Os segredos das mulheres felizes


O que mães, profissionais e parcerias que alcançam o equilíbrio entre seus vários papéis têm a ensinar.

Revista Época - por Marcela Buscato, Martha Mendonça, Nathalia Ziemkiewicz e Tonia Machado

A felicidade, claro, não é uma aspiração apenas feminina. A miragem de um tempo per­feito e de uma vida perfeita faz sonhar e inquieta homens e mulheres. Mas, de alguma forma, e de maneira surpreen­dente, essa miragem parece mais inal­cançável para o sexo feminino. Mesmo depois de beneficiadas, nas décadas passadas, por aquilo que o historiador Eric Hobsbawm chamou de a mais vi­gorosa transformação da história recente - aquela que as emancipou da servidão doméstica, permitindo que estudassem, trabalhassem e assumissem funções pú­blicas antes reservadas aos homens -, as mulheres ainda sofrem com suas pró­prias dificuldades e contradições, tanto ou mais do que sofrem com as restrições impostas pela sociedade. "Toda mulher é uma rebelde, normalmente em revolta selvagem contra ela mesma": escreveu, com infinito sarcasmo e muita perspi­cácia, o escritor irlandês Oscar Wilde. As mulheres do século XXI parecem de fato ser as juízas mais severas de si mesmas - em casa, no trabalho, nas relações com os homens e no trato dos filhos.

O resultado disso é que a palavra culpa ocupa um espaço despropor­cional em suas vidas e atrapalha ainda mais a busca da felicidade.

Na reportagem especial a seguir, ouvimos pesquisadores e profissionais de diversas áreas - dentro e fora do Brasil - para entender como as brasileiras de carne e osso, em sua enorme diversidade, podem ser mais felizes do que são. Os especialistas revelaram muitas coisas ­ como a relação surpreendente entre o poder das mulheres e a quantidade de sexo que elas praticam ou sobre o erro que o feminismo cometeu ao subordinar a maternidade à realização profissional. Mas nada se compara à experiência das próprias mulheres em organizar melhor suas vidas. Por isso fomos ouvi-Ias.

Para a empresária Aline Cardoso Ba­rabinot, de 33 anos, o segredo que leva à sua forma particular e inestimável de felicidade é trabalhar muito, mesmo que isso signifique perder momentos preciosos ao lado das duas filhas. A den­tista Patrícia Azevedo Dotto, de 40 anos, deixou sua profissão para ser mãe em tempo integral e se descobriu em seu melhor papel. A administradora de empresas Mônica Nascimbeni, de 32 anos, divide-se entre o trabalho como gerente de marketing numa multinacional e o papel de mãe e companheira. Mas não hesita em deixar, tudo para trás, nem que seja por algumas poucas horas, para praticar corrida ou simplesmente ficar sozinha. A artista plástica Nuria Casadevall, de 48 anos, descobriu uma liberdade com que nunca tinha sonha­do ao romper com as pressões sociais
para ficar solteira - e muito bem acom­panhada dos amigos e dos parceiros que partilhem seus valores de vida, dos quais ela não abre mão por ninguém. Para a publicitária Florencia Lear, de 23 anos, a felicidade está em deixar o namora­do a cargo da cozinha. E até do tanque, se necessário. A atriz e modelo Sandra Garcia, de 27 anos, transformou as exi­gências de sua profissão em relação a seu corpo numa forma de valorização. Sabe que as horas diárias gastas na aca­demia e as calorias economizadas ao se privar de uma sobremesa são formas de cuidar dela mesma numa vida corrida, em que divide as atenções entre o mari­do e a filha Manuela, de 6 meses.

Da conversa com essas mulheres ­ e das novas pesquisas -, extraímos as dez orientações que formam a espinha dorsal desta reportagem especial. Uma primeira conclusão, que atravessa a vida de todas elas e permeia o trabalho dos pesquisadores, é a necessidade de equi­líbrio. Encontrar equilíbrio é o maior anseio das mulheres adultas. Numa pesquisa inédita realizada pela consul­toria de comunicação Cappellano, de São Paulo, mais de 30% das mulheres consideraram o equilíbrio como a parte mais essencial de uma vida plena. O amor, se­gundo colocado, aparece na preferência de 11 %. O equilíbrio precede até mes­mo o desejo pela felicidade, almejada por 3% das mulheres. Ele é visto como o caminho - ou o primeiro sintoma ­ da plenitude. "O que resume equilíbrio para mulher é ser capaz de lidar com os obstáculos impostos pelo cotidia­no", diz a psicóloga Ana Mercês Bock, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para quem se sente longe do equilí­brio, a boa notícia é que atingi-lo não exige revoluções, apenas ajustes. As mulheres desta reportagem já erraram no balanço diário das doses de estresse e riso, de família e trabalho. Mas desco­ briram como acertar a mão. Cada uma é detentora de um pequeno segredo para facilitar o malabarismo do dia a dia, afrouxar o cabo de guerra e domar o caos doméstico. Os segredos das mulheres fe­lizes, apresentados a seguir, podem servir também ao homem moderno, que nas­ceu a partir da transformação do papel feminino nas últimas décadas. "O perfil da nova mulher e do novo homem está sendo criado ao mesmo tempo", afirma Ana, da PUC-SP. Para eles - e sobretudo para elas -, eis os segredos das mulheres que encontraram o equilíbrio.

