Futuro Próximo


Saiba quais são as profissões que vão ganhar projeção no mercado de trabalho nos próximos anos. Algumas delas já começam a se tornar realidade nas empresas hoje.

Revista Você S/A - por Nataly Pugliesi

A tecnologia, o meio ambiente, a internet e as mudanças demográ­ficas são os direcionadores das novas carreiras que irão surgir nos próximos 20 anos, segundo três estudos recentes - dois deles bra­sileiros. Concluído em abril deste ano, o levantamento The Shape of Jobs to Come, algo como "Os tipos de trabalho que estão por vir", da consultaria britânica FastFuture, ouviu 486 profissionais (consultores, educa­dores, executivos) com idade entre 21 e 70 anos, de 58 países. Nele, foi pedido aos respondentes que apontassem as três opções de carreira que se tornarão mais populares em duas décadas. Os profissionais ligados à gestão da saúde vieram em primeiro lugar, por causa da crescente preocupação com o bem-estar na ve­lhice. Em seguida estão os operadores de redes sociais e os médicos especialis­tas em nanotecnologia, áreas que ganham ainda mais projeção com os avanços da tecnologia e da ciência. Os pesquisadores brasileiros também têm procura­do conhecer quais as profissões mais promíssoras no futuro. No ano passado, a equipe do Programa de Estudos do Futuro (ProFuturo), da Fundação Institu­to de Administração (FIA), de São Paulo, entrevistou 112 executivos e empresá­rios, que apontaram o profissional de ecorrelações, de comércio eletrônico e de inovação como aqueles com maior empregabilidade nos próximos dez anos. A pesquisa foi coordenada pelo professor James Wright, da FIA. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o professor Carlos Antônio Leite Brandão, ex­-diretor do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat), fez um le­vantamento em 2008 em que entrevistou pesquisadores de várias áreas, para saber qual é o perfil do profissional do futuro. O resultado é um panorama com 82 profissões. Os três estudos mostram que será cada vez mais comum a fusão de diferentes áreas do conhecimento para formar uma nova profissão, como você verá a seguir. Confira as 13 carreiras de maior empregabilidade no futuro.

• Gerente de ecorelações

Também conhecido como gerente de ne­gócios verdes, aparece praticamente em todas as previsões e estudos sobre car­reiras do futuro. Ele será responsável por cuidar da relação da empresa com o meio ambiente e o ecossistema. Esse profissio­nal estará em contato com todas as áreas da companhia, da produção até a equipe de vendas. "As empresas já têm um profissional que faz isso, mas atualmente ele olha somente para dentro de casa. Em bre­ve, será preciso pensar globalmente", diz o professor Cláudio Pádua, reitor da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sus­tentabilidade, em Nazaré Paulista, em São Paulo. Os engenheiros ambientais são os mais aptos para o posto, cujas competên­cias essenciais são o bom entendimento do negócio e dos desafios sociais.

• Desenvolvedor de games

Ele está deixando os guetos virtuais da internet para se tornar um profissional valorizado em uma indústria multimilio­nária. Com o crescimento do mercado de jogos eletrônicos tanto para videogames quanto para celulares, os desenvolve­dores de games terão emprego garan­tido daqui pra frente. Hoje as empresas brasileiras já procuram esses profissio­nais. A  Tectoy Digital e a Kidguru, no mer­cado nacional, buscam gente especia­lizada em design, criação e direção de games, áreas que até bem pouco tem­po inexistiam. Um exemplo da projeção que as carreiras ligadas a esse universo vêm ganhando e a trajetória do paulis­tano Fausto de Martini, de 34 anos. Há oito anos. ele colocou seu currículo na internet com alguns de seus trabalhos. Fausto buscava uma oportunidade em uma companhia que trabalhasse com animação em 3D. Os poucos profissio­nais que atuavam na área estavam con­finados dentro de miniestúdios, fazendo trabalhos esporádicos para o mercado de publicidade. Essa não era a paixão de Fausto. Ele sonhava em criar cenários e personagens para novos jogos. Dias de­pois de ter colocado o trabalho na web. Fausto recebeu um e-mail da Blizzard, gigante americana do setor, solicitando uma entrevista. Ele viajou para os Esta­dos Unidos, depois de um bate-papo por telefone, e quatro meses depois esta­va trabalhando na Califórnia. Hoje, é di­retor de arte de uma das maiores de­senvolvedoras de games do mundo. 

• Bioinformacionista

Profissional com formação em genética e tecnologia, o bioinformacionista será o novo profissional da área da saúde. Ele também se tornará o responsável por mapear o genoma das pessoas, por meio de um software, e ajudar na prevenção de doenças genéticas e na reprodução humana. De acordo com a previsão do professor James Wright, do ProFuturo, núcleo de estudos da FIA, esse profis­sional será comum em hospitais e em clínicas de diagnóstico. Ele ainda será útil para a indústria farmacêutica, por­ que os medicamentos serão feitos sob medida, de acordo com a composição genética de cada paciente.

