Os Dois Lados da Moeda


Conheça os prós e os contras de trabalhar para o governo.

Revista Você S.A. - por Denise Ramiro

Francisco Barone, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, é direto ao falar das vantagens e desvantagens de se trabalhar para o governo. Segundo ele, a estabilidade sempre foi o principal atrativo do setor público. E continua sendo, especialmente em tempos de crise e da ameaça do desemprego que vem no seu rastro. Em contrapartida, os salários são mais baixos que os pagos pela iniciativa privada. "O salário inicial na carreira pública é maior, mas perde fôlego ao longo do tempo", diz. Estima-se que, depois dos cinco primeiros anos de trabalho, o salário no setor público perde 50% do valor, na comparação com a remuneração das empresas privadas.

A primeira pergunta que vem à cabeça diante disso é: vale a pena trabalhar para o goverrno? A resposta não é simples e a análise de alguns aspectos pode ajudar a resolver o dilema. Vamos começar pelos pontos positivos. Na última década, com o aquecimento da economia, as empresas estatais passaram a disputar os profissionais mais capacitados com a iniciativa privada. Quem saiu ganhando foi o trabalhador. "Ultimamente, as companhias de ponta do setor público estão investindo mais na capacitação e no processo sucessório de seus quadros", diz Joel Dutra, professor da Fundação Instituto de Administração, de São Paulo. A mudança de postura é responsável pela volta do interesse das melhores cabeças pelas empresas públicas. "De uns tempos para cá, um terço dos alunos da FGV segue para o setor público", diz Francisco Barone. Ele vê o movimento com bons olhos, uma forma de arejar o setor e de repor vagas que são abertas com os processos de aposentadoria.

Outra pergunta que o profissional nunca pode perder de vista, na opinião de Francisco, é o que ele quer e o que realmente gosta de fazer. Para alguns, a possibilidade de desenvolvimento vale mais do que um emprego estável ou um salário polpudo. O carioca Moacir Apolinário, de 40 anos, biólogo da Petrobras, encontrou na estatal de petróleo a chance de seguir sua verdadeira vocação: a de pesquisador. Antes de ingressar na companhia, em 2002, foi professor de biologia na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Moacir conta que a experiência foi fundamental para a sua aprovação no concurso público da estatal, realizado em 2001. Como professor do Ensino Médio, ele voltou a estudar os temas básicos da biologia para preparar suas aulas, enquannto dava andamento ao doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Moacir chegou no dia da prova afiado.

O biólogo sabe que seus colegas que trabalham em empresas privadas do ramo ganham o dobro do que ele, mas não se importa. Para Moacir, os benefícios que a Petrobras oferece compensam a diferença. Ele cita como exemplo o programa de participação nos lucros da estatal, que já lhe rendeu dois salários a mais por ano, além de assistência médica e educacional de qualidade para os filhos. Outra boa surpresa que Moacir encontrou na Petrobras foram as condições de trabalho. "Aqui tenho acesso ao mundo da pesquisa e toda infraestrutura necessária para trabalhar. Temos um navio oceanográfico à disposição, recurso que a universidade brasileira não tem", diz.

A função de Moacir é avaliar os impactos no ambiente marinho onde a estatal atua e buscar melhorias nos processos. O biólogo admite que há certa morosidade nas decisões dentro de uma empresa gigante como a Petrobras. Mas nada que tire o prazer de fazer o que realmente gosta. Para trabalhar de bem com a vida, Moacir dá uma dica preciosa: deixe claro para a empresa o que você pretende fazer. Na entrevista com o RH, ele foi direto ao falar da intenção e vocação para a área acadêmica. "O pessoal de RH foi muito sensível ao me dar o lugar", diz. A atitude e a formação acadêmica de Moacir certamente ajudaram. 

 Carreira Pública

O melhor

- Estabilidade no emprego e qualidaade de vida. Sem tantas horas exxtras, sobra tempo para a família. 
- O valor da aposentadoria é calcuulado pela média dos ultimos salários, o que garante uma vida confortável fora da ativa.
- Pacote de beneficios generoso para o funcionário e sua famíIia.

 O pior

- A segurança no emprego pode levar à acomodação e à desmotivação para o trabalho.
- O salário inicial é maior do que o da iniciativa privada, mas perde fôlego ao longo dos anos.
- As decisões são mais demoradas do que nas empresas privadas. 

  •  Jeito de empresa privada

Estatais de capital misto investem na capacitação dos funcionários para reter e atrair talentos.

