O preço de ser Global


Um dos headhunters mais influentes da atualidade diz que há muitas oportunidades para os executivos brasileiros. Mas alerta: requer sacrifícios.

Revista Você S.A. - por Renata Avediani

Não há dúvidas de que o Brasil ganhou im­portância no cenário mundial. Ciente disso, o headhunter espanhol Ignacio Bao, considerado um dos mais influentes do mundo pela revista americana BusinessWe­eek, visitou o Brasil no mês passado. Mais do que estreitar os laços com os clientes do escritório brasileiro da Signium International, empresa de recrutamento de executivos da qual é pre­sidente, ele veio em busca de parceiros para fazer uma fusão e aumentar os negócios por aqui. "O Brasil é o país com maior potencial de crescimento nos próximos dez anos", diz. Em entrevista exclusiva a VOCÊ S/A, ele dá conse­lhos a quem quer seguir uma carreira executiva global.

Você S.A - Quem é o profissional que as em­presas brasileiras tem valoriza­do?

Ignacio Bao - Há muita demanda por brasileiros que foram traba­lhar fora. Esse profissional tem vivência e visão glo­bal, mas também conhe­ce bem o mercado local.

Você S.A - E um bom momento para ir trabalhar fora?

Ignacio Bao - É uma ques­tão difícil. O mercado brasi­leiro é o mais forte da Amé­rica Latina. Recebemos diariamente grande número de currículo de executivos estrangeiros interessados em trabalhar aqui, além de brasi­leiros que desejam voltar. Mas morar fora é sempre bom. Especialmente para quem quer seguir carreira executi­va global, a experiência internacional é fundamental.

Você S.A - Qual é o preço que um profissional precisa pagar caso queira ter uma carreira global?

Ignacio Bao - A globalização é uma re­compensa que permite construir relacionamentos. Se isso é visto como algo penoso, significa que o executi­vo não entende o novo cenário em que as empresas estão inseridas. Então é melhor ficar por aqui. Agora, se a pessoa quer crescer e ganhar dinheiro precisa fazer sacrifícios. Para quem quer uma carreira global, não há horários fixos, já que os clientes e os parceiros de negócios podem estar em qual­quer parte do mundo. A agenda fica sujeita ao fuso horário.

Você S.A - Quanto as empresas estão dispostas a pagar por esse pro­ fissional?

Ignacio Bao - De forma simplista, para os executivos, assim como para qualquer commodity, a compensação que as companhias estão dispostas a pagar depende da escas­sez de profissionais com o perfil necessário, da importân­cia e urgência de sua posição para a empresa. Se a companhia precisa de uma capacitação que poucos pos­suem, ela estará mais disposta a buscar profissionais internacionalmente e remunerá-los bem.

Você S.A - Que dica você dá para quem quer trilhar esse caminho?

Ignacio Bao -Ter o mínimo de fluência em outros idiomas é fundamental - inglês, espanhol ou chinês. Essa ainda é uma das maiores deficiências do executivo brasileiro. Quanto mais luga­res e culturas um profissional vivenciar e lidar, melhor será sua formação.

Você S.A - Como a tecnologia mudou a bus­ca por profissionais?

Ignacio Bao - Há alguns anos isso era feito com uma agenda, um telefone e a rede de contatos pessoais. Seria bem complicado identificar e abor­dar alguém na China, na Ín­dia ou no Peru. Hoje, há mui­ta informação na internet e po­demos buscar profissionais em cada canto do mundo.

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