O momento em que eu quase desisti


Antes de abandonar um desafio, faça uma pausa para refletir e converse com um amigo que saiba te escutar.

Revista você S/A - por Eugênio Mussak

Recentemente fiz uma viagem aventura. Com meus amigos Júlio e Décio fui de moto até Cuzco, no Peru, onde encontramos nossas mulhe­res para visitar Machu Picchu. Percorremos mais de 5 000 quilômetros em sete dias. Foi uma das experiências mais emocionantes, e duras, que tive em toda a vida. Houve momentos mágicos, como a entrada na região amazônica e a travessia dos Andes. Hou­ve um momento difícil, em que quase desisti. Em Mato Grosso, já com algumas dores no corpo, comecei uma ma­nhã enfrentando um infernal trânsito de caminhões, com a meta de viajar mais de 900 quilômetros naquele dia, sob um sol de 40 graus. Para pio­rar, perdi uma das malas, que, com um pequeno defeito na presilha, saiu quicando pelo asfalto quase provocando um acidente. Assustado, na pri­meira parada informei a meus amigos que iria só até Cuiabá, despacharia a moto para São Paulo e voltaria de avião. Era meu limite e, para mim, já ti­nha sido uma vitória.

Foi quando senti o valor da equipe. "Vamos respeitar sua escolha", disse Júlio. "Mas primeiro vamos almoçar, de­pois você decide." E durante o almoço, um pouco mais re­laxado, a conversa foi sobre o valor do companheirismo, a força que o grupo emana, a coesão proporcionada pelos objetivos comuns, tudo isso fluindo naturalmente das his­tórias de vida de cada um. Ao fim da refeição, respondendo ao olhar interessado de meus amigos, eu disse: "Vamos em frente pessoal". A viagem foi maravilhosa, principalmente pelo prazer da aventura as­sociado ao aprendizado rela­cionado às dificuldades, mas confesso que aquele episó­dio ajudou a tornar a experi­ência ainda mais rica. Se eu não passasse por um momento tão duro, acho que não te­ria valido tanto a pena. Isso me fez recordar vários mo­mentos da vida, igualmente difíceis, que exigiram do­ses extras de energia, e que, por isso mesmo, foram mar­cantes e colaboraram para a construção de meu caráter. Você fez vestibular? Batalhou para conseguir um emprego? Abriu seu próprio negócio? Faliu? Casou? Montou sua primeira casa? Em todos es­ses eventos com certeza há momentos de dúvida e pen­samentos de desistência. Mas não dá para desistir de viver. Em todos esses momentos, ter uma equipe de verdade a seu lado pode ser determinante.

Que equipe? Ora, a que você constrói enquanto ca­minha pela longa estrada da vida - família, amigos, companheiro (a) . Não de­sista de nada já. Primeiro tenha um almoço descon­traído e troque uma ideia com alguém que saiba ouvir. 

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