• 1 - Descubra o que você quer

Para equilibrar as forças que nos dividem, primeiro é preciso reconhe­cê-Ias. "Não há como estabelecer prio­ridades e dosar tempo e dedicação se não temos clareza sobre os valores que estão em jogo e quem somos", diz a psi­cóloga Lilian Frazão, da Universidade de São Paulo (USP). O processo pode ser longo e árduo - e doer quando a ba­lança pender para o lado errado. Mas, com o passar do t tempo, a dor leva à inevitável descoberta de quanto cada elemento da vida - a família, o trabalho e a individualidade - contribui para sua satisfação pessoal.

A empresária Aline Cardoso Barabi­not teve a sorte de descobrir cedo que, para ela, o trabalho era tão ou mais importante do que qualquer aspec­to da existência. Ela é casada há 12 anos com o francês Jean-Luc. É mãe de duas meninas - a mais velha tem 5 anos, a mais nova 2 meses - e se considera uma workaholic sem cura. Dirige uma consultoria de ne­gócios internacionais, onde trabalha, em média, dez horas por dia. Já se pegou respondendo a e-mails pelo ce­lular enquanto amamentava. As viagens ao exterior são frequentes, quase uma a cada dois meses. Tanto que sua filha mais velha, Isabelle, está acostumada a falar com a mãe pelo Skype. Quando a menina ficou doente e Aline estava fora, algo que já aconteceu duas vezes, o cora­ção de mãe apertou. Mas Aline lembrou que precisava confiar nas pessoas com quem deixara a filha: o marido e a babá. "Comecei a trabalhar cedo, aos 17 anos. Nunca consegui ficar longe do trabalho, até durante um intercâmbio na França", afirma. A confirmação sobre a impor­tância da carreira para ela veio quando a filha mais velha, Isabelle, nasceu. "Era um momento importante para mim, mas sentia que não sou só mãe", afirma Aline. "A maternidade é uma parte do que sou, mas não a única. Ficaria infeliz se tivesse de abrir mão das minhas res­ponsabilidades profissionais."

A psicóloga americana Cheryl Bueh­ler, pesquisadora da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que mu­lheres de vida atribulada, como Aline, podem, sim, ser felizes. Ela acompa­nhou 1.300 mulheres durante dez anos e se surpreendeu com os resultados de seu estudo, publicado em dezembro no jornal da Associação Americana de Psicologia. As mulheres que tra­balhavam fora e conciliavam a dura rotina de mãe e profissional se diziam mais felizes e tinham menos sintomas de depressão do que as mulheres que não trabalhavam. A explicação, segun­do Cheryl, é que as executivas tinham mais recursos financeiros do que as donas de casa para contratar babás e empregadas. Mas a felicidade femini­na vai além da possibilidade de contar com ajuda em casa, algo cada vez mais raro. Para sentir-se completa, Aline e outras mulheres precisam aceitar o segundo e, talvez, mais difícil mandamento da mulher plena.

• 2 - Combata o sentimento de culpa

Foram décadas de luta por oportunidades iguais na educa­ção e no mercado de trabalho. Não é justo que agora as mulheres se pu­nam por não dedicar o tempo que de­ veriam aos filhos. Ou ao trabalho. Ou ao marido. Ou aos três. "A culpa é o sentimento mais forte da mulher con­temporânea", diz a economista Regina Madalozzo, estudiosa das relações de trabalho e gênero do Instituto de En­sino e Pesquisa (Insper).

Há dois componentes para explicar a culpa feminina. O primeiro vem da bio­logia, como resumiu a escritora america­na Erica Jong numa de suas frases mais famosas: "Mostre uma mulher que não sinta culpa, e eu apontarei um homem". As regiões do cérebro responsáveis por notar expressões faciais têm quatro ve­zes mais neurônios nelas do que neles. A cara de choro de um bebê ao ser deixado pela mãe na escola ou o olhar de repro­vação do chefe por uma saída durante o expediente as afetam com mais intensi­dade. O psicólogo Itziar Etxebarria, pes­quisador da Universidade do País Basco, confirmou na prática a maior empatia feminina. Ele mediu a reação de 360 vo­luntários, entre homens e mulheres, a situações como esquecer o aniversário de alguém importante. No geral, elas se condoíam mais do que eles.

