Network: a vaga é sua


Como achar um emprego por meio da indicação de um amigo, das redes sociais e dos sites de emprego.

Revista Você S/A - por Vanessa Vieira

Diz a sabedoria popular que quem tem amigos tem um tesouro. No Bra­sil, essa máxima é especialmente verdadeira no que diz respeito ao mercado de trabalho. Segundo estu­do do Departamento lntersindical de Estatística e Estudos Socioeconômi­cos (Dieese), quase 60% das pessoas empregadas na iniciativa privada obtiveram a vaga após indicação de parentes, amigos e conhecidos que já trabalhavam no lugar. "O funcionário conhece bem o dia a dia e  os valores da companhia e sabe melhor do que ninguém que perfil de de pessoa vai se adaptar bem à organização", diz Rosana Echigo, gerente de RH da Ernst & Young Terco. Por isso, apesar de parecer uma ação parcial ou pro­tecionista, a indicação traz uma grande vantagem tanto para a em­presa quanto para o profissional. Muitas vezes, por meio do relato do amigo, o candidato já chega conhe­cendo a empresa e o que é esperado dele, o que tende a facilitar sua adap­tação. Muitas organizações estimu­lam essa prática oferecendo prêmios a quem aponta bons nomes no mer­cado. Os bônus cumprem o papel de instigar os colaboradores a serem seletivos nas recomendações, afinal o prêmio será concedido ao autor da melhor indicação. "O percentual erro nesse tipo de contratação tende a ser menor, já que o candidato passou pelo filtro do colaborador que o indicou", diz João César Lima, sócio e coordenador de RH da consultoria PricewaterhouseCoopers, que tem um programa desse tipo.

O sistema de indicações é conderado particularmente eficaz recrutamento para técnicos e especialistas, já que o círculo de amizades do funcionário costuma concen­trar pessoas de mesma formação. O gerente de auditoria Rodrigo Mar­catti, de 30 anos, foi contratado pela Price no início de fevereiro após a indicação de um gerente amigo dele. "Havíamos trabalhado juntos quatro anos antes e ele conhecia meu trabalho", diz Rodrigo. Para ele, a indicação aumenta o compro­metimento em apresentar resulta­dos. "Quem indica acaba se respon­sabilizando pela contratação, então cresce nosso desejo de correspon­der à expectativa", assegura.

Quem recebeu de um colega um pedido de indicação para urna vaga também deve tornar cuidados. O principal é evitar o envolvimento afetivo. "A pessoa que indica deve
conhecer suficientemente a qualifi­cação e o comportamento do amigo", diz o coach Silvio Celes tino, da Alliance Coaching. "A indicação ideal é aquela que relaciona as competên­cias da pessoa recomendada com a cultura da empresa", diz Silvio. Não exagere as qualidades da pessoa nem indique só por solidariedade, porque o amigo está precisando. De certa forma, você está compartilhando a responsabilidade pela contratação e empenhando sua credibilidade.

• A ajuda das redes

As redes sociais permitem cultivar um círculo muito maior de amigos com relativa facilidade e colaboram no networking. Por isso, atualmente, são parte importante do trabalho de busca de emprego. Mas deve-se ter atenção quanto ao modo de usá-las. Um dos pontos mais óbvios é não compartilhar publicamente a busca de nova vaga se você ainda está empregado. Mesmo que seu chefe não faça parte diretamente de sua rede virtual, vocês podem ter amigos em comum e a informação poderá che­gar até ele. "Opte por abordar indi­vidualmente as pessoas que pode­riam ajudá-lo para falar sobre seus planos", diz Mariá Giuliese, presiden­te da consultoria de recolocação da Lens & Minarelli. Outra orientação é sondar o amigo antes de pedir a indicação, para que ele não se sinta coagido a recomendá-lo. "Aproxime­-se pedindo informações, comentan­do que soube que haveria uma vaga em aberto na empresa da pessoa e pedindo orientação sobre como se candidatar. Se ela quiser e puder auxiliá-lo, vai se oferecer natural­mente", afirma Mariá.

Caso queira pedir ajuda para uma pessoa de quem não é tão próximo, aborde-a recordando de onde vocês se conhecem, dos amigos em comum ou do fato de fazer parte de um mes­ma comunidade virtual. Participe de discussões e divulgue informações que possam servir a outros usuários para solucionar problemas em seu mercado. A estratégia aumenta sua rede de contatos e talvez faça de você uma referência na área, o que pode render propostas de trabalho. "Use a rede também para ajudar, não faça contatos apenas por interesse", diz Silvio Celestino.

