Planejamento: 7 resoluções para 2012


Com pequanas mudanças em sua rotina e uma boa dose de determinação, é possível conquistar o estilo de vida que você tanto deseja - e com dinheiro.

Revista Você S/A = por Chrystiane Silva e Vanessa Vieira

O fim do ano chegou e com ele a hora de fazer as resoluções para o ano que vai começar. É a chance de redefinir priori­dades, tirar da frente as amolações que causam estresse e listar os objetivos, os sonhos e as ambições. Abra um espaço no período de festividades para pensar sobre o que realmente faz você feliz. Essa reflexão é importante para a sua vida financeira. Transformar seus sonhos em realidade só depende de quatro palavras: conhecimento, atitude, sequenciamento e hábito, segundo o consultor financeiro André Novaes, presidente da Life Finanças Pessoais, em Campinas, São Paulo. "O conhecimento mais importante é o autoconhecimento: é entender onde você está e aon­de quer chegar", diz André. O consultor simplifica um processo mais profundo, que tem a ver com compreender qual o significado que você quer dar à sua vida. Só assim é possível montar uma estratégia financeira que faça sen­tido. O passo seguinte é transformar o conhecimento em atitude, definindo e pondo em prática as ações que vão permitir as mudanças necessárias.

Por que tantas metas que são estabelecidas no começo do ano acabam sendo abandonadas? A resposta pode ser a falta de sequenciamento, como diz André. "Para pros­seguir, é preciso ter o apoio de um profissional, um amigo, ou de um método que o ajude a persistir no projeto", diz o consultor, cujos serviços de assessoria financeira custam, em média, 300 reais por mês. Só com o sequenciamento fixam-se os hábitos que concretizam a mudança de vida. "Com o conhecimento sobre seus propósitos e um pouco de disciplina, você constrói um hábito e, com o tempo, ele vai torná-lo uma pessoa melhor", afirma André. Um bom hábito para 2012 será conhecer detalhadamente como estão suas finanças, quais ajustes precisam ser fei­tos e o que pode ser melhorado. A VOCÊ S/A ouviu sete consultores e eles foram unânimes ao afirmar que a crise internacional na Europa e nos Estados Unidos pode ter reflexos no Brasil e, consequentemente, em seu dinheiro. "Certamente a intensidade da crise vai afetar a economia e as organizações, mas o empresariado tem forças para superar esse momento. A política fiscal e monetária tam­bém possui instrumentos eficientes, que poderão ser usados para ajudar a economia a crescer em 2012", disse Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante evento promovido em novembro pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), em São Paulo.

Se suas contas estão no vermelho, é hora de traçar uma meta para colocá-Ias no azul. Se você tem dinheiro so­brando, é bom começar a investir; e se você já faz aplicações financeiras, não é hora de fazer apostas arriscadas. É claro que em períodos turbulentos sempre há boas oportunidades, mas para encontrá-Ias é preciso conhecer, primeiramente, quais são suas metas financeiras. "Para quem administra bem a adrenalina do sobe e desce da bolsa, as ações ligadas à economia brasileira dos setores de varejo, bens de consumo e bancos são boas opções", diz Mário Felisberto, diretor de investimentos da HSBC Global Asset Management, em São Paulo. Para quem é mais ousado nas finanças, uma alternativa são os fundos de crédito, com rentabilidade de até 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

A seguir, você confere sete resoluções que fizeram a diferença na vida de profissionais cujo desejo era ter uma vida mais feliz, menos estressante e com mais di­nheiro. Uma delas pode servir de inspiração para você. Também consultamos 22 executivos de finanças que indicam medidas simples para a sua grana render mais. Coloque em prática esses conselhos e comece 2012 fo­cado em ficar de bem com a vida.

• RESOLUÇÃO 1

Sair do vermelho com a ajuda de uma planilha

Em 2008, depois de ler o livro O Homem Mais Rico da Babilônia, de George Clason (Ed. Ediouro), sobre planejamento financeiro, Sângelles Moraes, de 26 anos, analista de implantação da Totvs, em­ presa multinacional de software, em Goiás, decidiu orga­ nizar seus gastos em uma planilha. Seu objetivo era sair do vermelho porque acumulava 9 000 reais em dívidas no cheque especial de dois bancos e no cartão de crédi­to. "Eu não tinha o controle de minhas contas; não sabia com o que gastava", diz. Nos primeiros meses, Sângelles anotava diariamente todas as despesas em uma planilha Excel. O passo seguinte foi fazer um empréstimo bancá­rio de 10000 reais, para ser pago em dois anos, e usar a grana para quitar as dívidas. "Troquei várias dívidas por uma só com o banco." Conhecendo melhor seus gastos, Sângelles passou a predefinir o quanto poderia desembolsar mensalmente com cada tipo de despesa, como alimentação, combustível e lazer. Em poucos meses, já sobrava dinheiro e ele definiu que poderia poupar 33% do salário e investir na caderneta de poupança.