O segundo componente tem origens sociais. A pesquisa A batalha pelo talento feminino no Brasil, publicada neste ano pela organização internacional Center for Worklife Policy, que estuda o mer­cado de trabalho, rastreou as origens da culpa em 1.100 brasileiras com curso superior, que trabalham em multina­cionais. Cerca de 60% se dizem cul­padas por não dar mais atenção aos filhos; 44% sentem mais culpa por não cuidar dos pais idosos. Em torno de 40% admitiram pensar em frear a carrei­ra ou desistir dela por causa das dificul­dades para conciliar trabalho e família - e por sentir preconceito no ambiente de trabalho. "Algumas mulheres desis­tem, acreditando que foi uma opção. Não foi", afirma Regina, do Insper. "Muitas vezes, desistir da carreira é uma defesa feminina para o fato de que não são oferecidas opções para a mulher dri­blar os obstáculos da vida doméstica." Uma pesquisa feita em 2010 pelo Fórum Econômico Mundial e conduzida em 20 países, entre eles o Brasil, elencou as bar­reiras para que as mulheres alcancem os melhores postos de trabalho. A ausência de políticas corporativas para equilibrar a vida pessoal e profissional das funcionárias e a falta de horários flexíveis fo­ram campeões de queixas.

Conformar-se (ou apenas queixar­-se) não é solução. "Reduzir os obstácu­los à realização profissional feminina não depende apenas de uma mudança cultural, mas também da disposição da mulher para encarar as dificuldades", diz a socióloga Natália Fontoura, coordena­dora de Igualdade e Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Um bom começo é não se deixar abalar pelas próprias cobranças, ao entender que a origem da sensação de culpa é, em parte, externa. "Na história e na li­teratura, a mulher foi considerada cul­pada desde tempos imemoriais", afirma a filósofa Marcia Tiburi. Na Bíblia, é ela quem provoca a expulsão de Adão do
Paraíso, por dar ouvidos à serpente. Na mitologia grega, é quem abre a caixa de Pandora, liberando todos os males do mundo. "As mulheres de hoje herdam esse discurso histórico e se sentem obri­gadas a provar que podem ser excelen­tes profissionais, mães, companheiras e, claro, ainda precisam ser lindas", afirma Marcia. "Quem não consegue ser essa heroína se sente em dívida, como se não tivesse cumprido seu dever."

• 3 - Aprenda  abrir mão

Não há nada de errado em renunciar a algum aspecto da vida quando a es­colha é consciente (e autônoma). Pelo contrário. "A mulher precisa entender que o equilíbrio pode implicar fechar alguns caminhos, perdas", diz a psica­nalista WaIkiria Helena Grant, da USP. Não dá para ser "supermulher", por mais que todas tentem e sofram com iss rave; serpente. Na mitologia grega, é quem abre a caixa de Pandora, liberando todos os males do mundo. "As mulheres de hoje herdam esse discurso histórico e se sentem obri­gadas a provar que podem ser excelen­tes profissionais, mães, companheiras e, claro, ainda precisam ser lindas", afirma Marcia. "Quem não consegue ser essa heroína se sente em dívida, como se não tivesse cumprido seu dever."

• 3 - Aprenda  abrir mão

Não há nada de errado em renunciar a algum aspecto da vida quando a es­colha é consciente (e autônoma). Pelo contrário. "A mulher precisa entender que o equilíbrio pode implicar fechar alguns caminhos, perdas", diz a psica­nalista WaIkiria Helena Grant, da USP. Não dá para ser "supermulher", por mais que todas tentem e sofram com isso. O termo faz referência à figura do herói dos quadrinhos Super-Homem, mas foi usado em contexto sério pela escritora americana Marjorie Hansen Shaevitz. Em 1984, ela descreveu a síndrome da supermulher, no livro de mesmo nome. Fez sucesso ao criticar a ilusão de que a mulher deve sobressair tanto nos traços naturalmente femininos (como carinho ou beleza) quanto nas características atribuídas aos homens, como segurança e sucesso profissional.

A dona de casa Patrícia Azevedo Dotto, de 40 anos, enfrentou sua síndrome de supermulher há dois, quando deixou seu trabalho como dentista e empre­sária para dedicar-se exclusivamente à família. Casada há dez anos, ela cuidou do enteado, Khess, e agora se dedica ao filho, Klauss, de 11 meses. ""As pessoas me questionavam por ter estudado tanto e ter deixado a profissão", afirma. Ela diz ter sentido insegurança no pri­meiro momento, mas hoje afirma es­tar contente com sua escolha. "Entendi que precisava abrir mão de alguma coisa para me sentir realizada como mãe."

