O Corpo em Equilíbrio


Para manter-se saudável, o ser humano precisa, antes de tudo, aprender a entender as necessidades do próprio corpo e a ouvir os pedidos de socorro que ele nos envia através das doenças.

Revista Planeta - por Shakti Gawainl

Nosso bem-estar global depende da nossa capacidade de tomar conta de nós mesmos no mundo físico. Especificamente, isso significa manter o corpo forte, saudável e satisfeito. No geral, significa opeerar no mundo de maneira a não apenas sobreviver, mas prosperar - ser capaz de ganhar a vida e suprir as próprias necessidades e desejos físicos. Num nível mais sutil, envolve uma certa "consciência" das questões físicas - saber o que está acontecenndo no próprio corpo e ao redor dele. Por último, mas nem por isso menos importante, exige um relacionamento saudável e equilibrado com o nossso planeta e o mundo natural.

Até há pouco tempo, a grande maioria das pessoas jamais tinha recebido informações suficientes sobre como criar um jeito saudável de viver; além disso, as pessoas não tinham estímulo nenhum para isso, nem um modelo em que se espelhar. A verdade é que o estilo de vida preconizado pela cultura ocidental foi se tornando cada vez mais sedentário e antinatural. Vivemos cada vez mais concentrados nas cidades grandes, sem ter acesso à natureza; locomovemo-nos de carro em vez de andar a pé; trabalhamos em edifícios onde a luz natural não penetra e o ar que respiramos é controlado por máquinas; e comemos alimentos insalubres, superindustrializados. Pior ainda, viivemos de modo tão ocupado e tenso que o corpo físico é constantemente levado além do seu nível natural de energia. Para nos manter nesse ritmo artificial, a cafeína é com frequência nossa melhor amiga.

A civilização moderna dá tanta ênfase ao desenvolvimento tecnológico e intelectual que nós perdemos quaase todo o contato com as sensações e necessidades do corpo. Nossa atitude em relação à natureza e ao corpo é a de um conquistador tirano, e não a de um camarada respeitoso e cooperador.

Outro fator que contribui para isso é a atitude em relação ao corpo que foi promovida pelo enfoque tradicional, espiritual e transcendentalista da maioria das religiões atuais. Em muitas delas, o corpo é visto como um inimigo do espírito, sede das necessidades, emoções, paixões e apegos humanos. A meta dessas filosofias esspiritualistas é submeter e superar esses aspectos do ser humano. O corpo é visto como algo vil, inferior à mente e ao espírito, ou mesmo pura e simplesmente maléfico. Assim, ele é ignorado ou rebaixado.

Para piorar, a tradição científica nos ensinou a prestar atenção nas causas e curas externas das doenças, ignorando as causas e processos internos, que são muito mais sutis. As pessoas se vêem como "vítimas" das doenças, que caem de emboscada sobre elas a qualquer hora e sem nenhum motivo específico. Isso nos deixa com um sentimento de desamparo, sem nenhum poder sobre a nossa própria saúde nem responsabilidade por ela. Por isso, todos somos dependentes demais das autoridades constituídas, muitas vezes abrindo mão de todo poder decisório em favor da classe médica.

Essa ênfase na cura exterior também levou a cultura ocidental a uma extraordinária dependência de drogas e medicamentos. Às vezes, parece que todos estamos procurando uma pílula ou poção mágica que nos livre da dor e do mal-estar, ao menos por algum tempo. Todos sabem da epidemia de drogas, álcool, fumo, cafeína, comida e outros vícios que atualmente nos afligem na medida em que tentamos nos livrar da dor espiritual e emocional, negando-a. Nesse processo, nós também negamos os sinais que o corpo físico emite.

A verdade é que nascemos dotados de uma consciência das necessidades e sensações do corpo, mas aprendemos a nos "desligar" dele, quer ignorando-o, quer controlando-o, baseados em idéias mentais sobre o que lhe cabe. Perdemos contato com a sensibilidade para aquilo que está ocorrendo dentro de nós e à nossa volta. Muitos só prestam atenção no corpo em momentos de extremo sofrimento físico. O corpo precisa ficar doente para chamar a atenção.

Felizmente, todo esse panorama está começando a mudar. Nossa cultura começa a acordar para a importância de coisas como a boa nutrição e o exercício regular. Muitos estão começando a assumir responsabilidade pela criação e manutenção da saúde e do bem-estar físicos.

A cura física ocorre quando aprendemos a entrar em contato com o corpo, a senti-lo e a ouvi-lo. Nosso corpo geralmente sabe do que precisa e se comunica de modo muito claro e esspecífico se estamos dispostos a ouvi-lo. É preciso cultivar a arte de compreender e interpretar os seus sinais. O corpo não cessa de comunicar-nos sua necessidade de comida certa na hora certa, de descanso quando estamos cansados, de movimento, de carinho.

Para bem receber as mensagens do corpo precisamos, antes de mais nada, curar nossos processos viciosos - a falsa necessidade que desenvolvemos de certas substâncias ou alimentos que nos impedem de sentir o que o corpo realmente precisa. O bom para o corpo é aquilo que ele busca naturalmente.

Como Lidar com a Dependência

Se você é dependente de comida ou substâncias químicas, seu processo de cura vai começar quando procurar a ajuda de um conselheiro qualificado, um grupo de apoio, um programa de tratamento ou um programa de 12 etapas, como os Alcoólicos Anônimos, os Narcóticos Anônimos ou os Obesos Anônimos. O primeiro impulso de todos os que tentam abandonar uma dependência é pensar que podem fazê-lo sozinhos, pela própria força de vontade, e que não necessit tam de ajuda externa. Infelizmente, esse pensamento faz parte do modelo clássico de dependência, e simplesmente constitui mais um elo do círculo vicioso. A maior parte das pessoas constata que, para curar uma dependência, elas precisam da ajuda e do apoio de outros que tiveram experiência com o problema.

Sempre há excelentes razões e desculpas para não procurar ajuda: você não tem tempo nem dinheiro, não se sente à vontade com o terapeuta ou com os colegas de reunião, o problema não é tão sério assim, etc. Lembre-se apenas de que, se é dependennte de alguma coisa, sua vida está travada; você não será capaz de progredir em nenhum nível do processo de cura até conseguir a ajuda e o apoio adequados. Conseguir ajuda pode ser o maior dom que você jamais deu a si mesmo (e aos seus entes queridos!).

Depois de se comprometer com o processo de recuperação, tenha basstante calma, paciência e compaixão. O desenvolvimento dos velhos hábitos levou anos; o desenvolvimento de um modo de vida mais sadio também é um processo de longo prazo. Depois que você for capaz de cortar o círculo vicioso por algum tempo, poderá começar a entrar em contato com suas verdadeiras necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais, deixando-se guiar por elas.

• Como Ouvir o Corpo

Muita gente acredita, inconscientemente, que o corpo é um inimigo. Imagine como o corpo deve se sentir mal por ser tratado dessa forma e como deve ser grande o conflito interior criado por essa atitude. Ela leva a uma espécie de guerra, em que a pessoa está sempre tentando controlar o corpo e moldá-Io a poder de chicote.

Muitos precisam parar de tentar controlar o corpo porque estão ansiosos quanto à própria aparência física, ou mesmo porque sinceramente querem estar saudáveis e em forma. Em geral, nós criamos uma série de regras sobre o que é bom para nós e tentamos obrigar o corpo a segui-Ias. É possível que algumas dessas idéias e regras sejam positivas em si, mas, quando aplicadas com muita rigidez, podem causar problemas - no caso, por exemplo, daqueles que se recusam a comer qualquer alimento gorduroso. Há quem cuide demais da dieta ou force demais nos exercícios; depois, rebela-se contra as regras que impôs a si mesmo e cai no extremo oposto. É claro que a disciplina sadia mantém seu lugar de honra quando não é exagerada.

É preciso ver no corpo um amigo e aprender a reconhecê-Io e apreciá-Io por tudo o que ele nos faz. Pense: ele trabalha 24 horas por dia para manter você vivo e saudável. Habitue-se a comunicar ao corpo a sua apreciação. Lembre-se de todos os prazeres que lhe vêm dos sentidos do corpo: provar uma boa comida, ver um pôr-do-sol, sentir o aroma das flores, ouvir música, receber massagem ...

Segundo pude constatar, o melhor método de cura do nível físico consiste em aprender a ouvir a sabedoria intrínseca do corpo e fazer de tudo para segui-Ia. Pense em como os animais, no seu habitat, comem quando estão com fome, descansam quando cansados e vivem geralmente cheios de energia e vitalidade. É claro que a nossa vida é complexa; muitas vezes, é difícil prestar atenção às coisas simples, e quase nunca dá para ser realmente espontâneo. Entretanto, é possível começar a cultivar o hábito de prestar atenção ao corpo regularmennte para descobrir o que ele está precisando.