O apoio da esposa foi essencial para que a meta fosse alcançada. "Não adianta um lançar todos os gastos se o outro continuar a gastar sem controle", afirma Sângelles. Outra medida foi evitar os cartões de crédito, cujo uso comprometeria a receita dos meses futuros. "Só usamos o cartão para despesas fixas, sobre as quais temos absoluto controle." Tanta disciplina foi recompensada. Em menos de um ano, o casal deu entrada na casa própria (o valor inicial era de 120 000 reais) com a ajuda do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. O financiamento foi de 90% do valor do imóvel em 30 anos. Com as contas organizadas, começou a sobrar dinheiro para curtir a vida. Há dois anos, eles viajam durante as férias, algo antes impensável diante de tantas dívidas. Em 2012, o destino será Maceió. Também conseguem investir 30% de tudo o que ganham.

Para o consultor André Novaes, da Life Finanças Pesso­ais, para que uma planilha financeira funcione é preciso preenchê-Ia diariamente. "Se você fizer essa tarefa somen­te no fim da semana ou do mês, não vai conseguir mudar nada nas suas finanças porque, quando lançar os dados, os gastos excedentes já terão ocorrido", afirma. Outra orien­tação é que esse hábito precisa ser mantido durante pelo menos três meses seguidos para que se consiga identificar os padrões de gastos de cada pessoa. "Se começar a fazer o controle em dezembro, que é um mês de muitas compras, a planilha não vai refletir os reais gastos."

Uma solução para facilitar o uso da planilha é dividir as despesas anotadas entre frequentes e eventuais. Na primeira categoria ficam aquelas que você tem todo mês, como contas de telefone, luz, supermercado e combus­tível. Na segunda, entram as que ocorrem uma vez por ano, como presentes de aniversário de familiares, pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Auto­motores (IPVA) e material escolar. "Dessa forma, é pos­sível prever despesas futuras, se antecipar e poupar para não contrair dívidas quando esses gastos extras aconte­cerem", sugere André Novaes.

Para equilibrar suas contas:

- Preencha a planilha todos os dias.
- Divida os gastos em frequentes e eventuais
- Persista, a planilha funciona em três meses.

RESOLUÇÃO 2

• Investir em seu hobby para ganhar dinheiro 

Até 2007, a advogada Fabiula Bemardes, de 31 anos, trabalhava como procuradora do Instituto Nacio­nal do Seguro Social (INSS), em Campinas, no interior de São Paulo. Ela conseguiu o cargo depois de ser aprovada em um concurso público para o qual havia se preparado durante dois anos. Porém, depois de tanto esforço, Fabiula não se sentia realizada na profissão. Há quatro anos, ela deixou o cargo para se dedicar a um hobby que sempre foi sua paixão - o artesanato. "Comecei ganhando menos, mas estava muito mais feliz porque fazia o que gostava", garante ela, que atualmente produz peças de decoração e ensina técnicas como patchwork e decupagem.

Antes de fazer a transição profissional, Fabiula ouviu uma consultora de economia doméstica, que pesquisou o mer­cado de artesanato em Campinas. "Avaliamos a concorrên­cia, o interesse das pessoas pelo produto e o investimento inicial. Eu poderia trabalhar com uma mercadoria que não é perecível e exploraria quase com exclusividade esse nicho", diz. Para conseguir o dinheiro, Fabiula vendeu o carro por 23 000 reais e pegou mais 15 000 emprestados da mãe para alugar uma loja. Inicialmente, ela só trabalhava com a venda consignada de produtos de outros artesãos, para não fazer grandes investimentos em matéria-prima. "Paralelamente, dava aulas para aumentar minha renda", recorda. Os pri­meiros ganhos eram reinvestidos integralmente no negócio.

