E se seu chefe fosse o doutor House?


O que fazer se você encontrar um chefe brilhante mas terrível com a equipe, como o medico Gregory House, da série de tevê. 

Revista Você S/A - por Elisa Tozzi 

Um líder agressivo, ex­cêntrico, mal-humora­do, amargo e que não sabe lidar bem com as pessoas corre o risco de não durar muito tempo numa em­presa real, pelo menos na maior par­te das companhias. Na ficção, é di­ferente. Há seis anos, o doutor Gre­gory House, personagem interpreta­do pelo ator inglês Hugh Laurie, ator­menta sua equipe (e sua chefe direta) com ironias e sarcasmos. Frases co­mo "sou fisicamente incapaz de ser educado" e "não culpe a mim pelo meu humor, culpe os meus genes" ecoam pelos corredores do Hospital Universitário Princeton-Plainsboro, onde ele trabalha. Para solucionar ca­sos médicos complexos, House não mede esforços. O doutor passa horas no hospital e estimula os funcioná­rios a ter ideias criativas. Em contra­partida, não leva o menor jeito para gerir, de maneira saudável, um time que o tem em alta conta apenas por causa de sua genialidade - uma si­tuação até comum nas corporações do mundo real. O superintendente de recursos humanos do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, sinteti­za: "Muitas vezes um líder chega ao topo por causa de seus conhecimen­tos técnicos sem ter competência de gestão de pessoas".

Apesar da hostilidade, House não consegue trabalhar sozinho: ele precisa de um time formado por gente qualificada e contestadora - carac­terísticas fundamentais para quem quer trabalhar na equipe dele. Hou­se tem personalidade difícil, mas sa­be como ninguém fazer com que seu pessoal encontre soluções. "Ele é óti­mo estimulador: ajuda o time a pensar amplamente", diz Silvana Gomes, da consultoria de recursos humanos SG, de Cuiabá, no Mato Grosso. A forma como esse processo se desenrola é ou­tra conversa. Quando um subordinado tem uma ideia genial, não há um reco­nhecimento sincero, mas sim um "por que não pensou nisso antes?". Na série, e na vida real, frases assim tornam o clima pesado. "A falta de um ambien­te agradável prejudica os resultados", diz Paulo Henrique Rocha, consultor de recursos humanos da Corrhect.

Se você precisa conviver com um chefe como House e gosta do empre­go em que está, tem um grande pro­blema nas mãos e deve avaliar os prós e os contras da situação. "Se o estresse for maior do que o aprendi­zado, pule fora", aconselha Rubens Gimael, especialista em desenvolvi­mento de carreira.

House tem uma característica admirada pelas empresas nessa época de imediatismo: entrega bons resultados sempre. Ele sabe planejar, desenhar fluxos de trabalho,
administrar as prioridades e realizar seu principal objetivo: salvar vidas. O problema é que sua equipe sofre com suas imposições. House está acostumado a sempre ter razão -­ e adora isso. Uma de suas citações preferidas, repetidas várias vezes ao longo da série, é "eu prefiro a resposta mais sutil: "Você estava certo, House""". A ficção está com cara de realidade? Há remédio. Quem tem de lidar com um chefe de ego enorme dispõe de algumas opções: conversar com o líder sobre suas atitudes e tentar mudá-Ia, aturar ou pedir demissão. "Quando o chefe faz questão de reforçar a superioridade, a equipe se afasta e pode até se desintegrar", explica a consultora Silvana.

Para tentar se aproximar do time, House toma um caminho perigoso: mistura o pessoal com o profissional. Já chegou até a contratar o irmão de um subordinado para ter mais argumentos pessoais numa discussão técnica. Lidar com uma situação dessas dentro das corporações não é nada fácil. Quando você não é um personagem de seriado e se reporta a um House, tenha sangue-frio para mostrar os limites do relacionamento, que é saudável apenas se houver uma relação de confiança. "Uma equipe só se integra quando cultiva laços profissionais genuínos", diz Maurício Alves da Silva, superintendente de RH do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo. Para lidar com um gestor que não respeita isso, o melhor é conversar e deixar claros os limites.

O doutor House tem um método heterodoxo de trabalho. Trata um paciente mesmo sem ter certeza do diagnóstico, faz exames arriscados que não seriam necessários e até inva­de casas para checar as condições de vida de seus doentes. Para ele, todos mentem - invariavelmente. O com­portamento obriga a equipe a lidar diariamente com limites éti­cos. Numa corporação, is­so é letal: afeta o desem­penho e a unidade do ti­me. Se você é subordina­do e não concorda com o método de trabalho de seu chefe, a saída é procurar as ins­tâncias superiores. O diretor­ geral da empresa de consul­toria Business Partners, Luís Savério, aconselha: "Con­versar com a área de RH é a melhor atitude a ser to­mada nesses casos".

• Diagnóstico de gestão

A pedido de VOCÊ S/A, Silvana Gomes, consultora da SG Recursos Humanos, de Cuiabá, Mauricio Alves da Silva, superintendente de RH do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, traça­ram o perfil comportamental do doutor Gregory House, persona­gem de tevê do ator Hugh Laurie e listaram quais características ele precisa desenvolver para ser mais do que um profissional bri­lhante e tornar-se um bom líder.

Nome: Gregory House
Idade: 50 anos
Estado civil: Divorciado, sem filhos
Cargo: Chefe do setor de diagnóstico
Formação acadêmica: Medicina, na Universidade Johns Hopkins, especialista em doenças infecciosas

Caracterí ;sticas pessoais

Adora desafios, é inteligente e res­peitado por sua equipe e chefia, que chegam a considerá-Io genial. No entanto, não tem carisma, é sarcástico, excessivamente racional, autosuficiente, introspectivo e manipulador. Apesar dos pontos negativos, sua inteligência altíssi­ma permite que ele seja brilhante e apresente ótimos resultados, ­fator valorizado pela empresa.

Pontos a desenvolver

House precisa aprender a se rela­cionar de maneira saudável e mais produtiva com sua equipe e com seus pacientes. Além disso, deve ajudar no desenvolvimento dos
membros de seu time e criar um clima saudável entre seus pares. Para se tornar um bom líder, o médico deve passar por treinamentos e programas de aperfeiçoamento - o coaching pode ser uma boa solução.

Como a empresa deve agir

Uma opção é realocá-lo em um setor mais técnico, que permita que o médico exerça sua especialidade sem precisar gerir pessoas, como um comitê de resultados ou um grupo de pesquisas, por exemplo.

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