Tentação: por que resistir é tão difícil


Todos os enfrentamos prazeres imediatos: um hambúrguer no almoço, 15 minutos a mais de sono, deixar o trabalho para amanhã. Às vezes cedemos, às vezes fugimos. Mas o autocontrote é uma das atitudes mais importantes - e difíceis - da vida. A boa-nova é que dá para aprendê-lo.

Revista Superinteressante - por Paula Scarpin

Mariana Almeida é apenas 1 ano mais nova que o irmão, Pedro. Na escola, ela não era brilhante, mas estudava um pouquinho todos os dias e conseguia manter as notas altas, enquanto ele raramente era aprovado em alguma matéria sem fazer recuperação. Na família de gordinhos, Mariana lutava contra a balança, enquanto Pedro gastava a mesada em biscoitos recheados. Quando ela arrumou o primeiro emprego numa multinacional, indicou Pedro para um cargo de office-boy. Mas o trabalho era puxado, o chefe era nervoso, e ele não demorou a pedir demissão, Nos últimos 10 anos, Pe­dro trabalhou numa padaria, foi garçom de um bar, alugou um carrinho de cachorro-quente, e agora está desemprega­do, mas pensando em comprar um táxi. Mariana continua na mesma empresa, onde foi promovida a secretária executiva, e vive emprestando dinheiro para o irmão. Quando se encontram na casa da mãe aos domingos, ela fica na saladinha, enquan­to ele se farta na macarronada, mas garante que naquela semana mesmo vai começar a jogar futebol com os amigos.

Esta história talvez soe familiar para você: dois irmãos ou amigos que tiveram oportunidades muito parecidas na vida, mas seguiram caminhos completamente diferentes. O manual de uma vida bem­ sucedida não é segredo para ninguém ­ devemos comer verduras, praticar espor­tes, manter a calma no trabalho, economizar dinheiro. Se algum dia você já fez uma lista de resoluções de ano novo, é possível que alguns desses itens estives­ sem presentes nela. Mas é provável que muitos deles nunca tenham virado parte da sua rotina. Andar na linha não é tão simples quanto pode parecer à primeira vista: por trás das tentações há um intri­cado sistema cerebral que tenta o tempo inteiro nos levar para o mau caminho. Se vamos ceder às vontades ou não, depende do nosso autocontrole, um dos fatores mais decisivos para o desempenho da nossa vida.

Por que falar "não"?

A clássica imagem dos desenhos anima­dos em que o personagem tem um anjo num ombro e um diabo no outro não é exagero. De acordo com as últimas pes­quisas, é assim mesmo que nos compor­tamos diante das tentações. É realmente uma batalha o que acontece entre a von­tade de sentir prazer imediato contra o esforço de adiá-Io. Algumas pessoas são naturalmente mais descontroladas do que outras, mas, de maneira geral, todos te­mos coisas que conseguimos manter nos trilhos e outras que descarrilham de vez em quando. Tem quem seja impecável no trabalho, por exemplo, mas não consiga levar uma dieta a sério. Ou quem pratique esportes regularmente, mas não aguente ser contrariado sem partir para a briga.

Mas qual é o problema de ceder às ten­tações? Bem, a existência do futuro. Se você soubesse que vai morrer amanhã, não teria por que guardar dinheiro ou passar o sábado à noite estudando. Nem ficar comendo salada para não entupir as veias de colesterol aos 50 anos. Essas preocupações só fazem sentido porque imagiriamos que vamos viver muitos anos ainda. "Seguir nossos impulsos se­ria adaptável biologicamente se nós fôssemos projetados para viver apenas por hoje. E sem preocupa­ção com o bem-estar dos outros", definem os psicólogos alemães Wilhelm Hofmann, Malte Friese e Fritz Strack no ar­tigo "Impulso e Autocontrole a Partir de uma Perspectiva Dual de Sistemas", de 2009. O homem não é o único animal que precisa lidar com a tentação do prazer imediato contra os pla­nos de futuro. (O joão-de-barro passa dias montando uma casinha no capricho, por exemplo, e as abelhas constroem col­meias complicadíssimas para armazenar alimento.) Mas nós somos os únicos com interesses e necessidades muito mais complexos do que simplesmente comer e procriar. Queremos, por exemplo, ter uma vida em sociedade. Manter relações ami­gáveis seria praticamente impossível se todo mundo resolves­se levar o hedonismo às últimas consequências.

