Reconhecimento Duradouro


Mark Thompson, co-autor de Sucesso Feito para Durar, diz o que há em comum entre profissionais que se mantêm em alta por muito tempo.

Revista Você S.A. - por Dalen Jacomino

Chegar lá, se dar bem, ter êxito. Não faltam sinônimos para aquilo que mobiliza diariamente a vida de praticamente todos os profissionais deste planeta. Estamos falando da incansável busca pelo sucesso. Sentir o doce sabor da vitória, no entanto, é privilégio de poucos. Manter-se em alta por um longo período é, então, quase um ato heróico. Bill Gates, Jack Welch e Nelson Mandela são alguns dos nomes conhecidos que fazem parte desse grupo. Por que eles conseguem e outras pessoas não? E o que você deve fazer para ser reconhecido pelo seu esforço cotidiano? Os americanos Jerry Porras, co-autor do best-seller Feitas para Durar, Stewart Emery e Mark Thompson se propõem a responder a essas questões no livro Sucesso Feito para Durar (Editora Bookman e Wharton School Publishing). A obra é baseada em dois estudos. O primeiro é composto por entrevistas com 200 personalidades que fazem a diferença em sua área, profissão ou comunidade. O segundo é um levantamento quantitativo sobre sucesso com 365 profissionais - a maioria executivos - em 110 países. O que os autores descobriram você confere a seguir, em entrevista com o jornalista, coaching e investidor Mark Thompson, que, aliás, se considera um sujeito bem-sucedido.

  • Dá para padronizar o conceito de sucesso? Ele varia de pessoa para pessoa?

    Em minhas conversas e palestras sempre pergunto aos profissionais qual é a sua definição de sucesso. As respostas são variadas, do tipo "sucesso é ver o trabalho feito, atingir metas" ou "é causar algum impacto no mundo, seja ao criar um negócio ou mesmo defender uma causa". De fato, existem muitas definições. E aí está o aprendizado: a minha definição não vale necessariamente para o outro.

  • Então, o que significa sucesso hoje?

    Nas entrevistas com 200 personalidades descobrimos que dinheiro, fama e poder vêm em último lugar na escala de objetivos das pessoas que buscam o chamado sucesso feito para durar. Eles podem - e devem - ser uma consequência, mas não um propósito. As pessoas que focam sua vida nessas referências acabam desenvolvendo relações tóxicas. Veja, por exemplo, o que sucede, em muitos casos, com quem ganha na loteria ou profissionais que se transformam em estrela muito cedo em sua carreira. Muitos se tornam viciados em drogas, em álcool ou têm sérios problemas familiares. Outro aspecto bem importante: as pessoas que realmente se consideram bem-sucedidas por um longo período não acreditam que têm que ser excelentes em tudo. Elas apenas focaram seus esforços em suas competências essenciais.

  • Quem são os builder ou, em português, "construtores"?

    É uma metáfora que usamos no livro para designar as pessoas que construíram algo que vai além delas próprias. Nós os chamávamos primeiramente de clockbuilders (construtores de relógio), que fazem oposição aos chamados time tellers (contadores de horas). Estes últimos são aqueles que apenas dizem a hora, ou seja, têm uma visão temporária do mundo, enquanto os clockbuilders constroem o relógio, ou seja, são os arquitetos de algo maior.

  • Como saber se sou um "construtor de relógio" ou apenas um "construtor de horas"?

    Descobrimos três elementos fundamentais presentes nos casos de sucessso, mas que só funcionam se estiverem presentes simultaneamente. Então, você pode usá-los como referência na hora de olhar para a sua vida e para sua carreira. O primeiro é "significado". Você se sente engajado em algum projeto? Não importa o tipo de negócio. O importante é fazer aquilo que o move, que faz você perder a noção do tempo enquanto está em ação.

  • Quais os outros dois aspectos?

    O segundo é o que chamamos "estilo de pensamento". É o senso de audácia e responsabilidade. Nós o batizamos assim porque descobrimos que as pessoas bem-sucedidas têm um estilo próprio, acreditam que têm todo o direito de perseguir seu portfólio de paixões, e o fazem. Muita gente ainda acredita que servir ao mundo e servir a si próprio são aspectos que se excluem. Mas é um equívoco. Eles devem funcionar juntos e em harmonia. É o poder do "e" e não do "ou". E o terceiro é a "ação". É preciso arregaçar as mangas.

  • Carisma faz alguma diferença na busca pelo sucesso duradouro?

    Todo mundo gosta de estar ao lado de alguém que é atraente, carismático. Mas não encontramos correlação entre sucesso e carisma em nossa pesquisa. Entre os profissionais de êxito, a maioria não é carismática. Mas eles têm algo especial. Quando falam sobre seu tópico predileto, seus olhos brilham. Você não tem que ser carismático para ser um líder. É mais importante estar motivado no trabalho.

  • E se o meu sonho ou minha paixão não forem reconhecidos?

    O mundo gira. As pessoas mudam. Continue tentando. É aquela história do cientista que tenta 90 vezes e na 91ª consegue o resultado desejado. Essa é outra razão pela qual paixão é muito importante. Se estiver esperando o tempo todo por feedback, não vai chegar a lugar nenhum. É preciso ser suficientemente teimoso e apostar no que gosta. Se v você é cantor, tem que adorar cantar, independentemente de alguém estar ouvindo.

  • De todas as histórias que colheu para o livro, o que mais o tocou?

    Penso em Richard Branson, que obteve excelentes resultados em áreas tão diferentes. Sua companhia atua em vários setores: música, aviação, telefonia. Richard não nasceu bem-sucedido. Ele queria ser atleta na juventude e teve um grave ferimento no joelho, o que tornou seu sonho impossível. É disléxico. Deixou a escola aos 16 anos e depois, até paradoxalmente, criou uma revista. Tem paixão pela música e por entretenimento. Fundou a Virgin aos 20 anos. Soube reconhecer seus pontos fracos e contratar, com habilidade, as pessoas certas para dar vida aos seus sonhos.

  • Você se considera bem-sucedido?

    Quando você conversa com pessoas de sucesso vê que muitas não se consideram como tal. Todas têm dúvidas, medos, já viveram retrocessos. Não ter fracassos, aliás, não é pré-requisito para se alcançar êxito na vida. O importante é ter impacto e fazer algo que faz sentido para você. Sendo assim, sim, eu frequentemente me sinto bem-sucedido.

    Quem se considera bem-sucedido

    Após ouvir 365 profissionais, os autores de Sucesso Feito para Durar descobriram que:

    - 35% se coniseram bem-sucedidos pessoalmente e profissionalmente
    - 31% não acham que têm sucesso na vida pessoal e profissional
    - 23% acreditam ser bem-sucedidos apenas pessoalmente
    - 11% admitiram ter sucesso apenas no trabalho.

    • Administração do Tempo

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