Entrevista coletiva no processo seletivo


Nova moda nos processos de seleção de vagas, a sabatina feita por grupos de funcionários da empresa recrutadora tem particularidades que o candidato precisa conhecer.

Revista Você S/A - por Juliana Cariello

Uma novidade em processos de seleção de profissionais em grandes empresas é a etapa em que o candidato passa por uma entrevista com um grupo de funcioná­rios da companhia. Essa espécie de banca com múltiplos avaliadores pode envolver o futuro chefe, gestores de diferentes áreas e integrantes do RH, mas também futuros colegas de trabalho. Nor­malmente, essa etapa tem por fina­lidade investigar a adequação da pessoa à equipe e à empresa. Com­petências técnicas," idiomas, salário e outras questões formais ficam para ser conversadas em outras eta­pas. Organizações como a cervejaria Ambev, a distribuidora de gás Supergasbras, a operadora de telefonia TIM e a distribuidora de combustí­veis Shell adotam esse processo.

Outra característica dessa etapa é a fiexibilização de regras e processos de entrevista. Primeiro, porque a coisa é feita por um grupo não espe­cializado em seleção, que tende a conduzir a avaliação de maneira in­formal e até desorganizada. Segun­do, porque a conversa normalmente será conduzida para uma discussão sobre atitude, em que vale mais o profissional ser sincero do que de­corar previamente respostas per­feitas. "As entrevistas têm incluído mais avaliadores para que se possa estabelecer um consenso e minimi­zar eventuais preferências pesso­ais", diz Claudia Klein, sócia da consultoria carioca Argumentar e ex-diretora de RH da L"Oréal.

Para ter um bom desempenho nes­se tipo de avaliação, uma recomen­dação é repassar o histórico profis­sional atentamente antes da entrevista. Isso ajudará o candidato a falar com maior segurança sobre sua experiência, o que causará efei­to positivo no grupo. "Os avaliadores são integrantes da equipe, conhecem a rotina do trabalho e sabem onde o calo aperta", diz Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

Nesse tipo de processo, é impor­tante resistir à tentação de dourar a pílula: inventar um feito ou uma habilidade, ou mesmo aumentá-los. Afinal, é pouco provável que o candidato consiga sustentar uma men­tira sendo observado e questionado por muitas pessoas. Alguém vai per­ceber uma contradição. Vale também ser coerente. "Não adianta o candi­dato declarar-se capaz de enfrentar situações de extrema pressão, por exemplo, se demonstrar nervosismo durante a entrevista", diz Lucia Ci­priano, gerente corporativa de RH da Supergasbras. Camila Müller Zambeli, de 28 anos, analista de re­cursos humanos da Supergasbras, contratada há poucos meses após uma sabatina, acredita que a parti­cipação de colegas na seleção faci­litou a adaptação e o relacionamen­to com o time. "A receptividade é muito melhor, afinal eles ajudaram a me escolher", diz Camila.

• Como agir

Durante a entrevista coletiva, o can­didato deve agir como se estivesse apresentando um projeto em uma reunião. Isso significa ser mais ob­jetivo e direto na exposição das ideias, já que há mais pessoas na sala; olhar para o entrevistador que fez a pergunta sem se esquecer dos demais; e dirigir as respostas de cada tema para o avaliador respon­sável por conduzi-lo durante essa etapa da entrevista.

Na construtora Tecnisa, por exem­plo, o candidato é escolhido por consenso, e não por votação. Por isso, é preciso causar boa impressão a todos os entrevistadores presen­tes. "Gap técnico a gente consegue suprir com treinamento, mas determinado valor ou comportamento a pessoa tem ou não tem", diz Denise Bueno, gerente de RH da Tecnisa.

Por mais que a entrevista coletiva possa causar insegurança, ela traz vantagens significativas para can­didatos e empresas. Uma delas é o aumento das possibilidades de seescolher a pessoa mais alinhada com os valores da companhia, o que poupa sofrimento do candidato por se sentir um peixe fora d"água se contratado. Outro ganho é a maior probabilidade de aproveitamento de candidatos aprovados, mas não escolhidos, para vagas que eventu­almente se abram no futuro. "Como o profissional conheceu mais gente, é mais fácil de ser lembrado", diz Leyla Nascimento, da ABRH.

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