Dieta para Maiores


Além da soja, cujos benefícios já são conhecidos, há outros alimentos que podem ser incluídos na alimentação de mulheres na memopausa; americana autora de livro recém-lançado sobre o tema explica quais são esses ingredientes.

Jornal Folha de São Paulo - por Daniela Talamoni

Os efeitos benéficos da soja na menopausa já são mais do que conhecidos e provados, mas há outros alimentos que podem ser aliados das mulheres contra fogachos, perda de libido, secura vaginal e outros problemas comuns nessa fase.

Segundo a jornalista americana Theresa Cheung, autora do recém-lançado "Dieta da Menopausa - A Maneira Mais Natural de Combater os Sintomas e Perder Peso" (ed. BestSeller, 320 págs.,R$32,90), há três categorias de fitoestrogênio (nutrientes que possuem uma estrutura química similar à do estrogênio natural): as isoflavonas -encontradas na soja, no grão-de-bico e na lentilha -, os cumestanos -cujas principais fontes são os brotos de alfafa e de feijão - e as lignanas sentes em quase todos os grãos e legumes e na linhaça.

À Folha, por e-mail, Cheung arriscou-se a dizer que, embora ainda não existam recomendações oficiais, a mulher que está passando pelo processo da menopausa deveria consumir de 100 mg a 150 mg de fitoestrogênios diariamente. E, como todo exagero faz mal, essa dieta não poderia ficar restrita a um só alimento, como a soja.

Para mostrar como outros fitoestrogênios podem oferecer benefícios ao sexo feminino, Cheung cita um estudo publicado no começo do ano no "British Journal of Nutrition" e realizado com 115 mulheres na pós-menopausa. Os resultados sugerem que uma dieta rica em lignanas é capaz de controlar o sobrepeso. "As mulheres que tinham o costume de incluir tais alimentos no cardápio possuíam um Índice de massa corporal quatro pontos inferior ao de quem não tinha tal hábito alimentar", ressalta.

"Acredito que toda mulher nessa fase deve consultar o médico e, então, apostar nas dietas asiáticas, ricas em alimentos naturais e integrais. Quase tudo o que ingerimos e provém do reino vegetal possui algum tipo de fitoestrogênio. Além disso, produtos industrializados podem colaborar para o aumento de peso e o aparecimento dos sintomas da menopausa, graças à alta concentração de sal, açúcar, gordura, aditivos e conservantes", alerta.

• Soja, com moderação

Uma das primeiras especialistas no Brasil a defender os alimentos funcionais (aqueles capazes de prevenir doenças) Jocelem Salgado, professora do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq/USP, é a favor de uma alimentação saudável que não fique restrita só à soja.

Mas ela alerta para a falta de estudos epidemiológicos, feitos com grandes populações, que provem os efeitos das lígnanas e dos cumestanos para a saúde feminina ou ofereçam dados sobre o quanto dessas substâncias devería ser consumido.

"Já no caso da soja, está maís do que comprovado que seu consumo a partir da prímeira menstruação reduz os riscos de sintomas e doenças associados à menopausa", afirma.

O proplema hoje é saber como aproveitar os benefícios da melhor parte do grão. Segundo Salgado, na proteína da soja - que pode corresponder a apenas 30% do grão- é que se enncontram os nutrientes benéficos. O restante é gordura, e já se sabe que, no óleo de soja, extraído dessa parte, por exemplo, não há isoflavonas.

A forma de preparo também pode interferir nos efeitos para a saúde. Para facilitar o consumo do grão, há quem prefira tostá-Io antes. "O problema é que esse aquecimento pode deixar o grão cru ainda e, se for consumido assim, pode ser prejudicial. A soja tem antinutrientes que interferem na digestão, além de dificultar a absorção de alguns minerais, como cálcio. Eles só são desativados pela cocção ou se os grãos forem tostados no forno a 100º C", explica.

E bom lembrar que, para conseguir os benefícios das isoflavonas, a recomendação é uma ingestão diária de 45 a 90 miligramas dessas substâncias .- em torno de 20 gramas por dia do grão. Para tentar se aproximar dessa quantidade ideal, deve-se diversificar o consumo, incluindo na dieta soja em forma de carne, tofu e farinha.

• Outros "ingredientes"

Paralelamente a isso, Jocelem Salgado acredita que é preciso fazermais pela saúde. "Não adianta lançar mão da soja e manter hábitos como beber em excesso, fumar e ter vida sedentária. Não há milagre."

Uma pesquisa recente, feita em Belém (PA), mostra que a recomendação "coma menos, opte por alimentos mais naturais e saudáveis e se exercite" pode valer mais do que apostar só em um ingrediente.

A nutricionista Graça Morais, após avaliar a saúde, a alimentação e os hábítos de 73 pacientes na menopausa, propôs uma mudança no cardápio e nos costumes delas. Afinal, 59% não praticavam exercícios, 31% apresentavam sobrepeso, 80% tinha fogachos, 59% comiam carne vermelha de duas a seis vezes por semana e só 3% comiam soja em grão.

As participantes incluíram diariamente, na dieta, um molho de azeite com ervas, um suco de couve-manteiga (rica em cálcio) e uma farinha feita com partes iguais de soja, linhaça e gergelim (sementes que posssuem fitoestrogênios).

Ela criou um plano nutricional para cada paciente, ensinou receitas saudáveis e sugeriu que largassem o sedentarismo.

Meses depois, houve mudanças positivas. "Mas é impossível saber o que promoveu os benefícios. Ao despertar para uma melhor qualidade de vida, elas investiram em uma dieta mais saudável, emagreceram, melhoraram a autoestima ...Tudo colabora", diz Morais.

Uma das pacientes dela, Maria da Paz de Carvalho, 56, pesava 61,8 kg e tinha uma cintura de 89 cm no início da pesquisa Seis meses depois, pesa 51 kg e perdeu 15 cm da circunferência abdominal, além de ter reduziido os níveis de gordura no sangue. "Investi na reeducação alimentar e nos exercícios porque tinha medo de sofrer com os mesmos calores e suores que incomodaram muito a minha mãe", conta Hoje, ela afirma que nunca teve um sintoma desagradável e se sente mais leve, porque o intestino também passou a funcionar melhor.

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