Mapas da Mente


É possível ter visão geral de temas complexos? Estudar de forma objetiva para uma prova? Ter clareza sobre determinada situação da vida particular ou simplesmente reunir algumas idéias criativas? Os mind maps podem ajudar nessa tarefa.

Revista Scientific American - por Maria Beyer

No início dos anos 70, o psicólogo britânico Tony Buzan analisou inúmeros resultados de pesquisas sobre as bases biológicas da aprendizagem, da memória e da criatividade. Ele desenvolveu a tese de que na nossa cultura, que dá muito valor à escrita e à leitura, apenas uma parte do cérebro é aproveitada apropriadamente - aquela responsável pela lógica, pelo pensamento linear e pela fala. Várias outras regiões cerebrais, especializadas em imagens, pensamento espacial e criatividade, por exemplo, seriam muito pouco estimuladas.

Buzan considerou tal fato um desperdício grave de recursos valiosos e desenvolveu um conceito mais adequado aos talentos de nosso cérebro até então subestlmulados. Assim nasceu a idéia do mind map, o "mapa da mente". Trata-se, na verdade, de uma representação gráfica de relações entre diversos conceitos. O material necessário é apenas uma folha de papel e caneta.  Um especialista em desenvolver esse tipo de mapa pode até dispensar o material, pois ele cria suas figuras mentais apenas na imaginação.

No centro de todo mind map fica o tema superior. A partir dele, saem linhas em todas as direções para os diversos subtemas que se ramificam cada vez mais, como os galhos de uma árvore. Assim surge um sistema que, teoricamente, pode se expandir de infinitas maneiras, composto por inúmeros traços e palavras-chave conectados entre si, formando um mapa mental lógico. Cores e elementos visuais aumentam a clareza da figura, de forma que podemos assimilar conteúdos complexos num passar de olhos.

Usar a técnica pode ajudar na auto-organização, uma vez que por meio dela é possível sintetizar e estruturar, graficamente, grande número de informações, possibilidades e linhas de pensamento, por exemplo, ao se preparar para uma prova. Justamente por isso, costuma ser útil usar a técnica em sala de aula, seja para transmitir uma visão geral de algum assunto, ou para aprofundar ou revisar conhecimentos. A vantagem decisiva: um mind map fica cunhado na memória na forma de imagem - tanto durante sua elaboração quanto em observação posterior. Por isso, desenvolver o próprio mind map representa um bom caminho para exercitar a memória, pois mesmo depois de longo tempo, é possível lembrar da imagem, quase sempre ainda em detalhes.

Os mind maps, porém, servem para muito mais coisas do que favorecer os estudos. Eles são recursos preciosos para solucionar qualquer atividade rotineira, como o planejamento de uma mudança ou das férias. Provavelmente, em algum momento, você já sentiu necessidade de "limpar" sua vida - quer dizer, desfazer-se de coisas, abandonar alguns hábitos ou mesmo organizar relacionamentos. Mas nessas horas, em geral, tudo parece muito confuso. Por onde começar? Muitas vezes, a intenção, por mais louvável que seja, já fracassa deploravelmente antes mesmo do primeiro passo.

Com um mind map é possível identificar onde é maior a necessidade de limpeza pessoal. Comece, por exemplo, com um desenho simbólico de uma lata de lixo no meio. Dela partem galhos para diferentes áreas: hábitos e comportamentos, contatos e relacionamentos, assim como objetos. Estes últimos podem ser separados em profissionais e privados ou talvez como os cinco sentidos principais. Teste qual das divisões lhe parece mais adequada. Para um bom mind map, é importante que os subtemas desses primeiros galhos sejam cuidadosamente escolhidos e, principalmente, que não se tornem muito específicos. Pois, para questões específicas é aconselhável dividir as linhas cada vez mais detalhadamente.

Escreva de preferência diretamennte acima dos traços, pois isso dirige a atenção para os conceitos - afinal, não é por acaso que as pessoas costumam sublinhar passagens de textos que consideram especialmente importantes. As linhas são todas ligadas entre si para que possamos acompanhá-Ias melhor mentalmente. Resumindo: duas das três regras básicas do mind mapping são: escrever uma palavra por linha e fazer com que todas as linhas sejam ligadas entre si. E, por último, a terceira e fundamental: ofereça aos seus olhos algo bonito: palavras podem ser substituídas por imagens (desenhos ou colagens); o uso de cores é bem-vindo e os diferentes campos de interesse podem ser delimitados para facilitar a visualização.

  • Estado psíquico

É comum que, enquanto a pessoa desenvolve seu mapa, seus pensamenntos saltem de uma área para outra, o que na verdade não é um problema, desde que se tenha uma boa idéia do que se pretende. Em alguns casos, é possível desenvolver um tema a fundo em poucos minutos; em outros, o trabalho pode levar alguns dias para ser realizado. O importante é que não haja um intervalo muito longo entre a interrupção e a retomada da tarefa.

Nas reuniões de trabalho, também é possível tirar grande proveito da linguagem mental comum do mind mapping: as discussões se tornam mais concisas e funcionais, os participantes conversam de forma objetiva e voltada para a busca de soluções. Em vez de surgir espaço para os costumeiros bate-papos ou questionamentos "democráticos", muitas vezes improdutivos, há rodadas de apresentação de idéias claramente estruturadas, onde cada pessoa tem espaço para dizer o que pensa.

Para tanto, cada participante prepara, inicialmente, um pequeno mapa, segundo seus próprios critérios, e depois há uma análise comum dos cartões de cada um. Dessa forma, todos os participantes tomam conhecimento rapidamente das idéias dos outros. Após possíveis complemenntações e resumos, é possível iniciar imediatamente conversas objetivas.

Depois de ter conseguido uma visão geral da situação, você pode iniciar a "arrumação", propriamente dita, orientando-se pelo seu mapa. Sempre que resolver um ponto - por exemplo, quando tiver se livrado daquela caixa velha cheia de roupas que, embora não servissem mais, passaram anos ocupando espaço em seu guarda-roupa-, você pode riscar a palavra/imagem ou incluir um sinal  sobre o ítem.

E permita-se ficar orgulhoso ao atingir seu objetivo! Essa realização deve servir de motivação para continuar o trabalho e cuidar dos próximos pontos. No fim, você terá em mãos um protocolo em forma de imagem de seu projeto de arrumação. Da mesma forma, o mind mapping pode ajudá-Io a tomar decisões importantes, esclarecer situações confusas, resumir temas complicados de estudo ou estruturar seus próprios textos - antes mesmo de escrevê-Ios.

É curioso observar que se você formatar mapas sobre o mesmo tema em diferentes épocas, eles não serão obrigatoriamente iguais e nem mesmo semelhantes, pois cada um reflete seu mundo intelectual, sua situação e seu estado emocional num determinado momento. Um mind map não apenas mostra como uma pessoa pensa, mas a organização gráfica também fornece indícios sobre o estado psíquico. Por meio da técnica é possível procurar se conhecer melhor, ao se perguntar: será que durante a composição eu estava relaxado, eufórico, ou estressado?

Muitas vezes, portanto, vale a pena retomar um mind map após algum tempo. Para tanto, é aconselhável o uso de uma nova cor. Em muitos casos, mind maps não são um produto, mas a expressão gráfica de um processo mental. Afinal, aqui também vale alterar um pouco o dito popular: "Os fins não justificam os meios, os fins são os meios!".

Para conhecer mais

Treine a mente e mude o cérebro. S. Begley. Fontanar, 2008.

    Leitura Dinâmica e Memorização

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