Gênios intratáveis


O mundo não tem pena nem sente falta dos grosseirões.

Revista Você S/A - por Célia Leão

Recentemente fui con­vidada para falar a um grupo de secretárias de elite, que assessoram presidentes de-grandes corporações. Uma das pro­fissionais disse que a gran­de maioria dos executivos de hoje tem comportamento bipolar. Ora são polidos, ora agem como loucos descontro­lados. E, pior, disse a secre­taria, eles não se dão conta do problema que têm.

Achei o comentário inte­ressante e preocupante. O distúrbio bipolar é uma dis­função séria, que precisa ser tratada por um médico. Ele faz sofrer quem tem o distúr­bio e igualmente quem tem de conviver com o doente.

Quando o problema é uma questão de saúde, o compor­tamento alterado, sem con­trole e pouco polido, pode ser medicado e tratado. Quan­do a questão é de comportamento, o tratamento pode ser mais complicado. Isso porque exige uma revisão de conduta. O profissional de comportamento bipolar se acha acima das regras, é ca­paz de atitudes grosseiras e descontroladas - e não acei­ta feedback, pois ele acha tudo isso normal. Conviver com alguém assim é muito difícil, irritante e cansativo.

No mês passado, li uma ma­téria sobre a autobiografia de Paul Allen, um dos homens mais ricos do mundo e co­-fundador da Microsoft. Muito me surpreendeu a descrição que ele faz em sua obra de seu parceiro de início de ne­gócios: um patrão intratável e um sócio difícil. Sei também de um outro gênio, rival da empresa criada pelo senhor Allen e seu sócio, que acabou se tornando céle­bre pela falta de respeito com que trata a equipe. Ao que dizem - e está documenta­do em livros e periódicos -,
os gritos a plenos pulmões e os adjetivos pejorativos são comuns no trato des­se executivo com seu time.

Essa mesma pessoa tem diagnosticada uma doença aparentemente muito grave e, de tempos em tempos, ela se afasta dos negócios para se tratar ou para repousar, não se sabe ao certo. O que sei é que jamais consegui ler uma linha complemen­tar à notícia da doença em que alguém manifestasse solidariedade, preocupação ou qualquer sinal de tristeza com a circunstância. O mun­do não tem pena nem sente falta dos grosseirões que se julgam acima do bem e do mal. Se você é assim, procu­re a ajuda de um psicólogo já.

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