No início do século passado, as mulhe­res já eram criticadas por ficar em casa, enquanto os homens morriam na guer­ra. As donas de casa viraram "ameaças à sociedade", mas não se ofereciam mui­tas alternativas a esse papel doméstico. Um dos livros que ajudaram a reforçar o preconceito foi o best-seller Generation of vipers (Geração de víboras), do escri­tor Philip Wylie. Ele atacava as mães amorosas, tidas como responsáveis por mimar os filhos e torná-los fracos. Não era uma crítica feminista, mas sim uma manifestação antifeminina. As feminis­tas do fim da década de 1960 também não perdoavam a escolha pelo papel de mãe em tempo integral. Acusavam es­sas mulheres de desperdiçar educação. Hoje, a ditadura da mulher profissional começou a esmorecer. "Depreciar a mu­lher que quer ser mãe é uma distorção", afirma a intelectual americana Camille Paglia. "O feminismo deveria encorajar escolhas e ser aberto a decisões indivi­duais." Isso nos leva a outro mandamento importante:

• 4 - Não ceda às pressões

Todo mundo tem uma opinião sobre o que as mulheres deveriam fazer com suas vidas. Das feministas que lutam pela igualdade de oportunidades aos conser­vadores, que defendem a combinação "casamento & filhos". É duro resistir a essas pressões. Elas tendem a moldar de forma inconsciente as expectativas das mulheres. No passado, as mais estudadas, que ingressavam no mercado de trabalho, ficavam sem casamento. Os homens recusavam atitudes assertivas e independentes. Alguns manuais pós­-guerra recomendavam às moças que se fizessem de bobas. Hoje, as demandas são mais variadas e sutis, mas existem.

Nos Estados Unidos, um estudo a ser publicado nas próximas edições do Journal of Family Issues comparou o que os homens desejavam de uma mulher em 1939 e mais recentemente, em 2008. O trabalho revelou que, em 1939, eles preferiam uma boa cozinheira (8º lugar hoje) virgem (10º lugar hoje). Conti­nuam no alto da lista coisas como "ser uma pessoa com quem se pode contar" (era 1º e virou 2º), "estabilidade emo­cional e maturidade" (foi de 2º para 3º) e "temperamento agradável" (de 3º para 5º). Escolaridade e inteligência estavam em 11º lugar em 1939, saltaram para 4º lugar em 2008. Agora, o que os homens acham mais importante na hora de escolher uma mulher é "atração mútua e amor"". Antes, isso vinha em 4º lugar. Cla­ramente as coisas estão mudando, mas nem sempre na direção de valorizar o conteúdo das mulheres. A beleza, que no passado era o 14º item da lista masculina, agora está em 8º lugar - e subindo!

A artista plástica Nuria Casadevall, de 48 anos, comprou a briga contra as pressões sociais. Especificamente, contra a ideia de que mulher tem de casar e ter filhos. Solteira convicta, Nuria é presi­dente de um portal na internet. Diz que nunca sentiu que seria realizada como mãe. Ela aprendeu que seus valores ­ como o apreço pelo desenvolvimento intelectual e pela liberdade - não podem ser violentados para atender a precon­ceitos sobre a felicidade feminina. "Es­tou sozinha porque quero", diz. "Procuro um homem que tenha afinidades comi­go, caso contrário não há razões para me casar." O preconceito ainda existe. "As pessoas pensam que mulher solteira é uma rejeitada. Ou homossexual", diz Nuria. "Mas você vai se importar com o que as pessoas falam de você? Prezo muito a liberdade de fazer o que quiser quando bem entender." Hoje, Nuria está mais preocupada em cuidar de si mes­ma. Faz parte de um grupo que pedala à noite pela cidade de São Paulo, parou de fumar, vai à academia três vezes por se­mana e viaja sempre que pode. Segundo um estudo divulgado em 2010 pela Or­ganização para Cooperação e Desenvol­vimento, em países como Reino Unido, Áustria e Holanda, cerca de um quinto das mulheres na faixa dos 40 anos não tem filhos. No Brasil, 40% das mulheres com mais de 15 anos são solteiras e.34% ainda não tiveram filhos.

• 5 - Valorize-se

Cidar de si mesma não é mais uma questão de se adequar a padrões estéti­cos. É uma forma de proteger nosso bem mais precioso, o corpo. "Hoje, o conceito de beleza está atrelado à saúde", diz a psica­nalista Ioana Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza, da PUC­ - Rio. Uma vida saudável se traduz no bem-estar mental e social. Os cuidados com o corpo da atriz e modelo Sandra Garcia, de 27 anos, cujas fotos ilustram esta reportagem especial, são exigências da profissão. Mas ela conseguiu trans­formá-los em ponto de equilíbrio, em meio a seu cotidiano atribulado. Casada há três anos, concilia os c

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