Liderança em escala


A primeira função de um gestor é formar outros bons líderes.

Revista Você S/A - por eugênio Mussak

Liderar não é fazer. Liderar é fazer fazer. E, para isso, é ne­cessário criar uma equipe, o que significa engajar, capacitar e, acima de tudo, inspirar. Sim, líderes devem inspirar pes­soas, mas, à medida que a empresa cresce, essa função mu­da um pouco, pois não é mais suficiente inspirar quem faz. Agora é necessário inspirar quem inspira quem faz.

Já se disse que a primeira responsabilidade de um líder é formar outros bons líderes. Há duas razões para justi­ficar essa afirmação: a primeira é que o líder precisa ter a consciência de que ele não é eterno nem infalível. Cedo ou tarde, o gestor precisará ser substituído, temporária ou definitivamente. A segunda é que, desde Fayol (Henri Fayol, estudioso da teoria da administração), aprende­mos que um líder não consegue liderar diretamente um grupo superior a 30 pessoas. Além desse número é pre­ciso pensar em gestores ou chefes intermediários, capa­zes de replicar o comando e de manter o moral do grupo.

O exército é um bom exem­plo. Entre o posto de marechal e o de soldado há 20 posições hierárquicas que formam a ca­deia de comando. E não há, nes­se caso, nenhuma intenção cor­porativista para favorecer ami­gos ou protegidos com cargos importantes. O que há é uma cadeia de lideranças que man­tém a coluna vertebral de uma organização que tem de fun­cionar bem. Nas organizações, em função do crescimen­to e da globalização, os princípios da autonomia e da de­legação viraram imperativos de eficácia. E isso exige um grande esforço de capacitação e uma comunicação eficien­te. Caso contrário, não há chance de se criar o necessário ambiente de confiança.

Querer manter o controle sobre tudo o que acontece na companhia é o mesmo que condená-Ia a ficar pequena. Manter vários objetos no ar ao mesmo tempo é coisa de
artista de circo. Nas organizações isso se faz em equipe, que, por definição, é um conjunto de pessoas que pos­suem habilidades complementares e sonham o mesmo
sonho. A empresa é formada por várias equipes que obe­decem à mesma lógica. Se isso for observado, não há li­mite para o crescimento nem para o sonho.

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