É competente, mas complicado


Ele desestruta a equipe, mas os líderes nem sempre sabem o que fazer com ele.

Revista Liderança - por Ana Artigas

Em toda empresa sempre pode­mos encontrar o "desempenha dor". Acho que você nem precisa olhar para o lado para se lembrar dele agora, não é mesmo? Seus comentários são geralmente ácidos e suas atitudes arrogantes. Acha que os gestores não gostam dele ou é fraco e desqualifica­do, porque, claro, ele se acha melhor que todos. Quando se aproxima, os colegas olham torto uns para os outros. "Ai! Que vontade de contar ao chefe o que ele vive falando por aí, para que o mandem embora de uma vez", disse-me, certa vez, uma colaboradora que trabalhava ao lado de um "desempenha dor".

O problema é quando essa pessoa atinge resultado ou mostra alto desempenho. O que fazer com ela? Os colegas pensam que não, mas o lider sabe o que ela faz, porém sempre se questiona: "Tolero seu comportamento inadequado ou a mando embora e perco resultado?". Que atitudes um líder deve ter para minimizar a fofoca, o mau com­portamento e o clima ruim e pouco pacificador que uma figura como essa pode causar na sua empresa? Já escutei essa pergunta muitas vezes. Por isso, acalme-se! Você não é o único.

Esse colaborador é, na realidade, um excelente "desempenha dor", porque ele desempenha com dor, não é mesmo? As atitudes insolentes de sua personalidade desequilibram o ambiente, a empresa e boa parte da equipe. Será que vale a pena mantê-lo? Será que seus ganhos são realmente maiores que seus custos?

Pense que você pode estar perdendo pessoas ou deixando de descobrir novos talentos porque o "desempenha dor" toma conta de todo o processo. Se ele não te trouxer um megarresultado, não perca nem mais um minuto para mandá-lo embora. Agora, caso ele te traga muitos resultados, coloque na balança quanto ganha e quanto perde com esse profissional. Comportamentos dessa forma se tornam cada vez mais inaceitáveis, não só pela empresa, mas pelas próprias pessoas que trabalham com ele, prin­cipalmente se elas forem competentes. Se a equipe é de caráter prático e forte, por si só diminui a força do "maçã podre" ou o exclui do grupo.

Pense que o efeito pode ser con­trário. Se as pessoas não se deixarem afetar pelo mau comportamento desse profissional por gostarem do seu tra­balho, da empresa e do clima positivo que os outros geram, inevitavelmente ele se sentirá sozinho. Sobram poucas opções: ou ele se realinha para ser aceito pelo grupo ou acabará se sentindo um peixe fora d"água e terá de despejar seu veneno em outro lugar.

Você, como líder, ainda pode abraçar o desafio de desenvolvê-lo. Chame-o para uma boa conversa, elogie e des­taque seus pontos fortes, mas mostre que você sabe exatamente o que ele faz. Dê um tempo para que o profissional possa mudar e, pela última vez:

- Esclareça as regras da empresa: Veja na missão, nos valores ou nas regras de conduta (implícitas e explícitas) o que pode ser destaca­do como valor fundamental e que precisa ser respeitado por todos.

- Estabeleça limites: Diga clara­mente o que é possível e tolerável para você como líder e para todos que convivem com ele.

- Reforce o comportamento dos bons: Tirar a atenção dele o ajudará a perceber que esse não é o caminho mais adequado para atingir seus objetivos.

- Busque outros talentos no gru­po: Será que você não tem outros funcionários potenciais que podem estar escondidos ou abafados?

- Encoraje o sucesso: Sempre reforce o aspecto positivo das pes­soas e do que você considera um bom comportamento, isso afasta os "podres" e destaca os bons.

Se todas essas ações forem expe­rimentadas e não houver colaboração ou mudança de comportamento do "desempenha dor", então o demita e relaxe - você fez o que pode para ajudá-lo. Lembre-se sempre de que as pessoas são contratadas por suas habilidades, mas demitidas pelo seu (mau) comportamento.

Sobre a autora:

É psicóloga, com pós-graduação em treinamento de RH e MBA em gestão empresarial. Desenvolve trabalhos de consultoria e coach de líderes e é diretora de projetos da Tekoare Vending e Entretenimento Corporativo.

    Oratória

    Preencha aqui seus dados

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus