O Jogo do Empurra


Transferir responsabilidades têm um efeito negativo no trabalho em equipe. Aprenda a lidar com essa situação.

Revista Você S/A - por Roberta Queiroz

Nas últimas duas décadas, a habilidade de trabalhar em equipe ganhou importância dentro das empresas. "No início da década de 90, os gestores começaram a valorizar essa competência. Hoje, a maior parte dos processos de seleção exige esse comportamento dos candidatos", diz Fernando Mantovani, gerente responsável pelo escritório de São Paulo da Robert Half, consultoria americana de recrutamento. E não é só isso. Em alguns casos, como na disputa de uma vaga para consultoria, a falta de experiência bem-sucedida em equipe pode barrar uma oferta de emprego. Em outros casos, não saber trabalhar com o time é motivo de demissão. Segundo Elaine Saad, gerente-geral para a América Latina da Right Management, consultoria que faz transição de carreira, de São Paulo, cerca de 30% dos profissionais de nível gerencial têm dificuldade para administrar grupos de trabalho.

Atividades que reúnem muitas pessoas são o cenárío perfeito para o aparecimento de conflitos. Um tipo muito comum é o jogo do empurra. Como a expressão sugere, o problema começa quando um integrante do grupo tenta transferir a responsabilidade sobre uma tarefa para o outro. A seguir, algumas situações típicas do jogo do empurra. Saiba como se manter de pé nesses casos e evitar que o desempenho de sua equipe seja prejudicado.

O líder não faz a gestão da equipe nem do projeto e coloca a culpa do mau desempenho em você.

Essa situação acontece quando o chefe se ausenta de suas responsabilidades. Na hora em que é cobrado, ele transfere a pressão, ou a culpa, para  o subordinado. Diante desse quadro, tome cuidado. Evite se queixar do chefe e nem pense em procurar o chefe dele para reclamar. "Passar por cima do líder da equipe pode criar uma crise ainda  maior", diz Francisco Ramirez, da ARC, consultoria de recrutamento de São Paulo. A melhor saída é conversar com o gestor. "Seja objetivo  e apresente fatos. Contra  fatos não há argumentos",  diz Thiago Zanon, líder da  área de talentos da Hewitt Associates, consultoria em  RH de São Paulo.

Um colega do grupo não realiza a parte dele e acaba comprometendo seu serviço.

Se você detectar um problema desse tipo, seja rápido. Procure descobrir a razão do desize do colega. Pode ser uma situação pessoal, sobrecarga do grupo, incompetência ou má intenção mesmo. Tente conversar francamente com ele. "Em alguns casos, você poderá ajudá-lo a resolver o problema", diz Renata Wright, da Michael Page, empresa de  recrutamento de São Paulo.  Mas, se o desempenho do colega continuar prejudicando o grupo, você deve, sim, procurar o lider para alertá-lo do que está acontecendo. Agindo dessa forma, você pode evitar um grande prejuizo para os companheiros e para a empresa.

Você percebe que a equipe tem dificuldade para administrar o volume de trabalho e definir as responsabilidades de cada um no projeto.

O primeiro passo é abordar a questão com os colegas. "Depois que se esgotarem as possibilidades entre os pares, é preciso acionar o lider da equipe rapidamente para evitar que o resultado seja comprometido", diz Renata, da Michael Page. "Essa atitude mostrará que você está envolvido com o projeto", diz Thiago, da Hewitt Associates, de  São Paulo. Uma boa forma de fazer isso é reunir toda a  equipe e, junto com o chefe, avaliar os fatos e como  todos podem contribuir para resolvê-los. A seguir, eleja um reponsável para cada tarefa e estipule prazos para o cumprimento das  atividades. Assim, todos  ficam na mesma sintonia.

Como niguém se compromete, você assume a tarefa em nome da realização do trabalho.

"Essa é uma decisão errada", diz Renata Wright. "Para crescer, os profissionais precisam ser responsáveis pelo desenvolvimento dos pares." Portanto, não asuma tarefas que não são suas. O laboratório Eli Lilly do Brasil instituiu a prática de estimular feedback entre colegas. "É comum um funcionário superágil se incomodar com o colega mais lento, que cuida mais dos detalhes, e vice-versa", diz o engenheiro Carlos Eduardo Rodrigues, de 31 anos,  gerente de planejamento financeiro, preços e processos de vendas da EIi Lilly. "Aqui, temos regras de comportamento vitais para decisões de negócios. Uma pergunta  simples pode resolver as  diferenças de velocidade. Por  exemplo, "Você precisa de  tantos detalhes para tomar  a decisão?". Dependendo  da resposta, a solução já está definida", diz Carlos

Alguém usa o esforço da equipe para se promover.

Em vez de jogar a responsabilidade para outros, alguém tenta roubar os méritos da equipe. Encontrar esse tipo de pessoa é comum no ambiente corporativo. "A melhor solução, quando você tem liberdade com o colega, é conversar abertamente", diz Fernando Mantovani, Robert Half. Segundo Thiago, da Hewitt, nessas horas é  preciso ser menos emocional  mais pragmático - como os americanos. "Ainda precisamos aprender muito com  eles. Na empresa, foque na  execução, e não no agrado às pessoas. Por isso, é importante ser objetivo, mas, claro, sem causar transtorno publico sobre o tema."

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