Entrevista: o X da questão


Saiba o que está por trás das perguntas feitas pelos recrutadores durante o processo de seleção e evite as pegadinhas"

Revista Você S/A - por Vanessa Vieira

Conhecer os valores, as mo­tivações e a personalidade dos jovens é a grande preo­cupação dos recrutadores desde a etapa online da seleção de um programa de trainee. Em vez das tradicionais questões como "Quais são seus pontos fortes e fracos?" e "Como você se imagina daqui a cinco anos?", entram perguntas como "Que legado você espera deixar nes­ta empresa?" ou "Qual a decisão mais difícil que já tomou em sua vida?". Por meio delas, serão anali­sados fatores como autoconfiança, autoconhecimento, iniciativa, capa­cidade de adaptação, maturidade e habilidade para gestão de conflitos. Portanto, a forma como as pergun­tas são construídas também merece atenção especial. "Perguntas hipo­téticas levam a respostas teóricas", diz Maíra Habimorad, sócia da Cia de Talentos, empresa que assessora corporações de médio e grande porte nos seus programas de trainee. "Por isso, preferimos construí-Ias com base em exemplos concretos ou situações pregressas. O comporta­mento que você adotou numa situação passada costuma predizer como você reagirá na mesma situa­ção no futuro", diz Maíra.

A primeira vantagem trazida por essas mudanças foi tornar a entre­vista e o processo seletivo menos previsíveis, obtendo respostas mais espontâneas - e verdadeiras - dos candidatos. Outra foi a possibilidade de checar se a história pessoal do jovem dá suporte às características de personalidade que ele diz ter. As­sim, elevam-se as chances de garan­tir que a química entre candidato e empresa realmente exista e reduz-se o índice de abandono dos programas pelos trainees. Confira algumas per­guntas que vêm sendo feitas pelos recrutadores e saiba o que eles estão avaliando por meio delas.

• Prova de fogo

A seguir, oito exemplos de per­guntas feitas pelos recrutadores e o que está sendo avaliado em cada uma delas. Você vai notar que, em algumas, os empregado­res estão atrás de experiências que confirmem as competências do candidato ou a forma de aprendizado, uma rotina que tem sido cada vez mais utilizada nas entrevistas de seleção.

- Que legado você quer deixar nesta empresa?

Por meio da resposta, os recrutado­res avaliam o perfil profissional do candidato e o que ele prioriza. "A resposta pode ser: aumentar o fatu­ramento; formar pessoas; criar um projeto inovador. Cada uma delas sugere um perfil: analítico, voltado para pessoas ou criativo", diz Maíra Habimorad, da Cia de Talentos.

- Você teve oportunidade de liderar um projeto? Conte-nos como foi o processo.

A pergunta avalia o estilo de lide­rança do candidato. "Vamos anali­sar se a iniciativa do projeto foi dele, se ele permitiu que outras pessoas colaborassem, como distribuiu as tarefas, se foi capaz de identificar problemas no projeto e se teve hu­mildade para fazer as correções necessárias", diz Danilo Castro, di­retor da Page Personnel.

- De que forma você busca autoconhecimento?

"As respostas podem ser muitas: lendo, na religião, na terapia, fazen­do coaching - e todas elas são vá­lidas. O que importa mesmo é saber se a pessoa realmente busca auto­conhecimento", diz Maíra Habimo­rad. A pergunta só é formulada des­sa forma para forçar o candidato a dar um exemplo concreto. Assim, os recrutadores podem desmascarar
futuros trainees que responderiam "sim" mesmo que não tivessem pre­ocupação real com o tema.

- Entre seus amigos como você é lembrado?

Por meio dessa pergunta, o candi­dato é chamado a discorrer sobre suas qualidades e defeitos e a mos­trar como lida com a visão que ou­tras pessoas têm dele. "Podemos avaliar como ele transita entre os demais e sua habilidade nos rela­cionamentos interpessoais, obser­vando, por exemplo, se o jovem fica na defensiva quando os outros fa­lam dos defeitos que enxergam nele", diz Danilo Castro, da consul­toria Page Personnel.

- O que você sabe sobre si mesmo hoje que não sabia há cinco anos?

Essa é mais uma pergunta que apu­ra o grau de auto conhecimento do candidato. "Quem não tem essa pre­ocupação pode simplesmente dizer que aprendeu inglês", ilustra Maíra Habimorad. Mas aquele que busca o autoconhecimento tende a dar um exemplo de decisão que tomou com base em experiências anteriores. "Pode ser uma resposta como: "Descobri que definitivamente não quero carreira acadêmica porque já trabalhei num projeto do tipo na fa­culdade e vi que não é para mim"", exemplifica a consultora.

- Por que escolheu esta empresa e não a concorrente?

A questão permite avaliar se o can­didato estudou o mercado no qual está tentando ingressar, se entende o negócio e se de fato se identifica com os valores da companhia - de cuja seleção está participando.

- Qual a decisão mais difícil que tomou na sua vida?

O grau de maturidade do candidato e a forma como faz suas escolhas são investigados nessa pergunta. "Essa decisão foi difícil mesmo? O que ele levou em conta ao tomar essa decisão? Do que precisou abrir mão? Esses são alguns pontos que estão por trás da questão e que va­mos observar", diz Maíra Habírno­rad, da Cia de Talentos.

- Conte-nos uma situação em que precisou trabalhar com uma pessoa difícil

Esse tema analisa a capacidade do candidato de trabalhar em equipe, sua habilidade de conviver com a diversidade e sua flexibilidade. "Va­mos observar, por exemplo, se ele tentou entender o ponto de vista da outra pessoa, por que ela agia da forma que o incomodava, ou se apenas impôs sua ideia, desconsí­derando a forma de pensar do ou­tro", exemplifica a consultora Maí­ra, da Cia de Talentos.

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