios. "Depois de um ano, a carreira avança ou estaciona", diz Roberto.

"Só estarei 100% dentro de um ano", diz James Cisnandes, de 29 anos, gerente comercial da MXT Industrial, fabricante de aparelhos de GPS e rastreadores, de Belo Ho­rizonte. Vindo do setor de serviços, James está no cargo há sete meses e ainda estranha o ritmo do novo trabalho. "A pressão é dez vezes maior", diz ele, contando que levou três meses para começar a entregar resultados. Como a pressa é a regra do jogo, a solução é acelerar a adap­tação e criar condições melhores para desenvolver o trabalho plena­mente. Uma atitude inicial impor­tante é absorver rapidamente os processos, as políticas e todas aque­las tarefas burocráticas que as or­ganizações têm e das quais é im­possível se livrar. Estão nessa lista criação de e-mail, acesso ao sistema de gestão, procedimento para mar­car reunião e coisas que depois de um tempo entram no piloto auto­mático, mas que compõem um aprendizado importante para quem está começando no cargo.

Além de assimilar a burocracia cotidiana, o profissional precisa investir muita energia desenvolven­do relacionamentos na empresa. São os novos colegas, de todos os níveis, que vão auxiliá-lo a entender como as coisas de fato funcionam. Há uma série de regras e compor­tamentos que fazem parte da cul­tura de uma organização que não estão escritas em lugar nenhum. "Para acelerar a minha adaptação, fiz um esforço para descobrir quem são as pessoas-chave na companhia", diz Renato Wilmersdorfer, de 40 anos, que há três meses assumiu o cargo de gerente de contas cor­porativas do Grupo Case, adminis­tradora de benefícios, do Rio de Janeiro. Com pouco tempo no ser­viço, Renato também está tentando compreender o ambiente. "Mante­nho uma escuta ativa e procuro ter atitude de aprendiz", afirma.

Fazer muitas perguntas é parte essencial para os novatos. Embora muita coisa já tenha sido conver­sada durante a fase de seleção, dúvidas surgirão a partir da práti­ca. "Ainda existe uma distorção entre o que a empresa cobra e o que ela espera que o executivo en­tregue", diz Matilde Berna, direto­ra de transição de carreira da Right Management, firma de recolocação de executivos, de São Paulo. Como a companhia não explica direito, o profissional precisa descobrir por conta própria. "Muitos não ques­tionam quais são suas reais respon­sabilidades e o que se espera de­les", afirma Matilde.

Negociar prazos e deixar os líde­res a par do trabalho que está sen­do realizado é a estratégia de mui­tos profissionais para driblar a pressão e entregar resultados mais rapidamente, ainda que eles não sejam os finais. Nos primeiros dias, o executivo não deve ter vergonha de pedir metas menos ambiciosas ou prazos maiores. Pior do que isso é não entregar os resultados. "A pessoa tem de entender qual é a sua condição de entrega, discutir com o gestor e negociar", afirma Sandra Gioffi, diretora da prática de gestão organizacional da Accenture, de São Paulo. Nessas conversas, a ideia é mostrar a importância de atingir resultados intermediários antes de alcançar as metas de impacto.

A troca constante de informações com o chefe é fundamental para o funcionário recém-contratado. Ela proporciona dois benefícios. Em primeiro lugar, garante que o líder consiga enxergar a evolução do li­derado - isso gera tranquilidade no gestor. Além disso, um chefe bem informado é capaz de detectar mais rapidamente um desvio de rota de seu funcionário e recolocá-lo no caminho certo. "Envolvo meus gestores em minhas atividades, o que facilita a compreensão deles do meu trabalho", diz An­dré Luiz Bertoldi Oberziner,
de 27 anos, gerente comercial da Radix, empresa de serviços de TI, de São Paulo.

Parte dos problemas de adaptaçã ;o pode ser evitada ainda durante a fase de contratação, quando, muitas vezes, a pessoa precisa analisar com crítica e since­ridade se vai dar conta das novas atribuições - levando em consi­deração que a expectativa por resultados é grande. A cultura da organização e a maneira com que ela atua no mercado devem ser observadas. "Se o pro­fissional entender que os valores não coincidem com os dele, é me­lhor nem aceitar a proposta de em­prego", diz Renato Grínberg, dire­tor-geral do site de empregos Trabalhando.com, de São Paulo.

• O mercado acelerou

Na pesquisa realizada pela Futu­restep, os executivos brasileiros de RH aparecem como os mais apressados para ver os resultados dos profissionais - 92% esperam já no primeiro ano. Como o Brasil chegou ao topo da lista de pressão? Parte da resposta está na expec­tativa das multinacionais de fazer dinheiro aqui, já que muitos países ricos estão vivendo dias de aperto econômico. "Com a visibilidade que hoje o Brasil tem, é natural existir mais cobrança e menos tempo de responder a ela", diz Ola­vo Furtado, coordenador de pós­-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios. Some-se a isso um traço cultural conhecido do brasileiro: a dificuldade de plane­jar no longo prazo e a pressão de resultados financeiros medidos trimestre a trimestre. "Uma orga­nização que não fecha o trimestre não sobrevive", diz Ana Luisa Plio­pas, responsável pela Coordena­doria de Estágios e Colocação Profissional da Escola de Adminis­tração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.

Alguns novatos podem resistir à ideia de mudar o ritmo para adap­tar-se rapidamente e gerar resulta­dos no tempo que o mercado espe­ra. Não deveriam. Insistir em atuar sempre da mesma maneira é um erro. O período de entrada em um novo trabalho exige sacrifício e uma dose extra de dedicação e vontade de aprender. É a regra do jogo. No entanto, em caso de vitória, a satis­fação será bem maior.

• Acelera a adaptação

5 atitudes que melhoram o desempenho    

- Relacione-se

Faça aliança com colegas . A ideia é identificar aqueles que podem auxiliá-lo a enetender processos e pessoas. Sem ajuda, a adaptação é mais lenta.

- Pergunte

Questione como a empresa fuunciona. Aprenda os processos burocráticos rapidamente para não perder tempo com eles.

- Ambiente-se

Observe o ambiente, como as pessoas se comportam e os padrões que a empresa valoriza.

- Escute mais

Você tem métodos de trabalho próprios mas, nos primeiros meses, procure aprender como a empresa funciona. Mantenha o ouvido atento às orientações dos novos colegas.

- Busque referências

Identifique quais funcionários são admirados pela empresa e adote-os como referência para balizar seu comportamento.

• Para dar conta do recado

O que as empresas esperam dos funcionários nos primeiros meses de trabalho

1 - Mostrar qualidade na decisão

Para 18% dos executivos de RH, acertar nas escolhas é a qualidade importante para ter sucesso nos seis primeiros meses de trabalho.

2 - Cultivar bons relacionamentos

A médio prazo, a falta de conexão com o chefe é considerada por 26% das empresas o maior obstáculo à evolução na carreira.

3 - Construir uma imagem positiva

Para quem é gestor, a capacidade de motivar pessoas é vista por 32% dos diretores de RH como a habilidade mais importante.

4 - Despertar confiança

Demonstrar integridade é considerada por 20% das companhias a coisa mais importante na realção com os colegas e clientes.

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