Fazer tudo o que dá na telha afasta as pessoas próximas. Por isso cada grupo na história da humanidade criou suas próprias leis e códigos morais para regular sexo, drogas, comida e jogos. Na Grécia antiga, alguns prazeres eram socialmente aceitos e cultuados na figura do deus Dionísio, aquele das orgias e bebe­deiras. Na Idade Média, por outro lado, quase todas as formas de prazer eram proibidas: as tentações deveriam ser punidas com penitências, e todos viviam sob a ameaça da Inquisição (Está lá no fim do pai - nosso: "Não nos deixei cair em tentação, amém"). Mas o cerceamento do prazer está presente em todas as socie­dades humanas, de maneira mais ou menos radical. (No nosso mundo, essas regras se aplicam na hora de pegar a última em­padinha do prato, por exemplo - todo mundo se controla para não fazer a desfeita com os outros.) Esse cuidado para regular as tentações faz sentido: poucas coisas são biologicamente tão po­derosas quanto a sensação de prazer.

• Já é tentação

Nos anos 50, os psicólogos Peter Milner e James Olds, da Universidade McGill, no Canadá, estavam testando o cérebro de ratos. A ideia era implantar eletrodos em uma área chamada sistema reticular do mesencéfalo para examinar o controle do sono. O teste consistia em deixar os roe­dores explorarem livremente uma caixa retangular com os cantos etiquetados como A, B, C e D. Cada vez que os ratos chegavam ao canto A, recebiam um pe­queno choque do eletrodo. Durante um experimento com um rato em especial, entretanto, o eletrodo acabou escorre­gando e se acomodando em outra área cerebral, uma região chamada septo. Mi­lner e Olds perceberam que esse ratinho
adquiriu o hábito de voltar frequente­mente ao canto A, passando por lá até 7 mil vezes por hora. Ele abandonou a co­mida, a água, os filhotes, e teve de ser retirado do aparato para não morrer de fome. Sem querer, os cientistas fizeram um dos mais radicais experimentos da neu­rociência, encontraram o centro de prazer no cérebro.

No livro The Compass of Pleasure: How Our Brains Make Pai­ty Fodd, Orgasm, Exercise, Marijuana, Generosity, Vodka, Le­arnirning and Gambling Feel So Good (inédito no Brasil), o neuro­logista americano David Linden conta que mais tarde descobriu-se que não havia somente um pequeno ponto capaz de produzir prazer: havia um grupo de estruturas conectadas, todas na base do cérebro e distribuídas ao longo da linha média. Quan­do os neurônios dessas regiões estão ativos, incentivam a libera­ção de um neurotransmissor chamado doparnina, responsável pela sensação de prazer. Diversas áreas do cérebro são então inundadas pela dopamina, incluindo as que controlam as emo­ções, o aprendizado e, claro, o julgamento e o planejamento - ou seja, o autocontrole. A dopamina causa uma sensação de prazer tão poderosa, que você terá vontade de senti-la de novo e de novo. Por isso qualquer coisa que estimule essas estruturas cerebrais ­ comida, sexo, preguiça - é tão tentadora.

• Parece cocaína, mas é só comida

Para piorar, a vontade de chutar o balde foi moldada em nós ao longo de milênios e milênios de evolução. Na pré-história, os homens nem sempre eram bem-sucedidos na hora de caçar o jantar. Então comidas calóricas, que proporcionassem um esto­que de energia por mais tempo, eram ideais para a sobrevivên­cia. Hoje em dia, qualquer pessoa acima da linha de miséria tem uma alimentação regular a seu alcance, mas o nosso cérebro ainda está condicionado a pre­ferir as comidas mais gorduro­sas ou açucaradas. E pior: uma pesquisa publicada na revista Nature no ano passado indicou que quanto mais gordura você come, mais você quer comer. Segundo Adriano Segal, psi­quiatra brasileiro especializado em transtornos alimentares, você pode notar esse "compor­tamento ao longo de uma mes­ma refeição. "A gordura esti­mula a sua própria ingestão. Se você come um pastelzinho de entrada num restaurante, vai provavelmente sentir a neces­sidade de comer mais comidas gordurosas no prato principal do que se a entrada fosse, por exemplo, cenoura crua", diz.

De fato, o processo é pareci­do com um vício. Em cérebro tanto de viciados em drogas quanto de obesos, é comum haver um número reduzido de receptores de dopa­mina, o que faz com que circule mais dessa substância no corpo. A lógica é a de uma rua sem bueiros que alaga du­rante uma tempestade. Sem receptores para absorver a dopamina, ela sobra no cérebro. É possível que esses indivíduos tenham nascido com menos receptores - o que os tornaria mais vulneráveis ao vício, ou seja, ao descontrole. Quase to­das as tentações podem potencialmente ser viciantes: a preguiça, a procrastina­ção, a vontade de fazer compras - e o sexo. Entre nossos antepassados, qual­quer possibilidade de procriação da es­pécie deveria ser agarrada com unhas e dentes (literalmente) - afinal, morria-se cedo, a concorrência era braba e as ame­aças eram muitas. Hoje em dia, quando a maior parte do sexo não tem função re­produtiva, muitos já aprenderam que não é qualquer noite de amor que vale a pena (recaídas com ex-namorados? Be­bedeiras?). A tentação está lá, afinal o prazer sexual também libera dopamina. Mas o homem moderno já aprendeu que às vezes vale a pena evitá-Ia.