Existe uma ilha de excelência no setor público, formada por empresas de ponta em segmentos estratégicos da economia brasileira - energia e gás (Petrobras), eletricidade (Fumas, Chesf, Eletronorte), saneamento (Sabesp, Sanepar), transporte (Metrô), agropecuária (Embrapa), entre outros. Em comum, elas têm duas características que fazem toda a diferença no desenvolvimento da carreira de seus empregados: são companhias de capital misto estatal e privado - e contam com profissionais da maior competência, oriundos dos melhores centros técnicos e educacionais do país. Para ingressar em seus quadros, os candidatos têm de passar por uma peneira fina: os concursos públicos. Um teste e tanto se levado em conta, por exemplo, o último concurso realizado pela Petrobras, uma das principais vitrines estatais do país. Em 2008, 450.000 candidatos se inscreveram no processo seletivo da empresa para disputa ar 2.611 vagas, o que significa uma concorrência de mais de 170 candidatos por vaga.

Na Petrobras, o salário inicial varia de 2.250 reais, para operadores, a 5.350 reais, para engenheiros. O plano de desenvolvimento de carreira é outro atrativo, porque oferece várias oportunidades para o profissional crescer lá dentro. Ao todo, os funcionários recebem 130 horas de treinamento por ano, ante 37,5 no Brasil e 30 nos Estados Unidos, segundo dados da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. "Em média, o setor público investe o dobro que as empresas privadas de ponta no desenvolvimento dos funcionários", diz Joel Dutra, professor da Fundação Instituto de Administração da USP.

As empresas públicas de administração indireta, como Fumas, também reforçaram nos últimos anos os seus processos sucessórios e de avaliação de desempenho. Não dava para ser diferente, já que, com o recente aquecimento da economia e a consolidação de grandes multinacionais no país, as empresas públicas passaram a disputar os melhores profissionais do mercado com a iniciativa privada. Na Petrobras, a atuação dos funcionários é medida por metas anuais de negócios e por um plano individual, acordado com o seu gerente imediato. A avaliação dessas duas vertentes é usada na promoção de cargos, que ainda leva em conta o histórico profissional, os cursos de pós-graduação, a fluênncia de idiomas, entre outros itens. Mais uma oportunidade que a Petrobras oferece é a mobilidade dentro da companhia. "Aqui é possível mudar de emprego sem mudar de empresa. Basta que o funcionário manifeste interesse", diz Mariângela Mundim, gerente de Planejamento de RH da Petrobras.

Complementam o pacote de atrativos o conjunto de benefícios e a qualidade de vida de seus empregados. É comum ver empresas que oferecem bolsas de estudo para os filhos de funcionários, que reembolsam até 80% da mensalidade para o Ensino Médio. Outro diferencial é a estabilidade de emprego. Apesar de os funcionários das empresas de adminisstração direta serem contratados em regime de CLT e, portanto, passiveis de demissão, o desligamento da empresa só ocorre por justa causa ou ineficiência técnica muito bem comprovada. Quem se animou com a ideia deve começar a pegar os livros desde já. O conselho é de Francisco Barone, professor da FGV do Rio de Janeiro. "Passar direto em um concurso é para poucas mentes privilegiadas. A maioria estuda muitos anos para conseguir entrar numa estatal de ponta", diz. Barone. 

  • De olho no contracheque

Salários altos atraem mais profissionais para a carreira publica.