Eis algumas das necessidades básicas do corpo:

- Bastante água pura e fresca. 
-  Uma dieta simples, natural e equilibrada de alimentos integrais e saborosos. 
-  Bastante descanso; um bom sono noturno e, se necessário, uma sonequinha durante o dia. 
- Ar fresco; passar algum tempo por dia ao ar livre. 
- Movimentos e exerc´5cios regulares, sempre feitos num clima de alegria e que sejam proporcionais às suas capacidades. 
- Toque, afeto e intimidade física. 
-  Prazer e expressão sensual e sexual.

À medida que você for aprendendo a ouvir o corpo, ele ensinará a descobrir quando e como suprir essas necessidades.

O corpo físico é, nesta vida, a morada de todos os outros níveis - os aspectos espiritual, mental e emocional do ser. O corpo espelha e expressa o estado de bem-estar, ou mal-estar, de todos os níveis. Mais cedo ou mais tarde, os bloqueios ou desequilíbrios que se dão nos níveis espiritual, mental ou emocional se manifestam no físico. Por isso, o corpo não está apenas tentando constantemente comunicar as suas necessidades; muitas vezes, também está tentando comunicar as necessidades dos outros níveis.

Se desconhecemos ou ignoramos suas necessidades em qualquer nível, mais cedo ou mais tarde nosso corpo tentará chamar a nossa atenção. Se você, por exemplo, está se forçando a trabalhar tanto que não pode atender às suas necessidades espirituais e emocionais, o corpo pode ficar doente para forçá-Io a parar e cair em si.

Creio firmemente que quase todas as doenças e acidentes corpóreos têm elementos espirituais, mentais ou emocionais, ou ainda uma combinação de todos esses. Isso parece ser verdadeiro, especialmente no que diz respeito às necessidades emocionais, que são, com frequência, as mais reprimidas. A cura física pode ser favorecida e acelerada quando os outros níveis são tratados ao mesmo tempo que o físico. Por isso, uma doença, incapacidade física ou acidente é siinal de que devemos olhar profundaamente para nós mesmos e para a nosssa vida, e estar dispostos a fazer as mudanças necessárias em todos os níveis ou naqueles que estiverem afetados. Geralmente, é sinal de que devemos prestar um pouco mais de atenção às nossas necessidades e sentimentos, cuidar melhor de nós ou serrmos mais fiéis à nossa verdade. Pode ser, também, o sintoma de um conflito interior que precisa ser combatido de modo mais direto. Com frequênncia, a voz do corpo se faz ouvir com claríssima ressonância metafórica, no caso da mulher cujas costas por estar ela carregando muita responsabilidade ou do homem que um ataque cardíaco porque ele trabalha tanto que ignora as necessidades do próprio coração.

Nem sempre, porém, é fácil compreender o que o corpo está querendo dizer. O cultivo da capacidade de ouvir leva tempo e pode ser auxiliado pela meditação tranquiila, pelo hábito de escrever um diário e pela terapIa.

Se a mente não compreender o que o corpo está tentando comunicar, não se preocupe. Se você estiver recepptivo, é possível que esteja recebendo a mensagem em outros mais fiéis à nossa verdade. Pode ser, também, o sintoma de um conflito interior que precisa ser combatido de modo mais direto. Com frequênncia, a voz do corpo se faz ouvir com claríssima ressonância metafórica, no caso da mulher cujas costas por estar ela carregando muita responsabilidade ou do homem que um ataque cardíaco porque ele trabalha tanto que ignora as necessidades do próprio coração.

Nem sempre, porém, é fácil compreender o que o corpo está querendo dizer. O cultivo da capacidade de ouvir leva tempo e pode ser auxiliado pela meditação tranquiila, pelo hábito de escrever um diário e pela terapIa.

Se a mente não compreender o que o corpo está tentando comunicar, não se preocupe. Se você estiver recepptivo, é possível que esteja recebendo a mensagem em outros níveis. Não aceite nenhuma interpretação alheia do significado de uma doença, a menos que ela lhe pareça correta.

Cuidado para não cair numa armadilha em que caem muitas pessoas ligadas à Nova Era: sentir-se culpado por ficar doente. A linha de raciocínio é a seguinte: "Se eu tivesse feito meu trabalho interior, não teria criado esta doença. Logo, sou uma pessoa inconsciente; sou um fracasso."

Alguns mestres e agentes de cura contribuem para esse tipo de postura, assegurando aos seus discípulos e clientes que, se eles pensarem os pensamentos corretos, disserem as informações corretas, comerem a comida correta, etc., a sua saúde não será abalada nem por um segundo. Na realidade, isso não é tão simples.

É possível comer alimentos puros, meditar todos os dias, fazer exercícios com regularidade, expressar os sentimentos, usar afirmações e visualizações, e mesmo assim ficar doente! A caminhada da vida é complexa e misteriosa. Nem sempre é possível saber por que algo está acontecendo. Lembre-se de que a alma se vale de todos os expedientes para nos educar e iluminar.

