Este é o momento


Sai na frente quem percebe um nicho novo e cria a força para avançar.

Revista Você S/A - por Eugênio Mussak

A história de que "o ca­valo encilhado só pas­sa uma vez na vida" é balela. Ele passa vá­rias vezes. O ditado se refere às grandes opor­tunidades, como os bons empregos, as chances de grandes negócios, as rela­ções com pessoas certas. To­dos conhecemos histórias fantásticas de gente que se deu muito bem na vida por­ que teve uma grande chance e soube aproveitá-Ia.

Mas temos de fazer duas considerações a respeito des­sa conversa. Primeiro, que a maioria das "grandes chan­ces" que achamos que as pes­soas encontraram de repente, na verdade, foram elas que procuraram, às vezes à custa de muito preparo, trabalho e persistência. Segundo, que, mesmo que consideremos o fator acaso - o encontro do lugar certo com o momento certo -, ainda assim serão necessárias duas competências essenciais, sem as quais o bom acaso passa como um cavalo selvagem. A primeira competência é a percepção, o olho aberto conectado com o espírito curioso. É preciso estar atento à fantástica mi­ríade de oportunidades que nos rodeiam em forma de no­vos negócios, novas pessoas, novos mercados. O segredo, então, é olhar em torno com olhos suaves e alma aberta às possibilidades.

Mas só perceber não re­solve, é preciso organizar-se, buscar preparo, criar estru­tura, planejar, ter coragem e agir. Esta é a qualidade dos empreendedores, que não se limitam ao sonho, partem para a ação. Em outras pala­vras, é necessário perceber que o cavalo encilhado está passando e é fundamental que se saiba como montá-Io. Senão, adeus oportunidade.

Não há, na história do em­preendedorismo (para ficar num exemplo que é o sonho de muitos empregados), ne­nhum caso de um negócio bem-sucedido que não tenha começado com a percepção e prosseguido com a ação. Sai na frente quem percebe um nicho inexplorado e cria a força para avançar. Foi as­sim com Steve Jobs e com a cabeleireira da esquina. Aliás, ambos fazem a cabe­ça das pessoas. A boa notícia é que, tanto a percepção quanto a ação organizada, podem ser de­senvolvidas. Aumentamos a percepção quando saímos, deliberadamente, da rotina alienante e abrimos as por­tas da mente para outras di­mensões do mundo, como as artes, as ciências, a lite­ratura universal e as notí­cias dos jornais. Quanto à ação, bem, esta depende da vontade e da inteligência. A vontade faz um homem le­vantar da cadeira, e a inteli­gência o leva a caminhar na direção certa.

© Copyright 2020 - Todos os direitos reservados à Methodus