Outra orientação para quem de­seja colocar as redes sociais a ser­viço próprio na hora de buscar o emprego é ter atenção quanto ao conteúdo postado. Fotos com pouca roupa, frases com erros gramaticais, informações sobre relacionamentos afetivos e comentários polêmicos devem ser evitados. "O que você comenta numa rede será lido e com­partilhado por centenas e até mi­lhares de pessoas", diz Silvio. "Não publique nada que não faria ou diria numa rua lotada." Seu perfil na rede corresponde a sua imagem pública. Avalie que imagem suas fotos e co­mentários estão transmitindo.

• Currículo virtual

Ajude o emprego a encontrar você.

Mesmo o mais conectado profis­sional não deve descuidar do velho currículo. Ainda que as redes sociais amplifiquem sua visibilidade e por mais que apareçam indicações de amigos, a área de R RH é a responsável formal pela seleção de candidatos dentro das empresas, e a maneira como as pessoas do setor trabalham continua bastante tradicional.

Por causa disso, vale investir um tempo se inscrevendo em bancos de currículos e sites de emprego.

1 - Crie um currículo claro, no qual esteja explícito seu perfil, a área de experiência e o cargo que almeja. "Quando um recrutador estiver escolhendo uma série de candidatos, ele vai ter de 30 a 40 segundos para avaliar se o seu currículo se encaixa no perfil que ele busca ou não", afirma Renato Grinberg, diretor-geral da Trabalhando.com.

2 - Caso você tenha experiên­cia em mais de uma área ou aceite posições em mais de um segmento, inscreva mais de um currículo nos sites. Destaque em cada um a experiência condizente com o posto pretendido.

3 - Muitos sistemas dos sites de currículo fazem suas buscas usando palavras­ chaves. "Por isso, no campo "objetivo", em vez de escrever algo como "busco oportunidade na área comercial", seja direto e coloque o nome do posto desejado ­gerente comercial. É por essa expressão que o recrutador buscará seu currículo", explica Lúcio Tezotto, gerente-geral de atendimento da Catho OnLine.

4 - Nomes de tecnologias e certificações de sua área também podem ser usados como critério de busca. "Nomes como Java, SAP e Microsiga, ou outros softwares de gestão, podem ser usados na busca", diz Lúcio. Essa lição foi aprendida na prática pela psicóloga Milécia Santos de Oliveira, contratada em agosto do ano passado pela construtora Masb. Com a experiência de quem já se inscreveu em vários sites de empregos, ela diz que tem o cuidado de detalhar no currículo a experiência em testes psicológicos como Disc e Personal Inventory. "Sempre que possível, também evite siglas e abreviaturas que poderiam dificultar o encontro das palavras-chaves", ensina Milécia.

5 - Preencha todos os campos do .formulário desses sites. Os currículos serão selecionados pela ferramenta com base numa combinação de critérios, e é importante dar opções à ferra­menta. É diferente do currículo de papel, em que ser conciso é uma qualidade. No site de emprego, quanto mais informação, melhor. "Mesmo que seu espanhol seja básico, informe esse conheci­mento em vez de deixar o campo em branco", diz Renato, da Trabalhando.com.

6 - Cursos de atualização e aperfeiçoamento com as palavras-chaves de sua área, ministrados por instituições de referência, também devem ser incluídos. "Há empresas que só contratam formados em determinadas escolas", diz Luís Testa, gerente de vendas da Vagas.com.

7 - Durante uma busca, os sites não excluem o currículo, a não ser que o RH, que contrata a ferramenta, crie uma restrição específica na busca ­ por exemplo, escolher apenas pessoas do mesmo estado. Fora isso, o que os sites fazem é reorganizar a "fila" de candidatos de acordo com aquilo que os RHs consideram mais importante. Ou seja, não existe um currículo melhor. A colocação do candidato na fila muda de acordo com o que o usuário do site definir.

8 - Para aumentar suas chances, navegue com frequência no site de empregos para descobrir novas vagas e atualize as informações quando necessário. "O site não funciona sozinho. Não basta cadastrar o currículo e esquecê-to lá", destaca Lúcio, da Catho OnLine. Quando o usuário identificar uma vaga de seu interesse, ele mesmo poderá redirecionar seu currículo para o contato da empresa, e não apenas esperar que o currículo seja encontrado.

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