Os caminhos para melhorar o ensino


O desafio é identificar bons professores.

Revista Época negócios - por Ricardo Paes de Barros*

Uma escola com bons pro­fessores e onde o calendá­rio escolar é efetivamen­te cumprido faz enorme diferença no aprendizado dos alunos. Esta é uma das principais mensagens contidas em quase 200 dos melhores estudos científicos, nacionais e inter­nacionais, recentemente analisados e organizados pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o movimento Todos pela Educação. Ao todo, 25 atributos dos sistemas educacionais, escolas e professores foram considerados, cobrindo cinco áreas: recursos da escola, plano e práticas pedagógicas, gestão da escola, gestão da rede de ensino e condições das famílias.

Esses estudos comprovam que a qualidade da escola e, em particular, do professor importa, e muito, para o aprendizado do aluno. Por exemplo, a diferença entre o aprendizado de um aluno que tem aula com os melhores professores e o de outro que tem aula com os piores corresponde a 68% do aprendizado típico em um ano letivo. Infelizmente, no entanto, nem a qualidade da escola nem a do professor podem ser inferidas a partir de características básicas comumente observadas. Uma boa escola não é necessariamente aquela com boa infraestrutura, nem um bom professor é necessariamente aquele com pós-graduação. Os atributos de uma boa escola e de um bom professor são muito mais sutis. Identificá-los repre­senta um desafio permanente para pais e gestores escolares.

Um corolário da importância da escola e do professor é a relevância da presença do aluno e do professor em sala de aula, da duração do calendário escolar e do tamanho da turma. Afinal, que eficácia poderia ter uma boa escola fechada, ou um bom professor que não dá aula, ou que tenha que dar aula para uma turma muito grande? Que eficácia poderia ter uma boa escola com bons professores e turmas pequenas, se os alunos não frequentam as aulas? A evidência é irrefutável: sempre que a escola e os professores são bons, quan­to maior a interação entre docentes e alunos maior o aprendizado.

Vale ressaltar que destes estudos não emerge um padrão único para a ação que independa do contexto e da forma de implantação. Os caminhos a ser trilhados podem ser diversos e precisam ser adequados à realidade de cada escola e sistema educacional. A identificação dos determinan­tes do aprendizado é uma área de pes­quisa científica extremamente ativa. O esforço atual deve ser entendido apenas como o início de um longo pro­cesso que pretende acompanhar siste­maticamente as novas descobertas na medida em que forem se revelando.

Para conhecer detalhes da pes­quisa, acesse o site http://www.paramelhoraroaprendizado.org.br/.

* Especialista em políticas sociais e subsecretário da secretaria de assuntos estratégicos da presidência da república.

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