Perfil Profissional: atitude DIY (Do It Youself!)


A sigla em inglês se refere ao comportamento de quem não fica esperando que os outros façam o que deve ser feito. Você é assim?

Revista Você S/A - por Eugênio Mussak

Mas que tipo de pes­soa frequenta uma loja como esta? Essa foi a pergunta que fiz à minha irmã que está radicada na Califór­nia desde muito jovem. Ela é dona de uma loja de beads, que são aqueles pequenos ob­jetos coloridos usados para fazer colares, brincos e biju­terias em geral, por aqui cha­mados de contas. O detalhe é que ela não vende as biju­terias prontas, a pessoa tem de criar sua própria peça e ela coloca, no máximo, o fe­cho. Meio sem entender por que eu havia feito aquela per­gunta, ela respondeu:

- Todo tipo de gente. Ga­rotas, senhoras, estudantes, turistas e até homens de ne­gócio. São pessoas que ado­tam a atitude DIY porque consideram que isso agrega valor à sua compra.

E eu continuei olhando para ela com cara de interrogação, pois, apesar de haver entendido a resposta, estava claro que havia algo que me escapara. Afinal, o que seria atitude DIY? Minha querida irmã deve ter percebido minha dúvida por­ que tratou logo de explicar: - Do It Yourself Trata-se de uma atitude muito valorizada por aqui. As pessoas gostam de colocar a mão na massa e fazer pequenas coisas com as próprias mãos.

Claro. Faça você mesmo! Não fique esperando que ou­tros façam o que você mes­mo pode fazer. Nos Estados Unidos não há a facilidade de contratar mão de obra que re­solve nossas pequenas (ou grandes) necessidade coti­dianas. Empregada domés­tica é um luxo raro. Mesmo pagar uma diarista - em ge­ral uma imigrante - tem de ser aprovado pelo orçamento doméstico. É necessário pôr a mão na massa.

Por isso há uma profusão de empresas que facilitam a vida do americano comum, que precisa resolver suas pró­prias coisas. Você compra fer­ramentas no The Home Depot e conserta a janela empena­da e apara a grama. Aluga um caminhão no U-Haul, convida uns amigos e faz sua própria mudança, e por aí vai. E no mundo corporativo? A mu­lher do cafezinho é uma má­quina no corredor. Não há o boy para fazer cópias ou com­ prar lanches. Faça você mes­mo, meu jovem folgado.

Talvez seja só especula­ção, mas o DIY, que nasceu no pós-guerra como meio de acelerar a retomada do pro­gresso e nos anos 1970 teve um apelo de contracultura, como protesto contra o mo­delo capitalista representado pela indústria, acabou tendo um efeito colateral: estimulou o empreendedorismo e o es­pírito inovador, muito fortes naquele país, É algo a se pen­sar - e a se imitar. Por falar nisso, você arrumou sua cama antes de sair de casa hoje?

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