Em busca do Ponto Decisivo


Táticas dos tenistas que podem ser úteis à  dos executivos.

Revista Istoé Negócios - por Daniel Hessel Teich

O esporte é umaeterna fonte de inspiração para os negócios o golfista Tiger Woods, o técnico de voleibol Bernardinho e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo são apenas três exemplos de personalidades ligadas ao esporte que engordam a conta bancária com pol­pudos cachês de palestras destinadas a executivos. Agora chegou a vez do tênis servir como inspiração aos pro­fissionais que circulam pelas cúpulas das corporações. Jeffrey A. Krarnes, vice-presidente da editora de livros de negócios McGraw-Hill, e Santiago Álvarez de Mon, professor de adrni­nistração do lese, acabam de lançar livros sobre o assunto. Krarnes, que já escreveu sobre Jack Welch e Peter
Drucker, trata em sua nova obra, The Unforced Error, das lições que atletas como John McEnroe e Pete Sampras podem dar aos homens de negócios. Alvarez de Mon, por sua vez, escreveu: Rafael Nadal: el Campeon y la Persona, sobre o jovem tenista espanhol. Ambos reservam dicas úteis à carreira.

Uma das questões que provocam discussões acaloradas no mundo corporativo e no esportivo diz respeito ao talento. Tanto entre os tenistas quanto entre os executivos, são necessários anos de treinamento para que o talento de fato amadureça. Em seu livro, Krames conta que uma das frases preferi­das de Bill Tilden, lendário tenista dos anos 20, era: "Não se nasce campeão. É preciso se tornar um".  Jack Welch, por exemplo, só deu sinais de grandeza extraordinária com mais de 30 anos.

Quando Rafael Nadal ganhou o campeonato espanhol mirim aos 10 anos, seu tio e técnico, Toni Nadal, lhe deu uma lição e clara de que talento não era nada se a habilidade natural não fosse aprimorada pelo aprendizado. Toni lhe mostrou uma lista com os úl­timos 25 ganhadores do torneio. Todos tinham sumido das quadras, com exceção de um - o campeão Alex Corre­tja. O mesmo vale para os executivos e empresas. "Só quem valoriza o aprendizado está preparado para lidar com as mudanças radicais", diz o autor.

Toni Nadal sempre foi impiedoso com o sobrinho. Jamais aceitou des­culpas pela derrota, argumentando que o adversário ganhara jogando nas mesmas condições. Lembran­do Peter Drucker, Krames diz que o gerente deve ser implacável com a falta de rendimento da equipe. "Exi­ja a perforrnance, e se ela não vier, descarte o profissional de baixo ren­dimento o mais rápido possível."

No tênis, existe urna expressão usada como título para o livro de Krarnes, o erro não forçado. Trata-se daquele que ocorre numa jogada fácil de fundo de quadra, em que o tenista manda a bola para fora ou para a rede. Transposto ao mundo dos negócios, um erro desse tipo é a escolha equivo­cada do sócio ou funcionário. Tenistas costumam fazer uma análise cuidado­sa para a escolha do parceiro em jogo de duplas, levando em conta cornple­mentaridades e sinergia. O mesmo cui­dado é requerido, por exemplo, à con­tratação de profissionais à equipe.

 

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