Tática para o 2º Tempo


Há 32 milhões de brasileiros com expectativa de vida acima dos 80 anos. Ê bem provável que você esteja nesse grupo. Saiba como se preparar para uma vida profissional mais longa.

Revista você S/A - por Andreia Giardino

As pessoas estão viven­do mais. Dados do IBGE mostram que a expecta­tiva de vida do brasilei­ro é de 73 anos. Mas estu­do da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revela que há um con­tingente de 32 milhões de brasileiros que vivem acima disso. Nesse grupo, a expectativa para os homens é de 81,9 anos e para as mulheres, de 87,2 anos. É bem provável que você faça parte des­sa população mais longeva, já que o le­vantamento da UFRJ mostra que esses brasileiros pertencem às classes A, B e C, têm emprego formal e vivem prin­cipalmente nas regiões Sul e Sudeste. Essa constatação aponta para uma no­va realidade: as pessoas terão de traba­lhar mais anos para se sustentar.

A questão mais importante é: traba­lhar onde e fazendo o quê? Muitos es­pecialistas em carreira revelam que o tempo de permanência nas empresas está se tornando cada vez mais curto. "Quando o profissional se aproxima dos 45 anos, se transforma em um dos principais alvos de cortes", diz Matilde Berna, diretora de transição de carreira da consultoria Right Management. So­me as duas informações - maior lon­gevidade e menor tempo de carreira no mercado corporativo - e o resultado são dez, 15 ou 20 anos de carreira pou­co planejados pela maioria dos profis­sionais. "O fenômeno da longevidade impõe desafios e a solução está no pla­nejamento", diz Julio Sergio Cardozo, que hoje atua como consultor de car­reira, depois de se aposentar há dois anos como presidente para a América Latina da Ernst & Young.

Quando um profissional deve co­meçar a se preparar para enfrentar es­se cenário? "Desde cedo, se possível, logo que se conquista o primeiro em­prego", aconselha. Pode parecer pre­cipitado alguém que mal saiu da fa­culdade já pensar no que deseja fazer daqui a dez ou 15 anos, mas planejar é importante para evitar armadilhas no futuro. "Aquela ideia de emprego para a vida toda já era. É imprescindí­vel estar preparado para mudanças fre­quentes", diz Matilde. Opções é o que não faltam para quem se planeja. Des­de abrir um negócio próprio, atuar em ONGs, dar aula, virar consultor e até ser coach de executivos. O importante, se­gundo Julio Sergio, é não deixar a escolha para os 45 minutos do segundo tempo. "Após traçar uma estratégia de segunda carreira para o momento de ruptura com o trabalho atual, o ideal é colocá-Ia em prática, pelo menos, cinco anos antes de sair de cena", diz.. Falar sobre planejamento num merca­do de trabalho dinâmico é complica­do. Hoje em dia, a pessoa não sabe ao certo quantos empregos terá na vida nem quanto tempo ficará no mesmo cargo. Mesmo assim, fazer uma lista de objetivos de curto, médio e longo prazo sempre ajuda a tomar decisões de carreira e verificar a que distância está de seus sonhos. Na hora de plane­jar, defina o que deseja fazer ao longo da carreira, onde imagina estar, com quanto dinheiro pretende viver. Essas questões são essenciais para estabe­lecer a direção que vai ser dada à vida profissional. Como o mundo muda ca­da vez mais rápido, revisar esse plano periodicamente é fundamental. "Faça um balanço dos resultados para ava­liar o que deu certo e corrigir o que não funcionou", recomenda Julio Sergio.

• A chave é poupar

Para o administrador de empresas Al­bert Sales, de 30 anos, gerente de ven­das da XRM Global, empresa de tecno­logia, cuidar do presente de olho no fu­turo sempre foi uma preocupação. Sua estratégia é poupar muito e investir o dinheiro para ter maior autonomia para decidir sobre os rumos na profis­são. Albert pensa assim desde que co­meçou a trabalhar, aos 15 anos, numa concessionária de carros. Poupando, conseguiu estudar inglês no Canadá e acaba de se matricular em um MBA na Business School São Paulo. O obje­tivo é dar aulas quando deixar o mundo das empresas. "Esse é o momento de ganhar bagagem, e lá na frente co­locar em prática meu projeto de pós­carreira", diz Albert, que ainda preten­de fazer mestrado. Em paralelo, ele in­veste 10% de sua renda num plano de previdência privada, recursos que ser­virão para a aposentadoria.