A modernidade, aliás, é péssima para quem quer se controlar. São tantas as possibilidades que fica difícil optar por algo sem pensar em todas as opções incrí­veis deixadas de lado. Por que preparar uma salada, se posso pedir hambúrguer no meio da noite? Por que economizar di­nheiro, se dá para pagar em 10 vezes? Com a internet, o excesso de informações disponível manda para o espaço qualquer tentativa de controle. A manutenção da sua fazendinha, a 12ª música no YouTube e aquele Tumblr engraçadíssimo fazem as vezes de diabinho na hora em que você precisa trabalhar. O mundo moderno foi feito para os descontrolados.

Geneticistas comportamentais já de­monstraram que o controle é resultado tanto da genética quanto das influências do meio externo, mas ainda não conse­guiram mapear os genes associados a ele. Um grupo de pesquisadores da Universi­dade de Ancona, na Itália, está atrás da pista de que algumas variações genéticas da enzima monoarnina oxidase-A podem influenciar no controle de inibição, ligado à impulsividade. Mas a boa-nova é que não há nada absoluto. "As nossas capacidades de autocontrole têm uma variável genética, mas que não é de­terminante. Há bastante espaço para melhorá-lo por meio de técnicas", diz Daniel Akst, autor do livro We Have Met the Ene­my: Self-Control in an Age of Excess (sem versão em portu­guês). E esse é o grande trunfo do autocontrole.

• Eles estão controlados

Nos anos 90, o cientista Roy Baumeister, da Florida State University, resolveu testar se o autocontrole era um recurso ilimitado. A lógica é a seguin­te: por que, depois de se forçar a ir à academia, muitas pesso­as não conseguem resistir a um brigadeiro de sobremesa? Será que elas gastaram todo o autocontrole que tinham? Para isso, Baumeister desen­volveu um experimento cruel: preparou uma fornada de cookies com gotas de chocola­te, e deixou que somente al­guns dos participantes os sa­boreassem. Aos outros, foram servidos insossos rabanetes. Mais tarde, ele pediu ao grupo todo que tentasse responder a alguns exercícios - que, na verdade, eram insolúveis. Ele observou que aqueles que fo­ram forçados a resistir à tenta­ção dos cookies desistiram mais rapidamente dos proble­mas, ficaram apenas 8 minu­tos tentando.resolvê-los. Por outro lado, aqueles que pude­ram se empanturrar de biscoi­tos insistiram nos problemas durante uma média de 19 mi­nutos. A conclusão é a de que nossa habilidade de nos com­prometermos com objetivos a longo prazo ve; academia, muitas pesso­as não conseguem resistir a um brigadeiro de sobremesa? Será que elas gastaram todo o autocontrole que tinham? Para isso, Baumeister desen­volveu um experimento cruel: preparou uma fornada de cookies com gotas de chocola­te, e deixou que somente al­guns dos participantes os sa­boreassem. Aos outros, foram servidos insossos rabanetes. Mais tarde, ele pediu ao grupo todo que tentasse responder a alguns exercícios - que, na verdade, eram insolúveis. Ele observou que aqueles que fo­ram forçados a resistir à tenta­ção dos cookies desistiram mais rapidamente dos proble­mas, ficaram apenas 8 minu­tos tentando.resolvê-los. Por outro lado, aqueles que pude­ram se empanturrar de biscoi­tos insistiram nos problemas durante uma média de 19 mi­nutos. A conclusão é a de que nossa habilidade de nos com­prometermos com objetivos a longo prazo depende da nossa reserva de disciplina. Se o pro­fessor Baumeister estiver cer­to, e o nosso autocontrole for limitado, eis aí a primeira téc­nica para melhorar seu de­sempenho. Bastaria aprender a gastá-lo o mínimo possível no dia a dia para poder lançar mão dele no que realmente importa. Por isso, use-o com parcimônia. Por exemplo, se no tra­balho você gasta o seu autocontrole ten­tando evitar brigas com aquele seu colega folgado, é possível que de noite você não consiga resistir à porção de torresmo no bar. Você simplesmente gastou toda a disciplina que tinha disponível.

