Vencendo a insônia


Alguns cuidados simples podem nos ajudar a recuperar o sono tranquilo e relaxante. Longos quadros de insônia, porém, devem receber um tratamento médico especial.

Revista Planeta - por Sérgio Mortari

A insônia tem como característica básica uma dificuldade para iniciar ou manter o sono, já que a tendência é um acordar a todo instante, em episódios esporádicos ou sucessivos. Quando a dificuldade para dormir ocorre só por algumas noites e em função de causas que podem ser logo eliminadas, temos a insônia transitória ou de curta duração. No entanto, se os episódios ultrapassam um mês, aí já se trata de uma forma crônica.

A insônia atinge pessoas das mais diversas faixas sociais e econômicas, prejudicando-lhes a qualidade de vida e o equilíbrio psicofísico. Atualmente tem se elevado o número de pessoas que se queixam de dificuldades para "pegar no sono". Estatisticamente, os pacientes que mais reclamam desse disstúrbio são as mulheres, idosos, pessoas que moram sozinhas ou não têm parentes e as que apresentam uma tendência à depressão.

As queixas mais frequentes apresentadas durante as consultas referem-se à pequena duração do período de sono, sensação diária de que não se teve um descanso noturno reparador, cansaço, sonolência e muita irritabilidade após uma noite maldormida.

Os fatores geradores desse distúrbio têm múltiplas origens, que podem estar relacionadas com seus hábitos de dormir. Não estabelecer um horário regular para ir dormir ou acordar, deixando que seu ritmo de sono esteja ao sabor das atividades do momento, é péssimo.

Com o avanço da idade, ocorre uma diminuição natural da necessidade das horas de sono e, muitas vezes, o idoso passa por cochilos, principalmente após o almoço; por isso, deve-se considerar essa situação como especial.

Experiências em que estão envolvidas muita tensão, como as provocadas pela conjuntura político-econômica do país, problemas profissionais, como desemprego ou salário insuficiente, a perda de entes queridos, a necessidade de submeter-se a um concurso ou vestibular, e a pressão por um desempenho melhor costumam apresentar como conseqüência uma alteração no ritmo do sono. Isso porque a pessoa não consegue se "desligar" dessas preocupações, embora saiba que continuar pensando a respeito não vai resolver nada; um bom sono ajudaria mais.

Outro fator a ser considerado é a existência de doenças, como as reumáticas, as da coluna, as vasculares, o diabetes, problemas pulmonares, contrações musculares involuntárias, refluxo gastroesofágico ou ainda outras que provoquem desconforto físico. Não esquecendo das psiquiátricas, como depressão, ansiedade, fobias, assim como os efeitos da ingestão de remédios estimulantes, antidepressivos e medicamentos para combater a obesidade, gripe ou o resfriado. Outras substâncias que também interferem no ritmo do sono são a cafeína, a nicotina, as bebidas alcoólicas, as comidas de difícil digestão e alguns chás.

Mudanças nos turnos de trabalho, do dia para a noite ou vice-versa, assim como viagens para lugares onde haja alteração de fuso horário, instabilizam o ciclo biológico e podem trazer modificações no sono.

Ambientes desfavoráveis contribuem, em grande parte, para a manifestação da insônia, pois podem apresentar ruídos e luminosidade excessivos, como a presença de relógios ou outros equipamentos que, mesmo não apresentando alto volume, revelam-se repetitivos e irritantes. Colchões inadequados também podem ser a fonte do problema.

O tratamento a ser instituído para a insônia vai depender muito da causa original e de como ela pode ser resolvida. Mesmo porque já contamos com médicos e clínicas especializadas em distúrbios do sono. Um especialista nessa área, além de levantar o histórico do paciente, vai examiná-lo fisicamente, solicitar exames laboratoriais necessários e iniciar o procedimento mais adequado. As contrações musculares involuntárias, ou "síndrome das pernas inquietas", por exemplo, devem ser bem pesquisadas antes de receber tratamennto, pois podem ser sintoma de outras moléstias. No caso, porém, em que a causa se resume só a um ambiente inadequado, a sugestão será eliminar os agentes perturbadores ou trocar de colchão. Aliás, a escolha do colchão é muito importante para a saúde; há modelos, recomendados para pessoas obesas, para quem tem problemas respiratórios, para crianças, adolescentes, etc. O ideal é que ele se adapte às curvas da coluna e permita uma posição confortável para o repouso.

O refluxo gastroesofágico, que se caracteriza por uma ardência muito forte no peito originada de uma acidez severa, deve receber orientação médica, mas pode ser minorado durante o sono com uma elevação dos travesseiros, que vai evitar a tosse e o engasgamento.

As doenças físicas ou psiquiátricas que provocam dificuldades para que o paciente adormeça deverão receber acompanhamento e prescrição de um médico especialista, em função da complexidade do caso.

Já nos casos onde existem fatores pessoais ou psicológicos envolvidos, primeiro deve-se observar se não são ocasionais, como a ansiedade que precede o primeiro dia de trabalho na nova firma ou na faculdade, que passarão logo. Caso não seja esse o caso, o melhor é buscar a solução através de um acompanha amento e aconselhamento com profissional especializado.

  • Teste o seu sono

Para verificar se o seu sono está sendo reparador e cumprindo com a função de manter seu equilíbrio físico e mental, você deve responder "não" às perguntas abaixo listadas:

1) Você toma algum tipo de chá natural antes de dormir?
2) Ingere bebidas alcoólicas de maneira excessiva habitualmente?
3) Dorme com o estômago "muito cheio" ou "vazio"?
4) Sente-se sonolento durante o dia?
5) A duração de seu período de repouso noturno é inferior a seis horas?
6) Precisa ler um livro ou ver televisão até que o sono venha?
7) Dorme e acorda em horários irregulares?
8) Toma remédios para dormir sem prescrição médica?
9) No seu quarto de dormir há frio ou calor excessivos?
10) Tem dificuldade para "desligar-se" de seus problemas?
11) Acorda "assustado" ou "suando muito" sem saber a causa durante a noite?
12) Range os dentes durante a noite a ponto de acordar com os maxilares doloridos?
13) Seus familiares já reclamaram que você "ronca"?
14) Seus familiares já reclamaram que você chora, ri ou fala durante o sono?
15) Vai dormir em seu quarto, mas acorda em outro lugar da casa?
16) Tem problemas com incontinência urinária durante só à noite?

    Administração do Tempo

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