Resoluções de Ano Novo


Jornal Folha de São Paulo - por Suzana herculano-Houzel

Ah, as resoluçoes. Mal começa o ano e já temos objetivos para os 365 dias seguintes: ganhar mais dinheiro; gastar menos dinheiro; quitar o cartão de crédito, o carro ou a casa; trocar de emprego, melhorar de vida, descansar - ou, quase certamente, em tempos de sedentarismo, fazer exercícios e emagrecer.

Como li em uma delegacia de polícia sul-africana, contudo, "um objetivo sem um plano é apenas um desejo" (um bom cartaz para nossas delegacias copiarem!). Para cumprir suas resoluções de Ano-novo, portanto, é preciso um cérebro que não só seja capaz de desejar e estabelecer objetivos, mas também de traçar planos.

De desejos o cérebro entende: deles trata o sistema de recompensa, que representa igualmente quão bom algo já é como também pode vir a ser (como as roupas do armário voltarem a caber. De objetivos, também: sabendo das recomendações do sistema de recompensa, a parte anterior do córtex pré-frontal é capaz tanto de cuidar dos acontecimentos presentes quanto de usar seus conhecimentos atuais (sobre o que sobra na cintura e o que falta no banco, por exemplo) e seus desejos (caber de novo naquela calça) para traçar o objetivo para o futuro.

Quanto a tecer estratégias para alcançar as metas, isso fica por conta das porções mais laterais do córtex pré-frontal. Se for esperto e aproveitar o que a neurociência ensina, então, o pré-frontal trata de fazer o sistema de recompensa arranjar desejos módicos, alcançáveis com planos simples.

Começar perdendo quatro quilos para depois perder outros quatro, por exemplo, é bem mais factível do que desejar perder oito de cara. Planejar frequentar a academia duas vezes por semana é mais fácil de alcançar do que resolver estoicamente virar rato de academia literalmente da noite para o dia.

O mais importante, contudo, é constatar que o cérebro humano é tanto capaz de sonhar quanto de fazer acontecer. Desejar é bom, mas tecer um plano e passar à resolução é melhor ainda - e traz satisfação dupla: com o resultado e com o mérito pelo resultado.

Faço minhas, então, as belas palavras do poeta Drummond em sua  "Receita de Ano-novo": "Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você meu caro, tem que merecê-lo, tem que fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre". Que em 2010 você tenha bons desejos e ótimos planos, leitor, e assim saiba fazer seu ano novo feliz.

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