Raiva Aumenta Risco de Doença Cardíaca


Pesquisa conclui que pessoas agressivas e competitivas têm 19% mais chance de ter problemas com infarto e isquemia

Jornal Folha de São Paulo - por Julliane Silveira

Durante um momento de agressividade, o organismo libera adrenalina, que eleva frequência dos batimentos e causa contração das artérias.

Especialistas observam que pacientes que chegam ao hospital com problemas nas coronárias (artérias que irrigam o coração), como infarto ou isquemia, frequentemente apresentam personalidade compeetitiva, explosiva ou agressiva.

Uma meta-análise de 44 estudos, que deve ser divulgada amanhã no "Journal of the American College of Cardiology", vem ao encontro dessa constatação. O trabalho mostra que pessoas propensas a ter acessos de raiva e agressividade têm 19% mais risco de sofrer de um evento cardiovascular, mesmo quando são saudáveis.

Baseado em dados de quase 80 mil pacientes, o estudo ainda aponta que pessoas com essas características e também com doenças cardiovasculares têm risco aumentado em 24%.

Segundo os pesquisadores, uma das formas de a hostilidade contribuir para problemas cardiovasculares são os maus hábitos adquiridos. Para eles, pessoas mais agressivas, em geral, dormem mal, exercitam-se menos, fumam mais e aderem menos a tratamentos de saúde.

Mas os rompantes de raiva também contribuem para o aumento da chance de um evento cardiovascular ocorrer. "Grandes estudos mostram um risco até 70% maior de doenças carrdiovasculares em pessoas com tendência a competitividade e agressividade", diz a psicóloga Ana Lúcia Ribeiro, diretora do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Durante um momento de agressividade, o organismo libera adrenalina, hormônio que eleva a frequência e a força dos batimentos cardíacos e causa contração das artérias, diminuindo seu calibre. Nessa situação, a pressão arterial também aumenta, e o coração preecisa de mais oxigênio, contribuindo para um cenário pouco amistoso àqueles que já sofrem de algum comprometimento das artérias, ainda que pequeno e não diagnosticado. Um eventual entupimento dos vasos leva a um desequilíbrio na oxigenação do coração, podendo causar de isquemias a infarto.

Os efeitos da descarga de adrenalina podem ser sentidos em qualquer faixa etária e sexo. "O universo competitivo, no qual estão mais jovens e também mulheres, é sem dúvida onde se encontram mais prooblemas cardiovasculares", afirrma Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia clínica do HCor (Hospital do Coração).

Dor no peito

A dor no peito pode ser o primeiro sinal de que a pressão excessiva está causando algum dano ao coração. O sintoma, porém, pode indicar esofagite, gastrite ou hérnia de hiato.

O tratamento multidiscipliinar do paciente com histórico de doenças cardíacas ou fatores de risco já é adotado nos principais centros e é uma tendência entre os cardiologistas.

E necessário identificar a causa da raiva ou agressividade, com uma autoanálise ou ajuda de psicoterapia. E preciso, ainda, monitorar outros fatores de risco, como peso, pressão arterial e prática de exercícios. "Esse conjunto ajuda a diminuir os acessos de raiva. O paciente fica mais satisfeito consigo e com a vida", diz Pavanello.

Para ele, o médico deve ouvir o paciente e saber como é seu dia-a-dia. "Estamos cada vez mais atentos a raiva, agressividade e estresse porque esses fatores são difíceis de serem quantificados. É possível medir o colesterol, mas a ansiedade, a depressão e a raiva, não. O paciente nem sempre está preparado para mostrar o que acontece. E nem todo médico, para ouvir e lidar com isso", analisa.

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