Segunda língua faz bem ao cérebro


Pesquisa aponta melhor desenvolvimento na área associada à linguagem.

Jornal Folha de São Paulo

Aprender um segundo idioma tem sobre o cérebro o mesmo tipo de efeito que fazer musculação exerce sobre os músculos. Após analisar imagens de exames cerebrais de pessoas que falam pelo menos dois idiomas com fluência, cientistas convenceram-se que o aprendizado de idiomas exercita o cérebro. O impacto do aprendizado, todavia, é muito maior na infância, quando o cérebro ainda está em desenvolvimento.

Num estudo publicado na revista "Nature", cientistas britânicos disseram que o bilinguismo muda a anatomia do cérebro. Eles descobriram que pessoas que falam duas línguas têm mais matéria cinzenta na região do cérebro associada à linguagem. Quanto mais cedo essas pessoas aprenderam o segundo idioma, maior o aumento da massa cerebral. A descoberta poderia explicar o motivo de crianças aprenderem idiomas com facilidade muito maior do que adultos. Embora pessoas que aprenderam uma segunda língua na idade adulta mostrassem ganhos possivelmente associados à estimulação do cérebro, o aumento de massa cerebral deste grupo era muito menos importante.

"Os ganhos mais significatiivos foram observados em pessoas que aprenderam a falar uma segunda língua por volta dos 5 anos de idade. Também observamos uma associação entre grau de aumento da área relacionada à linguagem e o nível de proficiência obtido - disse o coordenador do estudo, Andrea Mechelli, um neurocientista da University College London.

O cérebro das crianças teria ganhos mais significativos porque seria estimulado numa fase em que ainda está em desenvolvimento e passa por mudanças estruturais. Com o passar dos anos, a plasticidade do cérebro é reduzida e, dessa forma, também a capacidade de aprender um idioma estrangeiro.

Para fazer a pesquisa, os neurocientistas analisaram imagens obtidas através de exames de MRI de 83 pessoas. Eles compararam a densidade de uma região do cérebro chamada córtex parietal inferior esquerdo. Vinte e cinco voluntários que participaram do estudo eram monoglotas; o mesmo número de participantes falava duas línguas desde a infância. Outras 33 pesssoas haviam aprendido um segundo idioma depois dos 10 anos de idade. Todos os participantes eram britânicos da mesma idade e nível sacio cultural. "É impressionante, mas as imagens refletem o nível do proficiência de uma pessoa numa língua estrangeira - disse Mechelli.

A matéria cinzenta é composta por neurônios. Os cientistas não sabem dizer se o crescimennto observado nos exames foi provocado pelo aumento do tamanho dessas células, pela elevação do número delas ou pela combinação de ambos. "Nosso próximo passo será saber o que de fato essa mudança anatômica significa", disse o cientista.

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