Além da estabilidade, a remuneração é cada vez mais um atrativo para os candidatos a uma vaga de emprego na esfera governamental. "Era grande o déficit de bons profissionais de nível superior no funcionalismo público e para contratar as melhores cabeças foi promovida uma reecuperação dos salários nos últimos anos", explica Nelson Marconi , economista da Fundação Getulio Vargas, especialista em gestão pública. "Agora os valores estão acima da média do setor privado", diz. Quer um exemplo? Aos 29 anos, James Siqueira recebe, mensalmente, 14.049 reais como procurador da Fazenda, o triplo de quando trabalhava, há três anos, em um tradicional escritório de advocacia de São Paulo. "Não tinha um perfil empresarial, com talento para captar clientes. E, num escritório, ou o advogado se torna sócio, ou está fadado a sair do emprego", diz. Diferentemente do setor privado, porém, o elevado salário inicial progride numa velocidade mais lenta que a da iniciativa privada. A remuneração mais alta de um procurador da Fazenda, por exemplo, gira em torno de 17.000 reais, e a promoção depende da disponibilidade de vagas. Para reverter essa distorção, o governo federal vem tentanndo implementar a avaliação por desempenho. Em empresas públicas que possuem autogesstão, como Petrobras e Banco do Brasil, a prática de remuneração por mérito já começa a se tornar realidade. Alvaro Julio Meirelles, de 27 anos, acaba de entrar para a área de recursos humanos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a missão de elaborar um sistema de avaliação anual dos funcionários. Quem opta por uma carreira pública precisa também colocar na ponta do lápis a remuneração indireta. No BNDES, por exemplo, os funcionários, todos celetistas, contam com assistência médica, educacional (reembolso de 530 reais para dependentes com até 18 anos de idade), fundação de seguridade, auxílio-alimentação (de 648,29 reais), linhas de financiamento a taxas camaradas e participação nos resultados. Para os funcionários públicos estatutários, Nelson Marconi lembra que a aposentadoria é integral -  benefício que, por si só, já garante uma ampla vantagem do emprego público sobre o privado. 

  • Sem cursinho

Confira as dicas de especialistas para passar na prova.

Vencer a corrida por uma vaga não exige do candidato o ingresso em cursos preparatórios, ao contrário do que muitos imaginam. Esses cursos ajudam, sim, a aumentar o rendimento do estudo, mas não são indispensáveis. Quem afirma é Sylvio Motta, coordenador do tradicional preparatório carioca Companhia dos Módulos. "O fundamental é ter um mínimo de disciplina", diz ele, que também responde pelo segmento de concursos da Editora Campus/Elsevier. "A internet está cheia de sites especializados e o candidato tem acesso a livros de boa qualidade", completa. Para ser aprovado em um concurso não é necessária dedicação exclusiva, muito menos que o candidato peça demissão do emprego. Largar a atividade profissional pode se mostrar, aliás, uma solução desastrosa. Primeiro, porque faz aumentar a pressão sobre o concursando, já que para se manter ele vai depender ou de ajuda familiar ou de uma poupança. Segundo, porque uma pessoa que não está acostumada a estudar o dia inteiro dificilmente vai assumir essa rotina. "O segredo é adequar a capacidade de concentração ao tempo disponível", diz William Douglas, juiz federal considerado o "guru" dos concursos públicos. Para ajudar na concentração, o ideal é procurar um local isolado, onde você não seja interrompido. Uma biblioteca é ótima opção. O mais importante, no entanto, é estar presente naquilo que se está fazendo. Pouco adianta ficar à frente do computador e ceder a distraç& didato peça demissão do emprego. Largar a atividade profissional pode se mostrar, aliás, uma solução desastrosa. Primeiro, porque faz aumentar a pressão sobre o concursando, já que para se manter ele vai depender ou de ajuda familiar ou de uma poupança. Segundo, porque uma pessoa que não está acostumada a estudar o dia inteiro dificilmente vai assumir essa rotina. "O segredo é adequar a capacidade de concentração ao tempo disponível", diz William Douglas, juiz federal considerado o "guru" dos concursos públicos. Para ajudar na concentração, o ideal é procurar um local isolado, onde você não seja interrompido. Uma biblioteca é ótima opção. O mais importante, no entanto, é estar presente naquilo que se está fazendo. Pouco adianta ficar à frente do computador e ceder a distrações, da mesma forma que não faz sentido sair para relaxar e se sentir culpado por não estar estudando. Por fim, nunca desista. Mire-se no exemplo do próprio William Douglas, que antes de emplacar o primeiro lugar em vários concursos foi reprovado seis vezes. "Não se faz concurso para passar, mas até passar", diz o juiz. 

Regras de sucesso 

- Estude o básico.Disciplinas como português, informática, matemática, direito constitucional e administrativo eliminam muita gente. O dominio dessas materias exige ate seis meses de preparo.
- Faça simulados. É um exceiente treino de resistência física e psiquica para quem vai encarar ate cinco horas de prova.
- Descubra seu métodp. Algumas pessoas aprendem melhor escrevendo, outras, ouvindo. Há quem "renda" pela manhã e aqueles que preferem a noite.
- Aprenda ensinando. Participe de um grupo de estudos. A troca de informações e um jeito eficiente de assimilar conteúdos.

Confira alguns sites: http://www.williamdouglas.com.br ; www.euvoupassar.com.br; www.concurseiros.com.br.

    Leitura Dinâmica e Memorização

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