Para Fábio Celeguim, de 37 anos, di­retor financeiro da Subway Link, em­presa da área de tevê corporativa, a ne­cessidade de pensar na segunda car­reira apareceu quando ele presenciou uma demissão coletiva na empresa em que trabalhava. Fábio tinha apenas 27 anos, mas sentiu a necessidade de se preparar para possíveis problemas ao longo da vida. "Ao descobrir a diferen­ça entre emprego e carreira, vi que não podia deixar minha vida na mão das empresas", revela. Foi assim que deci­diu desenhar um plano constituído de três etapas: dos 25 aos 35 anos, dos 35 aos 45 anos e dos 45 aos 50 anos. Em cada uma delas, há metas como o MBA que está terminando. Fábio também não se esquece de ampliar seus conta­tos que o ajudarão a concretizar outra meta para a hora de pendurar as chu­teiras - atuar em conselho consulti­vo ou de administração.

Para chegar lá, o diretor financeiro reserva 15% do salário para aplicar na bolsa e em fundos de ações destina­dos a aposentadoria. Ele também pos­sui plano de previdência, um só para ele e a mulher e outros para os filhos. "Procurei ter uma estratégia cuidado­samente planejada ao construir uma carreira sólida e uma base financei­ra suficiente para garantir r um futu­ro sem sustos", afirma Fábio.

Fazer uma boa poupança é funda­mental para ter independência finan­ceira e fazer escolhas profissionais mais ousadas. Quem começa a investir mais cedo tem um horizonte maior pa­ra poupar com menor esforço. "Quan­to mais tarde o investidor começar a acumular, maior parte do salário terá de direcionar para a poupança", diz Alexandre Assaf, especialista em finanças e professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabi­lidade da Universidade de São Paulo. Aconselha-se que pelo menos 10% do salário seja guardado. Mas, segundo Alexandre, quando se chega aos 40 é recomendável aumentar o máximo possível o valor a ser poupado. "Se pu­der, guarde 30% do salário."

Lá pelos 50 anos, recomenda -se tirar o pé do acelerador. Essa é uma fase de privilegiar investimentos menos ou­sados, como renda fixa e poupança, e deixar o risco de lado. "A exposição a investimentos em renda variável de­ve cair à medida que o tempo passa e a capacidade de recuperar eventuais desvalorizações fica menor", diz Carolina Mazza, da consultoria Mercer. Outra dica é adotar um orçamento do­méstico em que haja controle diário, mensal e anual dos gastos. É uma es­tratégia interessante para quem quer chegar lá tranquilo. Agora, se você não tem disciplina para administrar seu di­nheiro a opção são os planos de pre­vidência complementar.

Se ainda não deu o primeiro passo, acorde para a realidade e tenha uma aposentadoria de qualidade, sem so­bressaltos. Ter consciência de que quanto mais cedo, melhor vai garan­tir a saída de cena menos traumática. Para isso é preciso não pensar apenas nas finanças, em ter um plano de previdência que garanta manter o mesmo padrão de vida. Acima de tudo, é imprescindível criar um propósito para quando você deixar o dia a dia na empresa. Esse momento pode vir antes do que foi imaginado.

• Prepare desde já seu plano B
Como tomar decisões de carreira e finanças em cada fase da vida.

- Carreira

Dos 20 aos 30 anos

Dos 30 aos 40 anos

Dos 40 aos 50 anos

Pense em fazer cursos de especia­lização, pós-graduação ou MBA. Vá estudando o que pode interes­sar dentro da carreira escolhida. Construa sua marca pessoal e invista na carreira. Os dois aspectos são fundamentais na hora de "pendurar as chuteiras" e colocar o plano B em pratica. Dê os primeiros passos para a segunda carreira. Identifique que habilidades são necessárias e o que é preciso fazer.
Comece a traçar um plano de carrei­ra com metas e conquistas. Faça revisões anuais dessa estratégia.  Mantenha vivo seu networking e forme novas redes de contatos.  Estabeleça um cronograma de ações até o momento de sair do dia a dia do mundo corporativo.

 

- Finanças

Dos 20 aos 30 anos

Dos 30 aos 40 anos

Dos 40 aos 50 anos

Estabeleça metas de poupança.

Aumente o valor a ser poupado e guarde, no mínimo, 10% do salárlo.

Poupe o que puder. Tente destinar 30% do salário para a poupança.
Adote um orçamento doméstico em que haja controle diário, mensal e anual dos gastos.

Direclone parte do dinheiro para a renda variável e obtenha ganhos maiores do que na poupança.

Opte por um mix de investimentos (por exemplo, bolsa e fundo DI).
Destine pelo menos 5% do salário a um investimento de longo prazo. Invista em ações.

Avalie se está na hora de transformar em dinheiro os ativos como imóveis.

 

 

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