Designer estratégico

Profissional com formação em administra­ção e design, ele conseguirá organizar pro­cessos com rapidez e trazer r resultados para o negócio. Ele terá a capacidade de ante­ver problemas e assim criar planos de ação para resolvê-los", diz Maria Carmem Tava­res Christóvam, consultora educacional e diretora da Panamericana Escola de Arte e Design, de São Paulo. A previsão da pro­fessora está em linha com a teoria defendi­da pelo escritor americano Daniel Pink, au­tor do livro A Revolução do Lado Direito do Cérebro (Editora Campus/Elsevier). "Mui­tas disciplinas ensinadas nas escolas de design, tais como proporção, perspectiva e invenção, são dificeis de automatizar. No futuro existirá um programa conjunto de MBA e MFA (master of fine arts), porque essas habilidades vão ter um enorme valor no mundo dos negócios", diz a consultora.

Gerente de inovação

O gerente de inovação será o responsá­vel por administrar o fluxo de ideias em uma empresa, bem como a produção ou implantação de novos processos. Trata­ se de um administrador que entende o negócio, o consumidor e consegue falar com todos os niveis da organização. "E uma profissão que será consagrada por­ que as empresas vão depender das ino­vações para sobreviver. O desafio dele é fazer a empresa ser mais rápida e certeira", diz o professor James Wright, da FIA. "Ino­vação não é apenas ter uma ideia criativa. E conseguir implantá-Ia e fazer com que seja um sucesso", diz Lincoln Seragini, do­no da Seragini, agência de brand e design.

Gerente de memória institucional

Será o biblioteconomista do futuro. O res­ponsável por pesquisar, consolidar e ar­mazenar de forma organizada a memória institucional da empresa. Ou seja, todo e qualquer tipo de conteúdo produzido, como fotos, imagens e textos. Já existe a necessidade por esse tipo de serviço. Em 2003, a Arizona, escritório de soluções de comunicação, desenvolvia para a Natura a sua versão de DAM, programa de geren­ciamento de ativos digitais. "A Natura gera muito conteúdo, por isso, surgiu a necessidade de armazenarmos a matéria-prima para a comunicação da empresa com ima­gens, textos e produtos. Mais do que isso, tivemos que organizar e padronizar esse material. Se você simplesmente armaze­na a bagunça, a história documental da empresa será uma bagunça", diz um dos sócios da Arizona, Guilherme Bruno. Na  empresa, surgiu o gestor de operações de marketing, que coordena todo o pro­cesso: padroniza e determina quem terá acesso às informações ou não. "Ele tem que ser bom em planejar, ter habilidade fi­nanceira e conhecer marketing muito bem."

• Gerente de e-commerce

As vendas virtuais movimentam mais de 10 bilhões de reais por ano e crescem a uma taxa anual de 30%. As empresas que operam online estão formando em ca­sa profissionais que entendem de comér­cio eletrônico - são autodidatas que estão aprendendo na prática. "Esse mercado es­tá em fase de desenvolvimento. Profissio­nais com vocação para essa função têm muitas oportunidades", diz Juan Quinteros, vice-presidente comercial do BuscaPé, si­te de comparação de preços, cujo escri­tório fica em São Paulo. A função do pro­fissional é criar um relacionamento com o cliente online e fidelizá-Io. Para isso, preci­sa conhecer bem o consumidor. "Na inter­net, ele e mais arisco, pois tem centenas de possibilidades em um clique. Tem que saber prendê-lo", diz James Wright.

• Pojetista de baterias elétricas

A preocupação com o meio ambiente e com o fim dos combustiveis fósseis faz com que novos investimentos sejam dire­cionados para o estudo de energias alter­nativas. Um dos objetos de pesquisa éo carro elétrico. "Em 2020, o Brasil terá uma frota substancial de carros elétricos", diz o professor James Wright. À medida que es­sas tecnologias forem dominadas, vai surgir a necessidade de profissionais que possam produzi-Ias. O projetista de baterias elétricas terá de aprender como adminis­trar as novas tecnologias. "Deve ser basi­camente um engenheiro químico, mas com formação especifica para a área"

Corretor de títulos de carbono

Cláudio Pádua, reitor da Escola Superior de conservação Ambiental e Sustentabilidade, prevê que num futuro próximo proprietários de terra com área preservada que se com­prometerem a não desmatá-Ia por 40 anos certificarão sua propriedade como "arma­zenadora de carbono" e receberão crédito por isso. A partir dai, serão emitidos titulos de carbono com a capacidade da propriedade de armazenar CO². Tais pa­péis serão negociados na bolsa e as com­panhias poderão cornprá-los com o objeti­vo de neutralizar sua emissão. É ai que en­tra o corretor de titulos de carbono.

