Liderança: a moral do moral


Respeitar a moral é atributo cultural, manter o moral é qualidade do líder.

Revista Você S/A - por Eugênio Musak

A palavra moral vem do latim morale, que significa "relativo aos costumes". Trata-se de um verbete bem conhecido e muito aplica­do nas relações humanas em geral e no ambiente corpo­rativo em particular. O que muitas vezes nos escapa é que moral é um substantivo que muda de sentido ao mu­dar de gênero. Se for femini­no, será relativo ao conjunto de regras consideradas boas e éticas em um grupo hu­mano ("Aqui na empresa não concordamos com ati­tudes que ofendam a mo­ral e os bons costumes ... "). Já, se for masculino, refe­re-se a algumas qualidades do comportamento, como brio, determinação, força de vontade, perseverança ("O importante é manter alto o moral da tropa ... "). Ainda que estejam co­nectados, os dois conceitos de moral têm diferentes tratamentos e aplicações. Quando se trata de respei­to à moral, estamos falando de um traço cultural, uma qualidade da organização como um todo, que percebe que a conduta ética é condi­ção para que se construam urna reputação sólida e urna empresa capaz de se pereni­zar. Mas, quando falamos do moral dos funcionários, do time, estamos nos referindo a um conjunto de qualidades que motivam as pessoas a permanecer firmes apesar dos solavancos do caminho. Enquanto respeitar a mo­ral é atributo cultural, man­ter o moral é qualidade do líder. A moral é definida e praticada pelos diretores e seguida por todos na orga­nização. O moral é mantido pelos gerentes, os respon­sáveis por gerir diretamen­te as equipes de trabalho.

Este assunto me foi co­locado por um gerente. Os gerentes podem ser definidos como a liderança in­termediária nas empresas. Enquanto os diretores se ocupam com a estratégia,
cabe aos gerentes criar a tá­tica para transformar a es­tratégia em operação. São suas palavras: "A mim cabe manter alto o moral da equi­pe. Mas eu pergunto: como faço para manter meu pró­prio moral? Você não acha imoral que eu esteja entre a pressão das exigências dos diretores e a resistên­cia dos funcionários, ainda que ambos tenham razão?".

E afinal, qual a moral desta história? Que não se mantém o moral se não se respeitar a moral.

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