Um Simples Aperto de Mão


O gesto se repete diariamente nas relações de trabalho. Saiba fazer dele um bom começo.

Revista Você S.A.- por Fabiana Corrêa

Você entra em uma sala de reuniões e tem de estabelecer contato com uma pessoa que nunca viu antes, ou, se viu, foram poucas vezes. E, se é verdade que a primeira impressão é a que fica, essa é a hora de estender a mão rápida e elegantemente, cuidar para não esticar demais o braço - e afastar o interlocutor -, coordenar o gesto com olhares (eles sempre podem dizer alguma coisa) e uma palavra de boas-vindas ou de retribuição a elas, ou ainda a lembrança de um nome ou um cargo importantes. Um bom aperto de mãos não é pouco. Tem muita importância no ambiente corporativo, uma vez que é o início de uma comunicação.

Ao começar a escrever sobre ele, puxei na lembrança as mãos que havia apertado. Um tio meu tinha mania de apertar as mãos mesmo quando tratava com crianças. E, aos 7 anos, eu tinha a impressão de que ele iria quebrar as minhas mãozinhas, de tanta força que botava no gesto. Quando cresci, a sensação continuava a mesma. Como homem muito simples do interior, para ele um forte aperto de mãos tinha a ver com sinceridade. Subindo bastante na pirâmide social, a consultora de imagem Ilana Berenholc faz uma observação sobre o aperto de mão dos altos executivos que viu em um programa de TV, recentemente. "Havia alguns jovens executivos ao lado de presidentes e percebi uma diferença notável entre os dois grupos", conta ela. "Enquanto os novatos se curvaram para dar a mão aos que estavam no topo, esses não saíram do eixo em nenhum momento. Continuaram com a coluna ereta durante todo o cumprimento", diz.

Bem observado. Quem tem o poder não precisa se curvar. Aliás, foi justamente por isso que nasceu o estender de mãos: em uma transferência de poder. O primeiro registro desse cumprimento vem do Egito Antigo, quando a mão estendida representava o verbo "doar". Acreditava-se que os faraós ganhavam poder quando as divindades lhes estendiam as mãos. O aperto de mãos propriamente dito apareceu mais tarde, quando as pessoas passaram a dar as mãos para mostrar que não estavam armadas. Hoje, no breve espaço de um cumprimennto como esse, você pode mostrar que está, sim, armado para uma negociação. Ou que está lá apenas em sinal de paz. Por isso, é importante olhar nos olhos. "Combina com o fato de estender a mão, que é sinal de confiança", diz Christían Schleicher, de 40 anos, diretor industrial da farmacêutica Schering, em São Paulo.

Durante os treinamentos comportamentais em grandes empresas, é comum que - em uma sala de 20 pessoas - apenas cinco "acertem" no gesto de apertar as mãos. Mas será que existe certo e errado? Afinal, linguagem corporal depende da personalidade e também do momento. Se estamos falando de mostrar quem é que manda, talvez seja mesmo a hora de manter a coluna ereta. Se você precisa se aproximar e parecer mais cortês, uma pequena reverência e maior proximidade não farão mal. "Tudo depende da impressão que você quer causar", diz a consultora. De maneira geral, diz ela, não incline a cabeça, não dê tapinha nas costas e sempre olhe nos olhos. E, se alguém tiver de quebrar o protocolo com um beijinho, é sempre a "patente" mais alta, o cliente ou o anfitrião.

Consciente deste gesto, use-o a seu favor. Um colega, ao saber que eu estava escrevendo este texto, contou que havia conhecido um executivo com um bom aperto de mãos, algo que chamou sua atenção para o homem. Bom, na opinião dele, é o aperto de mão firme, acompanhado de uma troca de olhares. Uma pesquisa feita pela Universidade de South Alabama, nos Estados Unidos, confirmou que diferentes tipos de aperto geram diferentes impressões. Os entrevistadores, ao conversar com os participantes, usaram três tipos de aperto: um mais forte, um mais fraco e um médio. Entre os homens, o mediano trouxe uma melhor impressão. Para as mulheres, o aperto firme impressionou melhor, trouxe mais credibilidade.

Se o gesto é assim tão importante, a sua falta também é. "Se alguém deixa de estender a mão a você, aí sim isto é muito forte, pois ele nem é capaz de fazer este simples gesto", diz Luiz Ernesto Gemignani, presidente da Promon, empresa de engenharia de São Paulo. O que esse engenheiro valoriza mesmo é um bom abraço. "Apertar a mão pode ser protocolar, mas um abraço é uma verdadeira expressão de afeto. Eu gosto quando recebo um caloroso."

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