Mais 2,8 Milhões de Candidatos


Esse ê o crescimento esperado no numero de inscriçoes para concursos publicos em 2009. O motivo? A crise.

Revista Você S.A. - por Aline Lima

A boa relação entre remuneração e qualidade de vida vem atraindo um número crescente de profissionais bem preparados para a esfera governamental, seja para cargos da chamada administração direta (Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), seja para estatais de ponta, como a Petrobras. Na crise, esses dois fatores somados à estabilidade no emprego soam como a tábua de salvação para muitas pessoas. Segundo dados da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), foram 7 milhões de inscritos em concursos públicos em 2008, e a previsão, em 2009, é que esse montante aumente 40% - são 2,8 milhões de novos candidatos. O cálculo foi feito com base no volume surpreendente de matrículas nos cursos preparatórios do Rio de Janeiro e de São Paulo, de janeiro a fevereiro, meses tradicionalmente de fraco movimento nas escolas. "Fizemos uma pesquisa informal entre os alunos e a crise financeira tem sido um fator determinante para o aquecimento da demanda", diz Fábio Gonçalves, vice-presidente da Anpac. "Ter um salário fixo bom, além do baixo risco de demissão, se tornou o sonho de muitos brasileiros", diz.

O calendário de 2009 promete ser movimenntado e Você S.A. fez uma seleção dos concursos nos quais você deve ficar ligado. Boa parte das vagas é voltada para profissionais da área jurídica, mas há oportunidades para engenheiros, economistas, psicólogos e graduados em diversos outros cursos - todas com salários bem acima da média praticada nas empresas privadas. Daqui pra frente uma avalanche de editais começa a ser publicada no Diário OficiaI. Na fila estão, por exemplo, concursos da Receita Federal, dos ministérios da Fazenda e do Trabalho.

É difícil cravar a quantidade exata de vagas a serem criadas em 2009. O Ministério do Planejamento solicitou ao Congresso 64.540 novas vagas para o Poder Executivo, mas os pedidos ultrapassam, normalmente, o número de contratações. Somente de reposições por aposentadoria ou falecimento, é esperado, neste ano, algo em torno de 300.000 cargos nos âmbitos federal, estadual e municipal. Encontra-se também em curso um plano de substituição dos postos de trabalho terceirizados, previsto em um acordo firmado entre o Tribunal de Contas da União e Ministério Público do Trabalho. Desde 2005, foi extinta praticamente metade das 60.000 vagas consideradas em situação irregular. Nas agências reguladoras, por exemplo, toda contratação agora é feita por meio de concurso. Em 2009, serão criadas, nessa leva, mais 19.423 vagas. Até 2010, todas as trocas devem ter sido concluidas.

O fato é que, desde que o governo decidiu investir na área de recursos humanos de forma estratégica, ao longo dos últimos dez anos, a proporção de funcionários públicos só fez crescer. O diagnóstico apontava para um excesso de posições operacionais e déficit de técnicos. Para fortalecer o quadro, está sendo ampliada a oferta de empregos qualificados. Se até pouco tempo atrás 70% os editais eram voltados para candidatos com ensino médio e 30% para profissionais de nível superior, a tendência, atualmente, é que a balança se equilibre.

Na tentativa de atrair profissionais qualificados, o poder público promoveu uma política agressiva de aumento de salários. No momento, estão abertas 20 vagas para procurador do Banco Central, com remuneração inicial de 14.049 reais. É praticamente o dobro dos 7.900 reais oferecidos em 2006, último ano em que o concurso foi realizado. "O setor privado não acompanhou essa evoluução e a distância tende a aumentar", diz Nelson Marconi, economista da Fundação Getulio Vargas, especialista em gestão pública. As vantagens não param por aí.

Os funcionários públicos, pela Constituição de 1988, só podem ser afastados em casos graves, como improbidade e abandono de emprego. No caso dos estatutários, há também o benefício de um regime previdenciário diferenciado. Enquanto o teto do INSS para um funcionário da iniciativa privada é de 3.219 reais, é possível que o servidor público se aposente com o mesmo salário da ativa.

Qualidade de vida é outro ingrediente que pesa na decisão de quem opta pelo emprego público, especialmente no caso daqueles que trocam o setor privado pelo governo. "Um auditor externo tem horário de trabalho flexível; seu papel é cumprir metas", lembra Fábio Gonçalves, da Anpac. "Isso permite que muitos servidores exerçam, inclusive, outras profissões", diz ele.

Estímulos para progredir na carreira começam também, aos poucos, a virar tendência no setor público, principalmente no caso dos funcionários de empresas com autogestão, contratados sob o regime da CLT. "Quem se dedica tem o mérito reconhecido", atesta Nadja Brunner Sousa Pinheiro, chefe do departamento de recursos humanos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Nadja entrou como estagiária, passou por cargos técnicos e de gerência até chegar à chefia do RH. Após 34 anos de trabalho, pendura as chuteiras nos próximos meses, com a satisfação de dever cumprido.

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