Escola Virtual, aprendizagem Real


Andy DiPaolo, da Universidade Stanford, explica como funcionam os cursos a distância e o que você tem de saber antes de optar por um.

Revista Você S.A. - Por Dalen Jacomino

  • Escolher e realizar seus projetos

    Se hoje você não pode freqüentar uma esscola, seja por falta de tempo, dinheiro, seja por estar longe dos centros de ensino, ele leva a sala de aula, os colegas, os professores, a biblioteca e o laboratório até você. Essa tem sido a missão do americano Andy DiPaolo há mais de 15 anos. Ou seja, desenvolver programas de cursos a distância que serão acessados por estudantes em todo o mundo. Atualmente, DiPaolo ocupa o cargo de diretor executivo do Centro de Desenvolvimento Profissional e de diretor asssistente da Faculdade de Engenharia da Universidade Stanford. Sob a sua coordenação, Stanford foi a primeira universidade a oferecer cursos usando vídeo pela Internet, em 1995. Em 1998, a escola saiu na frente novamente e foi uma das pioneiras ao disponibilizar um curso online completo de mestrado em engenharia. DiPaolo construiu sua carreira sempre olhando para a tecnologia aplicada ao ensino. Antes de assumir a diretoria do Centro de Desenvolvimennto Profissional, em 1988, ele era o responsável pelos serviços de educação usando as diversas mídias da Universidade de Boston. Além do trabalho nas universidades, sempre esteve próximo do mundo corporativo. Desenvolveu trabalhos de consultoria para a Hewlett-Packard, a Sun Microsystems, a Sony e a Deutsche Telekom. Em 1998, DiPaolo esteve no Brasil pela primeira vez participando de um evento sobre ensino a distância. Mas confessa que sabe muito pouco sobre o que se faz hoje no país em relação a esse tipo de aprendizagem. O fato é que, com a Internet, as fronteiras físicas entre países deixaram de ser deterninantes para o acesso à informação. Importa pouco se você está no Brasil, nos Estados Unidos ou na Holanda. O que vale é que agora o mercado oferece um leque bastante diversificado de cursos a distância - e muitos deles podem realmente facilitar a sua vida. A seguir, DiPaolo explica melhor as tendências nessa área e o que você tem de fazer para se dar bem como aluno virtual.

  • Os cursos a distância podem ser realmente uma boa opção de aprendizado?

    Hoje os profissionais não têm tempo para estudar como gostariam. Estão sempre muito ocupados. Aqui no Vale do Silício, por exemplo, as pessoas trabalham de 40 a 50 horas por semana. Sabem que precisam ir à escola, mas nunca conseguem. O que precisam, na verdade, é que a escola vá até elas pestejam onde estiverem. Portanto, é preciso desenvolver sistemas educacionais que satisfaçam a necessidade desse pessoal. Daí a importância dos cursos a distância, que só existem porque houve uma evolução tecnológica pesada.

  • Quando o aprendizado a distância é mais eficiente que o tradicional?

    Um sistema não é melhor que o outro. São estrutuuras diferentes, que podem ser eficientes dependendo de cada situação. Se o profissional tem a chance de ir até Stanford para freqüentar um curso de graduação, deve fazê-lo sem pensar duas vezes. Nada substitui a experiência de estar num campus universitário, compartilhando o dia-a-dia com colegas, professores e toda a comunidade. Estar na universidade faz com que as pessoas criem um senso de colaboração em relação à disciplina. Mas nem todo mundo pode fazer isso - e, nesse caso, a educação a distância é um facilitador. Hoje temos profissioonais da HP, Intel, Yahoo!, Silicon Graphics e Cisco que estudam sem ir ao campus.

  • As pesssoas estão realmente preparadas para esse novo sitema?

    Não, não estão. Mas elas precisam entender que aprender dessa forma é uma experiência diferente. Naturalmente, é preciso ter programas de treinamento específicos, porque as pessoas reagem de maneira diferente. Na Internet, você não tem interação face a face, não tem a linguagem do corpo, não tem emoção na voz. Você interage de forma diferente com o seu instrutor. Por outro lado, pela Internet todo mundo tem de participar das aulas. Você não pode se esconder lá no fundão numa sala de aula virtual. Nesse novo ambiente, existem novas possibilidades de os alunos se envolverem nas aulas.

    Quantas pessoas freqüentam cursos pela Internet hoje em dia? Quais são as perspectivas para os próximos anos?

    Há um estudo feito no ano passado pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos que diz que 79% das faculdades e universidades americanas iriam iniciar ou aumentar suas atividades educacionais online naquele ano. Para ter uma idéia, há 3 600 faculdades nos Estados Unidos. É fácil imaginar o tamanho desse movimento. Não é brincadeira.

  • E em Stanford, como são os cursos online?

    Em Stanford estamos trabalhando com projetos de educação a distância há mais de 30 anos. No inicio, usávamos as tecnologias mais tradicionais, como televisão e video. Agora, é claro, tudo é mais fácil. Todo ano temos cerca de 5 000 alunos que usam o sistema de educação a distância. Mas ainda oferecemos esse ensino só para cursos de engenharia, ciência da computação e administração da tecnologia. Ainda não dispomos desses programas para os cursos de humanas e de negócios. No futuro, essas outras áreas também deverão ter esse tipo de educação. Mas o fato é que a área de tecnologia é muito importante dentro da universidade porque estamos no meio do Vale do Silício. E, portanto, atendendo muitos profissionais desse setor.

