Senhoras e senhores é um prazer estar aqui com vocês


Você S. A. - por Claudia Matarazzo

Seminários, palestras, convenções, simpósios ... Se sua carreira está indo bem, é praticamente impossível você não ter que comparecer a eventos desse tipo. O bom senso manda que você agarre a oportunidade, aprenda e se aprimore. Nessas ocasiões, no entanto, muita gente ainda presta mais atenção ao lado festivo, aos comes e bebes, do que ao que interessa. Além disso, apesar do número de cursos, seminários e palestras aumentar a cada dia, as pessoas - seja quem vai falar, seja quem vai ouvir - parecem não ter entendido todas as regras de boas maneiras que fazem parte desse jogo. Veja, pois, o que fazer para não desperdiçar as oportunidades.

  • Quem vai falar

    Olho no relógio - não basta apenas começar no horário. É fundamental também terminar no tempo previsto. Lembre-se de que o máximo que as pessoas agüentam ouvir alguém, sem intervalo, são duas horas. Além disso, o público pode estar interessado em ouvir uma outra palestra que começa em seguida à sua. Se você se empolgar e der uma "esticada", atropela o cronograma e atrapalha a vida de todo mundo. Caso sua fala seja a última do dia, você tem mais um motivo para não se estender - as pessoas já estão cansadas e pensando em chegar em casa.

    Cuidado com a pirotecnia - as facilidades tecnológicas de hoje podem transformar qualquer apresentação num show de efeitos especiais. Nada contra a tecnologia, mas - lembre-se de que o importante são o conteúdo e a convicção com que você demonstra sua tese. Use os recursos e apenas para valorizar seu discurso - jamais se deixe ofuscar por eles.

    Seminário não é circo - quem está dando uma palestra não tem a menor obrigação de dominar as técnicas de um showman. Aliás, chega a ser discutível o comportamento desse tipo de palestrante, que mais parece professor de cursinho, daqueles heios de graçolas e piruetas. Esses malabarismos podem até surtir algum efeito para "acordar" a platéia, mas raramente passam uma imagem de seriedade. Pense cinco vezes antes de enveredar pelo arriscado caminho das brincadeiras fáceis.

    Ao cair o pano - finda a palestra, algumas pessoas da platéia certamente vão procurá-la. Já vi oradores que no palco eram personagens cativantes e, fora dele, transformavam-se em carrancas mal-humoradas. Por mais extenuante que tenha sido falar, não custa nada ser simpático e ficar um pouco mais para conversar.

  • Quem vai ouvir

    Na hora certa - o comportamento de quem está na platéia pode ser tão ou mais notado que o de quem fala. Há pessoas que querem se mostrar ativas e participantes, mas só conseguem ser terrivelmente chatas e inoportunas. Tudo tem sua hora certa. Evite a todo custo chegar atrasado ou sair no meio da fala. Não bata palmas nem manifeste seu ponto de vista fora de hora. Faça perguntas curtas e precisas.

    Quando não dá para segurar - de futo, há momentos em que não dá para ficar de boca fechada. Se isso ocorrer, discorde com civilidade. Não há por que ser agressivo nem destemperado. O que fará a sua observação ser levada em conta não é o grau de indignação com que você se expressa, mas sim a pertinência de suas idéias.

    Com a cabeça nas nuvens - às vezes, a gente se distrai e perde um pedaço. Quando isso ocorre, fatalmente fazemos perguntas sobre temas que acabaram de ser abordados. Saiba que esse tipo de coisa é uma imensa gafe. O palestrante acaba tendo que repetir o que já disse e todos percebem. A única forma de evitar isso é realmente usar todas as suas forças para não desviar a atenção.

    No apagar luzes - não alugue o palestrante. O tempo para as perguntas já esgotou e ele também quer ir para casa. Se quiser mesmo cumprimentá-lo, seja rápido. Não o torture, não se aproxime com aquele sorriso pretensamente cúmplice de quem vai dizer "é só um minutinho para uma consulta particular..." Se quiser ser realmente elegante, deixe para fazer comentários ou congratular o palestrante em outro dia, se posssível por e-mail.

    Sobrea a autora

    É joranlista e autora dos livros sobre comportamento Etiqueta sem Frescura e Gafe Não é Pecado.

    • Oratória

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