Há seis meses, a advogada inaugurou sua segunda loja em Campinas, em que fornece peças e tecidos para empre­sas especializadas em eventos e produtoras de cinema. O novo empreendimento foi financiado em 20 parcelas de 6 000 reais. A resolução de Fabiula de se dedicar ao que gosta foi acertada. Hoje, o faturamento mensal das duas lojas chega a 80 000 reais e o dinheiro que sobra cerca de 15 000 reais, é investido na caderneta de poupança. Para gerenciar melhor os negócios, ela fez um MBA em finanças corporativas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo. "Se voltasse no tempo, faria tudo de novo. Trabalho muito, mas estou bastante motivada porque faço aquilo que amo."

Para o educador financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, em São Paulo, a transição de um emprego fixo para um negócio próprio deve ser planejada com cuidado. "Dois terços das empresas quebram em até seis anos após a inauguração", afirma Mauro. Por isso, ele aconselha paciência e planejamento a quem pretende fazer essa mudança. "Faça um plano de negócio com a ajuda do Sebrae, identifique quan­to você vai precisar de capital inicial e capital de giro e procure poupar esse dinheiro antes de sair do emprego", ensina o consultor financeiro.

Para começar o plano B:

- Planeje a transição de uma atividade para outra
- Tenha uma reserva finaceira equivalente a 12 meses de suas despesas.
- Faça um plano de negócios.

RESOLUÇÃO 3

• Mudar de trabalho para ter mais tempo 

Depois de dez anos de carreira numa grande segu­radora, o administrador de empresas Fabio Fer­rante Cilento, de 32 anos, decidiu que era hora de trabalhar por conta própria. Com opções limitadas de crescimento dentro da empresa, ele resolveu abrir sua corretora e aumentar os ganhos. Além disso, ele queria trocar uma rotina de quase dez horas diárias de trabalho por maior flexibilidade e mais qualidade de vida. "Para fazer uma transição dessas é preciso arriscar, mas dentro de uma área que você conheça e domine", afirma o admi­nistrador. "Para exercer a minha atividade, não precisei de um grande investimento inicial, apenas de um computador, internet e telefone. Gastei 6 500 reais."

Antes de sair da companhia em que trabalhava, Fabio poupou 30% do salário durante seis meses. "Eu também não tocava nas bonificações que recebia. Guardava tudo na poupança", diz. As economias, somadas ao dinheiro da .rescísão, deram fôlego necessário ao corretor no período em que o negócio ainda não dava lucro. Dois anos depois, ele está satisfeito com a mudança. "Como eu previa, já ganho 50% mais do que quando era empregado, com a possibilidade de trabalhar e encerrar o expediente na hora que quero", diz Fabio, pai de um bebê de 6 meses.

Para quem deseja trocar o emprego fixo pela vida de autônomo, a sugestão de André Novaes, da Life Finanças Pessoais, é conduzir a mudança como um processo, e não como um evento. "O ideal é avaliar quais são suas desp "justify">Antes de sair da companhia em que trabalhava, Fabio poupou 30% do salário durante seis meses. "Eu também não tocava nas bonificações que recebia. Guardava tudo na poupança", diz. As economias, somadas ao dinheiro da .rescísão, deram fôlego necessário ao corretor no período em que o negócio ainda não dava lucro. Dois anos depois, ele está satisfeito com a mudança. "Como eu previa, já ganho 50% mais do que quando era empregado, com a possibilidade de trabalhar e encerrar o expediente na hora que quero", diz Fabio, pai de um bebê de 6 meses.

Para quem deseja trocar o emprego fixo pela vida de autônomo, a sugestão de André Novaes, da Life Finanças Pessoais, é conduzir a mudança como um processo, e não como um evento. "O ideal é avaliar quais são suas despesas mensais frequentes e poupar o necessário para cobri-Ias durante 12 a 18 meses. Assim, a transição vai ser mais tran­quila, porque é provável que nos primeiros meses você não consiga a mesma renda que tinha quando era funcionário."

Para Mauro Calil, consultor financeiro, também é impor­tante que o profissional invista em um seguro. "O autôno­mo não tem plano de saúde da empresa nem férias nem 13º salário; ele depende exclusivamente de sua capacidade de trabalho e networking, que é sua rede de contatos. En­tão, é importante que esteja preparado no caso de alguma eventualidade que o impeça de trabalhar temporariamen­te, como uma doença ou um acidente", alerta Mauro.

Para ser dono do próprio nariz:

- Poupe 30% do salário para ter uma reserva finaceira durante o período de transição.
- Estude o ramo de atividade do novo negócio.
- Contrate um plano de saúde.

