Receita Feminina


Pesquisa da consultoria McKinsey mostra que ter executivas em postos de comando faz muito bem para a saúde financeira das empresas.

Revista Época Negócios - por Aline Ribeiro 

Aos 16 anos, a paulista Íris Bar­bosa trabalhava atrás do bal­cão de uma loja da rede McDonald"s em São Paulo. Ela fazia de tudo: atendia os clientes, fritava batata, montava sanduíches e cuidava da limpeza. Vinte e cinco anos se pas­saram e Íris, hoje com 41 anos, con­tinua no McDonald"s, mas na fun­ção de diretora de treinamento da rede para a América Latina. Acima dela hierarquicamente estão ape­nas o vice-presidente e o CEO da companhia. Abaixo, um time de cerca de 3 mil pessoas. "As coisas foram acontecendo de forma na­tural na minha carreira", diz Íris. "Eu estava fazendo o meu trabalho muito focada e de repente alguém me chamava para um outro cargo." Íris Barbosa ilustra um movimento crescente nas empresas: a ascensão de mulheres a postos gerenciais. O que essas empresas podem ainda não saber é que a decisão de promo­ver o sexo feminino leva a ganhos financeiros maiores. É o que aponta um estudo recente da consultoria McKinsey apresentado no evento Women"s Forum for the Economy and Society, realizado na França. A McKinsey tem estudado, nos últimos anos, a relação entre o de­sempenho financeiro de organizações de vários portes e o número de mulheres em cargos de alta gerência. Uma das con­clusões é que as companhias que têm um número alto de mulheres no comando são também as que possuem melhores desempenhos organizacional e financei­ro, além de maior crescimento no valor das ações. Para chegar a essa conclusão, a consultoria se baseou em entrevistas com 58.240 funcionários de 101 empresas no mundo.

O levantamento analisou nove dimen­sões, de liderança e responsabilidade a inovação. No quesito liderança, por exemplo, uma empresa que possui três ou mais mulheres em seus quadros de alta gerência alcançou 72% de eficiência, ante 68% naquelas eminentemente masculinas. Em rela­ção a ambiente de trabalho e valores, as empresas que empregam mais mulhe­res registraram 55% de eficiência, ante 48% nas outras. Com variações maiores ou menores, as companhias que promo­vem suas funcionárias lideraram em todos os nove quesitos analisados. Mas ainda é verdade que quan­to mais de perto se olhe o topo da companhia, menos mulheres ainda se vê. Da lista da Fortune 500 deste ano, apenas 12 são dirigidas por executivas. Uma pes­quisa da Universidade de Maryland e da Columbia Business School com as 1,5 mil maiores corporações americanas mostra que só 2,5% têm uma mulher na presidência. Mas evidências como as apuradas pelo estudo da McKinsey ajudam a alimentar o discurso da im­portância da diversidade. Companhias citadas na pesquisa, como o JPMorgan Chase e o Lloyds TSB, ajudam a pro­var a tese. No banco JPMorgan, 48% dos cargos gerenciais são ocupados hoje por mulheres, que estão também em 27% dos postos de alto coman­do, ante 19% em 1996. "Mulher trabalha me­lhor em equipe. É mais sensível para detectar problemas e tem a vantagem de ser con­ciliadora", afirma Íris, do McDonald"s.

Nos anos 90, os departamentos de RH tinham como missão ampliar o al­cance da competência feminina. Hoje, o grande dilema é outro: reter funcioná­rias talentosas. Para isso, é preciso criar e manter um ambiente que as estimule. Se­gundo a pesquisa da McKinsey, tem cres­cido nas corporações a oferta de horários flexíveis e os cuidados em relação à ma­ternidade. Levantamento de 2007 mos­tra que as empresas classificadas como family friendly têm receita de cerca de US$ 1 mil a mais por ano, por funcionário.

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