• Gerente de redes sociais

A construtora Tecnisa, de São Paulo, foi a primeira a criar o cargo de gerente de re­des sociais, em 2007. O publicitário Roberto Aloureiro assumiu a função e hoje adminis­tra 11 redes, como Twitter, Facebook e Form­spring, ferramenta de perguntas e respos­tas utilizada para atender estudantes uni­versitários. De 2007 para 2010, a busca pe­lo site da Tecnisa aumentou 280%. "Esse profissional será cada vez mais importan­te porque as redes sociais vão ser tão es­senciais quanto um SAC", diz o executivo.

• Especialista em medicina e robótica 

Com o avanço de novas tecnologias co­mo a robótica e a nanotecnologia, os pes­quisadores acreditam que os médicos se­rão cada vez mais especializados e tecnológicos. Esse já é o caso do urologista Carlo Camargo Passerotti, pós-doutora­do em cirurgia robótica pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos. "Em 2005, quando fui para lá, não se falava em robôs no Brasil. Mas eles acabaram chegando por aqui três anos depois", diz Carlo. Exis­tem apenas três hospitais no pais que utilizam robôs em procedimentos cirúrgicos. Nos Estados Unidos, são 1100. O robô DaVinci S HD, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, e o únlco que fornece ao cirurgião controle intuitivo, movimentos em escala e manipulação de tecidos de­licados, e pode ser ut robótica 

Com o avanço de novas tecnologias co­mo a robótica e a nanotecnologia, os pes­quisadores acreditam que os médicos se­rão cada vez mais especializados e tecnológicos. Esse já é o caso do urologista Carlo Camargo Passerotti, pós-doutora­do em cirurgia robótica pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos. "Em 2005, quando fui para lá, não se falava em robôs no Brasil. Mas eles acabaram chegando por aqui três anos depois", diz Carlo. Exis­tem apenas três hospitais no pais que utilizam robôs em procedimentos cirúrgicos. Nos Estados Unidos, são 1100. O robô DaVinci S HD, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, e o únlco que fornece ao cirurgião controle intuitivo, movimentos em escala e manipulação de tecidos de­licados, e pode ser utilizado em procedi­mentos de neurologia e cardiologia.

Especialista em desastres ambientais 

Lincoln Muniz, pesquisador do Insti­tuto Nacional de Pesquisas Espaciais (lnpe), acredita que a área se tornará uma especialização no futuro. "Acho que essa área vai demandar que as ciências traba­lhem interligadas, cooperando", diz. Para o professor Carlos Brandão, da UFMG, essa especialidade produziria projetos de pre­venção, com planos de contingência e si­mulações de desastres para planejamen­to antecipado de soluções. E o que já faz o Centro do Sistema Terrestre do Inpe, criado em 2008. "Trabalho com matemáticos, en­genheiros civis, arquitetos, fisicos, geólogos e muitas outras áreas. E um centro multidisciplinar de pesquisa, com a função de dar subsidios ao tomador de decisão pa­ra a prevenção dos desastres", explica o meteorologista Lincoln Muniz.

• Especialista em ensino à distância

O ensino a distância, também conhecido como e-Iearning, surgiu no pais há uma dé­cada, mas ainda não atingiu todo seu po­tencial. "A educação virtual será mais evidente em dez anos", defende o professor Carlos Brandão em seu livro As Profissões do Futuro, editado pela UFMG, em 2008. O docente será um profissional multimidia. "Caberá a ele administrar comunida­des virtuais formadas pelos alunos, por fontes de referências, museus virtuais e sites". afirma a tese. "Devido ao mercado
cada vez mais competitivo, o ensino a dis­tância tende a crescer", diz Willian Machar, executivo de RH do Portal Educação. 

Para saber mais

Veja abaixo alguns estudos e livros consultados para esta reportagem:

The shap of Jobs to Come (algo como "Os tipos de trabalhos que estão por vir"). Pesqui­sa da consultaria britânica FastFuture. conclui­da em abril de 2010. Os pesquisadores ouvi­ram 486 especialistas de 58 paises.
Delphi Carreiras do Futuro. Estudo realizado em 2009 pelo ProFuturo, núcleo de estudos da Fundação Instituto de Administração, que elen­cou as carreiras emergentes ate 2020.
As Profissões do Futuro. Livro do professor Carlos Antônio Leite Brandão. publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais. em 2008. Na ocasião. Carlos Brandão era diretor do Insti­tuto de Estudos Avançados Transdisciplinares.

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