A doença nem sempre é um fato negativo, embora possa parecê-lo. Como tudo o mais que nos acontece, ela é uma oportunidade de aprender, de crescer e aprofundar a experiência da vida e a sabedoria. Por difícil que seja aceitá-Io, qualquer prejuízo físico pode ser visto como um dom, uma oportunidade de olhar para si mesmo e para a própria vida, e aprender algo. É uma possibilidade de mudança.

A doença pode ter uma immportância vital. Muitas pessoas que se forçam a trabalhar demais só aprendem a viver com mais calma quando são forçadas a isso por uma doença. Essa doença pode salvar a vida dessas pessoas ou, pelo menos, melhorar muitíssimo a qualidade da sua vida.

Uma amiga minha vinha se esforçando há alguns anos para mudar seu estilo de vida e reservar mais tempo para cuidar das próprias necessidades, em vez de só pensar nas necessidades dos outros. Este ano, ela foi derrubada por uma forte pneumonia, que a forçou a parar todas as suas atividades e dar a si o cuidado especial de que sempre necessitara. Agora, ela está tentando integrar o descanso e o carinho por si mesma na sua agenda, já bem menos carregada.

A maneira mais construtiva e eficaz de lidar com uma doença consiste em reconhecer que ela existe e que você não é culpado por tê-Ia, mas quer usá-Ia como trampolim para aprofundar e expandir sua consciência.

Naturalmente, a doença geralmente não parece uma oportunidade de mudança e crescimento quando se manifesta. Causa dor, medo, confusão, desespero. Parte do processo de cura consiste em sentir plenamente essas emoções. Pode ser útil revestir a experiência com uma espécie de armadura doutrinal, semelhante a esta: "Mesmo que esta doença pareça terrível e eu não a compreenda, a verdade é que ela me traz um dom de aprendizagem e cura. Estou aberto para receber e compreender esse dom no momento oportuno." Isso habilita a orientação interior a nos mostrar o que precisamos aprender a partir dessa experiência.

Não pense que toda doença deve ser curada e que, se não conseguiu curá-Ia, você falhou. Há doenças que permanecem conosco como lembretes. Um amigo meu, por exemplo, fica com disritmia cardíaca toda vez que se esforça demais ou assume demasiada responsabilidade pelos outros. Isso o levou a ter extrema consciência das próprias necessidades e a tomar cuidado consigo mesmo.

 • Doenças que Ameaçam a Vida 

É óbvio que, quando a própria vida corre perigo em função de uma doença ou acidente, o processo de crescimento se intensifica. Muitos percebem que a doença grave leva-os a deparar com questões de grande importância e, por essa confrontação, adquirir consciência de que precisam mudar de vida.

Algumas doenças servem para ajudar a pessoa a passar para outro plano de existência. De novo, é preciso ter cuidado para não julgar a si mesmo e aos outros por ter uma doença grave ou ser vítima das decorrências dela. E preciso compreender que a morte pode ser uma escolha positiva e legítima, e não uma simples incapacidade de operar a cura. Quem somos nós para julgar a caminhada da nossa alma, ou a de qualquer outra pessoa?

Acho que a morte física é uma escolha que fazemos em algum nível, consciente ou inconscientemente. Neste estágio da evolução, a maioria das pessoas faz essa escolha de modo inconsciente - sendo "vitimada", por exemplo, por uma doença ou acidente. Felizmente, estamos começando a conhecer melhor o proocesso da morte e do morrer e aprendendo a respeitar e facilitar esse proocesso. Creio que um número cada vez maior de pessoas vai ser capaz de optar por deixar o corpo no momento certo, de maneira clara e consciente.

Minha experiência pessoal de trabalho profundo com outros seres humanos indica que, sempre que allguém tem uma doença que coloca sua vida em risco, é porque uma parte dessa pessoa de fato quer morrer. Geralmente, a pessoa tem pouca ou nenhuma consciência dessa parte; a única parte que ela admite é aquela que quer viver. Quando ela consegue entrar em contato com a parte que quer morrer e a traz à consciência, muitas vezes é possível saber o porquê da escolha.

Entrando em contato com as partes que querem morrer e as partes que não querem, pode-se fazer da escolha um processo mais consciente. Muitas vezes, num nível muito profundo, a pessoa sente que suas necessidades emocionais não estão sendo satisfeitas e desiste da vida. Trazendo isso à consciência, abre-se a possibilidade para a cura, que pode resultar no prolongamento da vida ou, pelo menos, numa morte tranquila.

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