  • Como o ensino a d distância, via Web, está mudando o comportamento das pessoas na hora de aprender um determinado assunto?

    O que toda essa inovação faz é realmente focar o processo de aprendizado no conteúdo em si, e não na forma como esse mesmo conteúdo é transmitido. E a partir dessa constatação é possível desenvolver inúmeros modelos de transmissão de conhecimento utilizando som, TV e metodologias diferentes, como simulações, jogos e treinamentos.

  • Muitos especialistas acreditam que nada irá substituir o ensino tradicional, ou seja, a sala de aula com alunos, lousa e professor em carne e osso. O senhor também acredita nisso?

    Primeiro é preciso entender que a maior parte dos programas de educação a distância oferecidos nos Estados Unidos não é para os alunos de graduação. A maioria deles é dirigida para alunos de pós-graduação e de programas de MBA (Master in Business Administration). Em Stanford, nós não recomendamos cursos a distância para alunos de graduação. Acredito que estudantes de 18 a 22 anos deveriam ir até o campus. Essa experiência é muito importante. Mas outras universidades do mercado certamente vão aceitar alunos para cursos de graduação. Só que para isso funcionar elas devem montar um programa especial. É preciso ter bons orientadores e uma parte dos estudos deve ser feita no sistema tradicional. Há um outro aspecto importante. Muitas pessoas não têm nível superior nem condições de ir à escola - provavelmente têm uma família para cuidar e trabalham o dia inteiro. Para esse grupo de profissionais a educação a distância é idea.

  • Qual o perfil do estudante virtual?

    As pessoas que se dão bem com esse tipo de estudo são, em geral, profissionais que trabalham muito, altamente motivados e têm uma necessidade específica. A maioria usa os estudos para dar suporte ao desenvolvimento da carreira.

  • Qual deve ser a atitude do estudante par atirar o máximo de proveito desse sistema de aprendizado?

    É preciso ser um aprendiz ativo, porque está interagindo o tempo todo. O outro pressuposto é saber usar a tecnologia. Se não souber, não vai a lugar algum. O terceiro: precisa ser parte de uma comunidade virtual. Muitas pessoas dizem ter de estar cara a cara com o professor para absorver o conteúdo. Nesse caso, terão de se adaptar a uma outra forma de comunicação.

  • As universidades de tijolo e cimento já consagradas no ensno tradicional são também as melhores no ensino a distância?

    Hoje as pessoas tendem a escolher os cursos em razão do nome da universidade. Instituições como a Universidade Stanford ou a Universidade de Illinois já conquistaram o respeito do mercado com o ensino tradicional. Portanto, tendem a atrair mais a atenção com seus programas de distance learning. No entanto, existe um grupo de escolas indepenndentes que são muito sérias. Uma delas é a University of Phoenix. Ela é uma escola privada, inaugurada há cerca de seis anos e que tem hoje quase 80.000 estudantes.

  • Que cuidados o estudante deve ter para escolher a melhor escola virtual?

    Ele tem de ter certeza de que a escola tem reputação, tem um nome respeitado em relação ao programa que oferece. A segunda coisa é verificar se o sistema de comunicação, ou melhor, a tecnologia para viabilizar o projeto, é realmente eficiente, fácil de usar, se facilita a vida do usuário em vez de complicá-la. Outra coisa a fazer é se certificar de que a escola tem realmente uma boa estrutura de atendimento aos seus clientes, os estudantes. Se há um problema técnico, por exemplo, tem de haver alguém para resolver. Você tem de estar seguro de que o suporte da operação é eficiente. E mais: ter certeza de que a escola oferece acesso às fontes de aprendizado, como biblioteca e laboratórios. De qualquer forma, ela deverá dizer ao interessado que tipo de experiências ele terá com as outras pessoas e como será o relacionamento dos estudantes antes de fechar o negócio. É interesssante verificar as estatísticas sobre retenção de estudantes nesses cursos. Pergunte a eles se você pode assistir a um curso antes de se decidir. Faça um test -drive.

  • Na hora da contratação, o diploma de uma escola de cimento e tijolo é tão valorizado quanto o de uma escola virutual?

    Vou responder usando o exemplo da própria Stannford: seu programa de distance learning é o mesmo desenvolvido para os alunos do campus. Em Stanford, não há distinção entre os dois programas. Mas em outras escolas isso não acontece necessariamente dessa forma. É preciso ter muito cuidado na hora de escolher a escola e o programa.

  • O senhor acredita que a possibilidade de acesso a um curso a distância democratiza o mercado de trabalho, já que pessoas que não tinham condições de deixar o emprego para estudar podem melhorar seu conhecimento por essa outra via?

    Sim. O ensino a distância pode democratizar a educação. Acho que essa é realmente a grande vantagem desse sistema.

  • As empresas também estão aderindo ao sistema online para desenvolver programas de aprendiagem para seus funcionários. Esses programas funcionam?

    Há um forte interesse por parte de muitas empresas em oferecer cursos a distância para seus funncionários. E isso é bom porque facilita a vida de todo mundo - da empresa, que não precisa dispensar o funcionário para fazer um curso fora durante dias, semanas ou meses, e do funcionário, que pode continuar com seus projetos na empresa enquanto estuda. Companhias como Oracle e Cisco já estão colocando os funcionários em sistema de aprendizado online.

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