Quem Quer Ser um Milionário?


A analista financeira norteamericana Suze Orman é uma espécie de Oprah Winfrey da economia. Bem menos boazinha e abertamente gay, suas dicas de como lidar com dinheiro fizeram dela uma estrela quando a crise se instalou. Apresenta na TV o programa "The Suze Orman Show",  tem nove livros de conselhos financeiros, inéditos no Brasil, best-sellers nos EUA. Suze conversou com Serafina pelo telefone, de sua casa na Flórida.  

Jornal Folha de São Paulo - por Teté Ribeiro 

Folha - Há uma nova classe média muito ativa no Brasil. O que esses consumidores precisam saber? 

Suze Orman - Meu lema serve para todos: primeiro, pessoas; depois, dinheiro; por último, coisas. A nova classe média brasileira pode aprender com os erros da velha classe média norte-americana, que está se segurando pelos dentes para não cair na pobreza.

Folha - Que erros são evitáveis?

Suze Orman - Todos. Para começar, nunca compre nada para impressionar. Depois, faça planos só com o dinheiro que tiver na conta, nunca com o que vai cair. Só compre a prazo o fundamental, não use crédito para satisfazer seus desejos de consumo. Temos que ser melhores e maiores do que nossas vontades.

Folha - É difícil ficar rico?

Suze Orman - Não é. As pessoas acham que só quem tem um monte de dinheiro consegue ganhar um monte de monte de dinheiro. Bobagem. O mais importante de tudo é tempo. Quem guarda um pouquinho todo mês desde jovem fica muito bem de vida mais para a frente.

Folha - Já ouvi muita gente dizer "vista-se para o emprego que você quer, não para o emprego que você tem". Vale?

Suze Orman - Isso é uma idiotice, deve ter sido criado por um estilista. Compre o que tem dinheiro para comprar. Se quiser um emprego melhor, prove com seu desempenho.

Folha - Você escreveu um livro só para mulheres. As regras são diferentes?

Suze Orman - As mulheres não se valorizam. Os filhos, os pais, os maridos, todos têm tudo o que querem, menos elas. Só pensam em seu bem-estar quando ficam doentes, viúvas ou se divorciam. É ridículo, mas é assim. Quem não tem dinheiro para se sustentar no fim da vida não pode se dar o luxo de emprestar para outras pessoas. Isso não é generosidade, é burrice.

Folha - Você diz que o poder vem de fazer as coisas por você mesmo. Mas os poderosos não vivem rodeados de pessoas para fazer as coisas por eles?

Suze Orman - Considero-me bastante poderosa e não tenho escritório, respondo a todos os meus e-mails, faço eu mesma as capas dos meus livros e o design do meu site e cuido de cada centavo. Os clientes do Bernie Madoff achavam que eram superpoderosos, ganhavam montes de dinheiro, mas preferiram transferir essa obrigação a outra pessoa. Veja o que aconteceu.

Folha - Quanto dinheiro uma pessoa precisa guardar?

Suze Orman - Todo mundo precisa ter um "fundo de emergência" suficiente para sustentar a casa por oito meses. Antes disso, não dá para pensar em viajar nem comprar casa própria. Esse dinheiro você usa se acontecer um acidente, perder o emprego, decidir se divorciar. Essse dinheiro garante que a mulher fique casada por amor, e não para não cair na miséria.

Folha - Você é muito aberta em relação à sua vida pessoal. Sempre foi?

Suze Orman - Eu sou gay, sempre fui gay, nunca beijei um homem na vida. E nunca escondi isso das pessoas próximas de mim. Só da mídia, porque queria ficar conhecida como a "money lady", não como uma ativista lésbica. Mas, em 2005, ganhei um Emmy e, na hora de agradecer, disse "Kathy, eu te amo" sem nem perceber. Kathy é a minha parceira.

Folha -  Tudo no seu visual parece escolhido para mostrar que você tem dinheiro. Isso não contradiz tudo que você diz?

Suze Orman - Se eu parecer pobre, ninguém vai acreditar no que eu digo.

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