RESOLUÇÃO 4

• Pensar em fazer um MBA no exterior 

Desde que concluiu seu MBA em 2007, o adminis­trador de empresas Carlos Augusto Damasceno, de 30 anos, diretor comercial da Green Gold En­genharia e Projetos, de Belo Horizonte, queria fazer uma extensão do curso nos Estados Unidos para incluir no currículo uma experiência internacional, mas o custo era proibitivo. Além do valor pago por duas se­manas de estudo na Babson School, referência mundial em empreendedorismo, haveria gastos com passagem, hospedagem e despesas no país. "Os custos chegavam a 20 000 reais", diz. Em dezembro de 2010, ele decidiu que era hora de tentar realizar seu sonho.

Ele enxugou as despesas durante seis meses. Com isso economizou, mensalmente, 2 000 reais, que eram inves­tidos em um Certificado de Depósito Bancário (CDB). Paralelamente, negociou uma coparticipação da empre­sa no projeto. "Eu me comprometi a devolver com resul­tados o investimento feito em mim pela companhia em que trabalho", lembra. O administrador pagou 12 000 reais e a organização destinou 8 000 para estadia e ali­mentação. Desde que voltou dos Estados Unidos, há quatro meses, Carlos Augusto já cumpre a promessa. Um colega que conheceu durante o curso se tornou seu cliente. O contrato fechado com o ex-companheiro de classe corresponde a oito vezes o valor investido pela Green Gold na extensão do MBA.

Para quem pretende fazer um curso mais longo no exterior, a dica do educador financeiro Mauro Calil é negociar com a organização em que trabalha um investi­mento parcial no projeto ou, ao menos, uma licença não remunerada que garanta que seu posto estará assegu­rado após o retorno. Para conseguir juntar a grana, uma possibilidade é recorrer a um consórcio. "Você pode pa­gar todo mês e esperar ser contemplado, ou dar um lan­ce quando for mais conveniente", diz Mauro. Mais uma sugestão para reduzir as despesas durante a estada no exterior é tentar negociar, ainda no Brasil, um emprego de meio período" no país de destino. "Nos Estados Unidos, onde existe a cultura do trabalhar e estudar, a própria universidade pode auxiliar nessa negociação", diz André Novaes, da Life Finanças Pessoais. Para quem não con­seguir nenhuma ajuda de custo ou garantia de emprego após o fim do curso, a poupança a ser feita antes da viagem tem de corresponder a 24 meses do padrão nor­mal de despesas, calcula Reinaldo Domingos, do Insti­tuto Dsop de Educação Financeira.

Para estudar fora:

- Procure parceria com a empresa.
- Negaocie uma licença não remunerada.
- Recorra a um consórcio para pagar o curso.

RESOLUÇÃO 5

• Trabalhar meio período

Quando inaugurou sua agência de intercâmbio, a World Study, em Belo Horizonte, em 2008, Daniel Trivellato Rolla, de 29 anos, passava 12 horas por dia na empresa. Um ano depois, ele estabeleceu como meta trabalhar menos horas para ter mais tempo para investir em sua qualificação profissional. "Sou for­mado em comunicação social, mas acabei migrando para a área de administração, por isso senti necessidade de fazer treinamentos e cursos sobre gestão de pessoas, ges­tão estratégica, marketing e finanças", conta Daniel. O primeiro passo foi preparar a equipe para tomar decisões com maior autonomia. O segundo foi iniciar uma poupan­ça. "Desde que a World Study começou a dar retorno, em 2009, passei a guardar os lucros e investir 40% deles todos os meses em fundos DI, com baixo risco." Paralelamente, Daniel identificou uma segunda oportunidade de negócios. Junto com quatro sócios, ele abriu três lojas de uma fran­quia de óculos e relógios. Cada loja custou 150 000 reais. O dinheiro veio dos investimentos em fundos. "Com o tempo livre e a poupança pude diversificar meus negócios e elevar os ganhos", diz Daniel, que prefere investimentos conservadores. "Gosto de poder sacar o dinheiro rapida­mente caso surja um bom negócio."

A orientação do consultor André Novaes, da Life Finan­ças Pessoais, para quem quer trabalhar menos horas é fazer um mapa da semana de trabalho. "Isso é especialmente válido para profissionais liberais e prestadores de serviço." A ideia é avaliar quais são os dias e horários mais bem e mais mal remunerados semanalmente. "Assim fica fácil eleger as atividades ou empregos dos quais você pode abrir mão sem ter uma grande perda de renda", diz André.

Outro caminho, segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, do Instituto Dsop, é estudar cuidadosamente sua planilha de gastos mensais para reduzir as despesas e poder trabalhar menos horas. "Nossa experiência mostra que as pessoas que nã

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