Aos poucos, foi ficando claro que o au­tocontrole não é uma característica cons­tante e bem definida, que alguns têm a sorte de ter e outros não. O sucesso do autocontrole depende de muitas variá­veis. Uma delas é a dificuldade que a pes­soa sente em se privar de uma coisa espe­cífica. Um chocólatra vai sofrer mais para fazer dieta do que alguém que não liga para chocolate; ou alguém que não gosta de ler dificilmente vai tirar notas altas nas aulas de história. Se precisamos do auto­controle apenas porque temos planos para o futuro, é de se esperar também que a capacidade de manter o foco em um ob­jetivo seja importante. Se você cair na primeira possibilidade de prazer imedia­to, não vai chegar a lugar nenhum. Pense no exemplo: você está meio insatisfeito com a barriga e decide começar a dieta na segunda-feira. Na terça é aniversário de um amigo, e ele marca num bar. Além da tentação do chope, vem tudo o que o acompanha: salaminho, amendoim, pro­volone à milanesa, frituras em geral. Você segura a vontade e pede uma salada e um suco? E como lidar com a pressão dos amigos? "Mesmo a pessoa que quer eco­nomizar, se olhar para uma vitrine em promoção, ficará tentada a gastar. Se você quer poupar, não é uma boa ideia passear no shopping", diz Patrícia Fonseca, pes­quisadora de economia psicológica.

Os benefícios de se segurar de vez em quando são claros. E também já foram testados, no mais famoso estudo sobre autocontrole, conduzido pelo psicólogo austríaco radicado nos EUA, Walter Mis­chel. Mischel elaborou um experimento bastante simples. Convidou um grupo de crianças para uma brincadeira. Elas se sentariam de frente para uma mesa, onde jazia um marshmallow, e tinham duas opções: ou esperar pacientemente durante um tempo e ganhar um segundo marshmallow, ou comer imediatamente o doce e ficar sem o segundo. Apenas um terço das crianças conse­guiu esperar. Inspirados pelos testes de Mischel, pesquisa­dores da Universidade Duke acompanharam mil pessoas durante 30 anos, avaliando os efeitos da disciplina em sua saúde, finanças e segurança. O estudo concluiu que quem tinha problemas de autocon­trole na infância (que come­ria imediatamente o primeiro marshmallow, por exemplo) acabava tendo maior incidên­cia de DSTs, dependência de drogas, problemas financeiros, filhos sem planejamento e até envolvimento em crimes.

Isso acendeu uma luz na comunidade científica. Sempre se fa­lou muito sobre como o status e o QI influenciam no sucesso de alguém, mas tudo indica que o autocontrole é um pedaço impor­tante da questão. Não faltam histórias de pessoas brilhantes que, por falta de disciplina, não conseguiram passar em um teste im­portante. Mas a boa notícia é que, ao contrário do status e do QI, que são dois fatores altamente resistentes a mudanças, o auto­controle pode ser melhorado com alguns treinamentos simples.

Em seu experimento com o marshmallow, Walter Mischel fez uma observação: as crianças que conseguiam esperar pelo se­gundo doce utilizavam alguma estratégia de autoproibição: fos­se física (sentando sobre as mãos ou escondendo o doce, por exemplo), fosse de distração (como olhando para outro lado ou cantando uma canção). Assim, ele percebeu que o autocontrole tinha menos a ver com um comportamento naturalmente "zen" das crianças, e mais a ver com uma estratégia ou esforço cons­ciente. (Lembra-se do que o herói grego Ulisses fez para se de­fender das sereias? Como ele sabia que o canto das sereias pode­ria seduzi-lo a ponto de fazê-lo jogar-se ao mar e morrer afogado, ele pediu que os marinheiros entupissem seus ouvidos de cera e o amarrassem ao mastro do navio para que ele não pudesse ouvir o canto delas.) Foi isso que fez Mischel: ele sugeriu essas técnicas às outras crianças que tinham mais dificuldade em esperar pelo segundo marshmallow, e muitas conseguiram se segurar depois de instruídas.

• Controle traz felicidade?

Isso não quer dizer, no entanto, que o segredo para uma vida bem-sucedida esteja em sempre abrir mão de suas vontades. O excesso de controle pode ser tão prejudicial quanto a falta dele. Dois pesquisadores da Tufts University resolveram testar as desvantagens do exagero do autocontrole. A experiência era no complicado assunto das relações inter-raciais, e mostrou que pessoas bem intencionadas podem ser tão cuidadosas para não dizer bobagens que podem parecer artificiais - a ponto de pa­recerem racistas. Na experiência, alguns voluntários eram submetidos a exercícios mentais tão desafiadores que gastavam seu estoque limitado de autocontrole. Em seguida, exaustos de tanto se segurar, eram convidados por um entrevistador negro para responderem sobre a diversi­dade racial nas universidades. Os resulta­dos foram curiosos: os que estavam men­talmente esgotados ficaram muito mais relaxados durante a entrevista e conse­guiram falar naturalmente sobre o assun­to. Já aqueles que não foram submetidos aos exercícios, e cujo autocontrole estava intacto, foram considerados artificiais.

Mas nem é preciso ir tão longe. Às vezes o prazer que uma hora a mais de sono proporciona não vale o sacrifício necessá­rio para acordar mais cedo. Em outras palavras, de vez em

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